Velhas Virgens
– “Vocês Não Sabem Como É Bom Aqui Dentro” (1997)
Gabaju Records
Nota: 10
A frase da música do Ultraje a Rigor soa cada vez mais faz atual: “Eu tô sentindo que a galera anda entendiada. Não tô ouvindo nada, não tô dando risada. E aê, qual é? Vamô lá, moçada! Vamô mexe, vamô dá uma agitada!”
Hoje em dia tudo está tão correto, tudo virou mimimi, virou politicamente correto,
é machismo pra cá, feminismo pra lá, o Rock N’ Roll deixou a sacanagem de lado, deixou a zona e foi para o parque ver o sol se por. Mas há 20 anos atrás, o segundo álbum dos paulistas das Velhas Virgens sacudiu o Rock Nacional com letras falando de sexo, zona, cerveja e festas alucinantes, tudo em conjunto a um instrumental cheio de energia.
O álbum se inicia com a ótima faixa título. Um rock simples com a principal característica do grupo, letras com tom de sacanagem. A próxima faixa pode ser considerada um clássico, “Mulher do Diabo”, que contaa com a participação de Roger Moreira (Ultraje a Rigor) contando como uma mulher pode querer mudar um homem de forma hilária.
A terceira música provavelmente é a música mais conhecida e polêmica do grupo. “Abre Essas Pernas” pode, por muitas vezes, parecer machista porém toca no assunto – de forma bem humorada – de que mulher possa ser interesseira e aceite fazer tudo por dinheiro. A saga ‘bebedeira’ se inicia no álbum com “Já Dizia o Raul”, seguindo com “Beijos De Corpos”, essa com a bela participação de Rita Lee, e termina de forma fenomenal em “Uns Drinks” .
O disco continua empolgante com a farra em um excelente blues “Madrugada e Meia”, e na sequência logo aparece homenagem aos casais que gostam de uma brincadeira com os dedos e afins em “Sirica Baby”, onde mais uma vez pode-se chocar os mais puristas. Polêmicas à parte, TODAS as faixas tem o humor engajado mostrando que muitas vezes é preciso levar a vida de modo mais leve, não se levando tudo a ferro e a fogo.
Entre outras músicas que merecem destaque, temos a “quase” séria “Eu Não Quero Mais”, o hino para motociclistas “Selvagens Do Asfalto” e a bela balada “Não Vale Nada”,que conta com trecho de um poema de Augusto dos Anjos.
Pegue as cervejas, compre a carne, chame os amigos(as), comece a festejar a vida (com moderação) ao som de Velhas no máximo e deixe o mimimi e “ismos” para gente ignorante.
William Ribas