Entrevista exclusiva com Shucky Miranda e banda (Skin Culture)

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2018 está sendo um ano de renascimento para o Skin Culture. Depois de dois anos no estaleiro a banda  conseguiu firmar uma formação, está com um novo álbum na manga e voltou a rotina de shows, tendo inclusive feito uma bem sucedida turnê na Argentina. E é neste momento pós-turbulência que nos encontramos novamente com o vocalista Shucky Miranda e banda para sabermos de seus planos com “Lazarus Eclipse”, o aguardado novo disco, e a repercussão da excursão feita na terra de nossos hermanos argentinos.

Por Márllon Matos
Edição e diagramação: Johnny Z.

Fotos gentilmente cedidas pela banda

Metal Na Lata: Para o Skin Culture, o ano de 2018 começou no dia 07 de janeiro com o lançamento do single “Selfie Kill”. Foi uma estratégia para mostrar a todos de que, finalmente a banda tinha contornado os seus problemas e estava “de volta ao ringue”?

Shucky Miranda: Como já diz o ditado a males que vem pra bem. Quando se está em um projeto cercado de pessoas que não vestem a mesma camisa que você, é certo que uma hora a coisa irá descambar, mas no final tudo tem seu porque e as vezes é preciso cometer alguns erros pra poder identificar quem são as pessoas que estão do nosso lado, pois é quando a merda acontece que saberemos de verdade quem é seu parceiro e quem não é. Hoje aprendi a separar negócio com amizade, esse foi meu maior erro com aquela formação. O bom é que agora cada lado  pode trabalhar da maneira que acha que é certo. A verdade é que não existe quem está errado e sim, lados opostos. O single “Selflie Kill” relata muito bem esse confronto interior de egos e razão.

Metal Na Lata: É sabido que o Skin Culture é um projeto solo e que músicos podem ir e vir na formação, mas o que você tem a nos dizer sobre os atuais integrantes da banda? O que de novo eles tem trazido para agregar ao legado do Skin Culture?

Shucky Miranda: Acho que com a nova formação o principal é a experiência de estrada. o Rafael Ferreira é baterista do Dark Avenger e vive de musica, o guitarrista Igor Henrique também vive de musica e foi indicado pelo ex baterista do Skin Culture Marcus Dotta, e o baixista Gabriel Morata é publicitário. São pessoas que entendem suas obrigações dentro da banda. É muito diferente você tocar com “amigos” que quando chegam as contas da banda e você os precisa cobrar, eles acham que você está querendo os extorquir. É o que faz diferença entre uma banda profissional e uma banda entre amigos.

Metal Na Lata: “Selfie Kill” repete a parceria certeira feita com o produtor Michel Oliveira feita em “Murdernation” (2015). Sendo Michel um músico com um grande ‘know how’ sobre estilos mais modernos do metal, como é trabalhar junto ao mesmo e como isso se tornou benéfico ao Skin Culture na hora de misturar as influências da velha e da nova escola do som pesado?

Gabriel Morata: Eu conheci o Michel durante o processo de criação de “Selfie Kill”, e definitivamente em time que está ganhando não se mexe. Eu diria que o Michel é um quinto músico e elemento chave para a sonoridade do Skin Culture. Seria impossível a banda alcançar  esse tipo de sonoridade nas mãos de outros produtores que não conhecem a fundo esse estilo de musica com afinação extremamente baixa e modernas.

Metal Na Lata: Em agosto deste ano a banda fez uma série de shows na Argentina, sendo a maior turnê internacional da carreira. Como surgiu essa oportunidade de mostrar esse “novo” Skin Culture, visto que fazia um bom tempo que a banda não se apresentava pro aqueles lados?

Rafael Ferreira: Essa não foi a maior turnê que o Skin Culture já fez, inclusive a banda teve na argentina em outras ocasiões com o Sepultura no Monsters Of Metal em 2007 e em uma tour “do it yourself” como essa em 2010 e em 2012 com o Soulfly na maior casa de shows de Buenos Aires que é o El Teatro Flores. A diferença é que o Shucky tem os contatos com as pessoas certas para viabilizar uma tour como essa. É praticamente impossível uma banda independente sair para outros países e fazer a quantidade de shows que o Skin Culture fez na Argentina, principalmente tocando em eventos ao lado das maiores bandas do país como é o nosso caso. Impressionante como todos conhecem o Shucky e o Skin Culture, foi uma experiência única pra mim que sei como é estar em tour na Europa, por exemplo.

Metal Na Lata: Quais foram os momentos mais marcantes, positivos e negativos, dessa série de shows?

Igor Henrique: Essa foi minha primeira turnê internacional, e como sou um músico de workshops, essa foi minha primeira experiência como membro de uma banda que de certa forma já tem prestigio lá fora. Tudo está sendo uma escola, estamos muito entrosados profissionalmente, cada um aqui exerce seu papel ao máximo para que a banda cresça como deve ser. O Shucky é o homem dos negócios, o Gabriel na retaguarda e eu e o Rafael somamos com algumas ideias, mas sempre respeitando a normas da casa.De negativo acho que só o susto que levamos com o Shucky na primeira noite que chegamos. Estávamos no Hard Rock Café quando recebemos uma mensagem dizendo que o Shucky foi parar no hospital pra fazer lavagem, porque entrou uma barata no seu ouvido e que ele poderia ter morrido (risos).

