La Chinga – “Beyond the Sky” (2018)

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La Chinga “Beyond the Sky” (2018)
Small Stone Records
#HardRock#HeavyRock#PsychodelicRock

Para fãs de: Led ZeppelinZZ TopThe Black Crowes

Nota: 9,5

Toda semana o e-mail do Metal Na Lata é tomado por press-releases de bandas que se autoproclamam ou que se permitem ser comercializadas como a salvação do rock. Em primeiro lugar, o rock não precisa ser salvo, desde que você saiba onde procurar coisas boas para ouvir. Segundo, não é possível que a suposta salvação do rock esteja nas mãos de uma molecada que, muitas vezes, parece apenas seguir a cartilha, tocando os sons de ontem com a tecnologia de hoje; emulando desesperos e um estilo de vida que não condizem com sua realidade; cantando sobre orgias e bebedeiras que só conhecem dos livros e a partir dos discos herdados da coleção de seus pais.

Vira e mexe, porém, também recebemos material de jovens que estão nessa só pela curtição; que não se levam a sério e nem esperam ser levados; que fazem um som na mesma proporção despretensioso e contagiante. É este o caso dos canadenses do La Chinga. Carl Spackler (baixo e vocais), Ben Yardley (guitarra e vocais) e Jason Solyom (bateria) eram três jovens sem rumo quando foram reunidos por forças ocultas em 2012 para que juntos descobrissem o verdadeiro poder do rock. Em sua busca fizeram contato com o que de melhor o rock produziu nos últimos 50 anos e misturaram tudo num panelaço de chá de fita, tornando-se “a irmandade dos bons momentos” (ou “o champagne das bandas de rock”). Vai entender essa molecada…

O resultado? Um som que sem dúvida tende ao Stoner Rock, mas cujas incursões meio Acid Rock meio Country Rock e improvisações dignas de quem idolatra Warren Haynes parecem erguer um baita dedo do meio e uma hashtag #chupa para os ouvintes que pensavam estar diante de mais uma banda que quer ser o Black Sabbath desta geração. Aliás, se pensarmos que “vete a la chingada” é o equivalente em espanhol a mandar alguém tomar onde o sol não bate, a imagem do trio mandando aquele “se fode aí, otário” adquire mais sentido e graça. Rock e diversão, quer combinação melhor? (“Putaria, talvez?”, diria o já saudoso Mr. Catra).

No repertório, vale destacar “Keep on Rollin'” (espécie de Cinderella de soja – repare nos vocais ultra-nasalados) e “Feel It in My Bones”, prima que mora lá em Piracicaba de “Adam’s Apple” do Aerosmith. Sem contar “Wings of Fire”, forte candidata ao top 10 de canções lançadas em 2018; “Mama Boogie”, cujo final viajandão deixaria a patrulha anti-drogas de orelha em pé e “H.O.W.”, que começa tirando sarro de “Eruption” do Van Halen antes de se tornar coisa que os BulletBoys em sua fase mais zoeira não pensariam duas vezes em gravar.

Marcelo Vieira

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