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220 Volt – “Eye to Eye” (1988)

220 Volt – “Eye to Eye” (1988)
Epic
#HardRock#HeavyMetal

Para fãs de: EuropeMad MaxTalisman

Nota: 10

Quando chegou a Nova York em março de 1988 para gravar o que se tornaria “Eye to Eye”, os suecos do 220 Volt já tinham quatro álbuns na bagagem, mas sua penetração além das fronteiras do velho continente se restringia à inclusão de uma música ou outra em coletâneas V/A mundo afora. No Brasil, a banda seria apresentada ao público através de “Firefall”, parte do LP “Heavy Rock”, de 1985. Mas voltemos aos Estados Unidos…

O produtor escolhido para tentar fazer com que a carreira do 220 Volt deslanchasse no principal mercado consumidor de rock do planeta foi o cascudo Max Norman. Na folha corrida do cara, clássicos do hard e do metal, como “Black Tiger” (Y&T), “Power of the Night” (Savatage) e nada menos que os três primeiros discos solo de Ozzy Osbourne, além dos ao vivos “Speak of the Devil” (1982) e “Tribute” (1987).

Norman botou a banda para ensaiar dez horas por dia por duas semanas antes de apertar o REC. Nesse período, além de desenvolverem e finalizarem fragmentos de canções datados de até dois anos, o quinteto compôs “Dog Eat Dog” e “On the Other Side”, manifesto anti o que a letra chama de “TV truth” e “media machine”, do zero. “Except for loans, party lines, cars and cereals, we see a world on fire”, canta o vocalista Jocke Lundholm. Passadas mais de três décadas, não foi lá muita coisa que mudou, não é mesmo?

Fazendo valer cada minuto e cada centavo investido, o 220 Volt levou apenas oito dias para gravar as bases, quatro semanas para os overdubs e mais seis dias para retoques finais. Em todo esse período, o clima de relaxamento prevaleceu: a banda se sentia em casa em Nova York, e muito disso se deve à ética de trabalho de Max, que incluía jantares e partidas de hóquei ao passo que também impedia sessões que varassem madrugada adentro. Numa dessas espairecidas, os guitarristas Mats Karlsson e Peter Olander conheceriam David Gilmour, do Pink Floyd, um dos ases supremos das seis cordas.

“Eye to Eye” chegaria aos mercados japonês e norte-americano com capas diferentes, mas com o mesmo repertório. Nele, os destaques vão para “The Harder They Come”, faixa de abertura perfeita que vinha sendo desenvolvida desde 1985 e que permanece até hoje no repertório ao vivo do grupo; as baladas “Love is All You Need” e “Still in Love”, e “Beat of a Heart”, que na condição de primeiro single, evidencia muitíssimo bem o que o quinto álbum trouxe de novo para o som do 220 Volt: um voto de confiança nas mid-tempo e no som limpo de guitarra.

A boa recepção por parte dos especialistas não foi traduzida em vendas expressivas, e o 220 Volt acabaria se separando em maio de 1992, colocando o que foi por dez anos um ponto final em sua trajetória de sonhos, esperanças e incontáveis sacrifícios para fazer acontecer. A retomada oficial das atividades seria anunciada em 2002, com o lançamento da compilação “Volume 1”, e de lá para cá, o grupo, apesar das inúmeras mudanças na formação, segue vivo, sempre sob a batuta de Karlsson.

Marcelo Vieira

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