Metal Na Lata: Muito se fala que a rivalidade “Brasil x Argentina” é algo que ficou no nosso inconsciente mais por conta do futebol mesmo. Depois de tantos dias por lá, o que tem a nos falar sobre a receptividade do povo e do público argentino aos membros e ao som do Skin Culture?

Gabriel Morata: As pessoas sempre estavam nos perguntando Pelé ou Maradona, e como não queríamos entrar nessa briga, o Shucky adotou uma resposta bem simples que inclusive deixava todos surpresos. “ Ninguno de los dos, son dos putos” (risos). Fomos tratados como uma banda grande de verdade, todos sempre pedindo fotos e autógrafos, e os promotores de cada show sempre preocupados em nos agradar a qualquer custo.,O que mais nos chamou a atenção é o fato do valor que eles dão para as bandas autorais, lá não rola cover em lugar nenhum. Estamos realmente felizes e seguramente iremos voltar para fazer coisas ainda maiores em 2019.

Metal Na Lata: De volta ao Brasil, é de se pensar que a banda irá dar prosseguimento na produção de “Lazarus Eclipse”. A quanto anda esse desenvolvimento e o que nos é possível adiantar sobre o trabalho?

Rafael Ferreira: Além da “Selfie Kill” que já temos lançada, o Shucky já tinha na manga 2 musicas guardadas. Pretendemos seguir trabalhando no álbum e esperamos lançar no inicio de 2019. Estamos muito entusiasmados e queremos lançar um álbum bem diferente do “Murdernation”, explorar ainda mais o que cada músico pode oferecer para o Skin Culture além de outras sonoridades, timbragens e experimentos.

Igor Henrique: Mas não estamos desesperados, queremos fazer algo realmente pensado e com muita qualidade para que o fã da musica pesada se identifique com o Skin Culture.

Metal Na Lata: O clipe de “Selfie Kill” esta prestes a ser lançado (na verdade, você pode conferi-lo em primeira mão ao final desta entrevista) e pelo que já vimos através de algumas fotos e imagens de bastidores, haverá a presença de uma lutadora profissional de MMA. Qual é o conceito do clipe em um todo e como foi o contato com a lutadora? Ela tem algum envolvimento com o som pesado?

Shucky Miranda: A música “Selfie Kill” (Matança de Egoísmo) é uma música que fala sobre você lutar contra os seus próprios demônios. Ao assistir o clipe você vai perceber que todos estamos vendados, com frases destrutivas estampado nas vendas, inclusive a lutadora Kalindra Faria é uma lutadora de UFC que vive aqui em nossa cidade, então o nosso baixista Gabriel Morata veio com a ideia dela ser a protagonista da história do filme. Independente do gosto musical dela, achamos que ter alguém que lida diariamente com os desafios de vencer seu oponente, seria ideal para lutar contra si mesmo.

Metal Na Lata: Depois de um 2018 até bem movimentado, o que o Skin Culture tem preparado para seus fãs em 2019 além do novo álbum?

Shucky Miranda: Em setembro o Skin Culture fez 09 shows muito bem sucedidos na Argentina. Em 2019 pretendemos recuperar o tempo que a banda perdeu de 2015 a 2018, e cair na estrada que é o lugar que toda banda tem que estar. Janeiro estaremos finalizando o novo álbum “Lazarus Eclipse”, para fevereiro devemos voltar aos palcos já de cara junto com o Ektomorf da Hungria em alguns shows no Brasil e claro se focar em buscar o máximo de shows que pudermos dentro e fora do país.

Metal Na Lata: Shucky, como o único integrante presente em todos os lançamentos, gostaria que fizesse um breve comentário sobre cada item da discografia do Skin Culture.

Shucky Miranda: O “Humangedom” foi um álbum sem grandes pretensões, queríamos apenas fazer um som que cada um de nós  curtimos na época.  Sepultura, Korn, Biohazard, Stuck Mojo etc. Já com o “The Earth Spits” a banda estava mais estável, madura; Então eu quis resgatar a sonoridade dos anos 90, crua e raivosa de bandas como Soulfly e Soilwork , inclusive contamos com a participação do Glenny Telford do Skinlab nas guitarras do álbum. “The Flame Still Burns Strong” a banda já contava com nova formação , novas ideias. Como nunca fomos uma banda virtuosa , decidi investir numa sonoridade mais extrema, pesada, com afinação muito mais baixas a exemplo de bandas como Meshuggah, e confesso que ficou interessante. Com o “Murdernation” já estávamos acostumados com os timbres baixíssimos, foi um pouco mais fácil, pois eu já tinha na mente o que eu queria desse álbum, Moderno e violento, essa é a definição perfeito desse álbum. Já em “Lazarus Eclipse”, bom, vocês vão se surpreender eu garanto (risos).

Metal Na Lata: Obrigado pela oportunidade. Fique a vontade de fazer as suas considerações finais.

Shucky Miranda: Mais uma vez, obrigado ao Márllon Matos e a Metal Na Lata pela oportunidade e apoio de sempre.

 

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