Testament – “Titans Of Creation” (2020)

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Testament – “Titans Of Creation” (2020)
Nuclear Blast | Shinigami Records

#ThrashMetal
Para fãs de: Exodus, Exhorder, Megadeth, Death Angel

Nota: 9,5

Ah, o meu querido Thrash Metal! Sempre fascinante, pelo menos para mim. Sou um fã fervoroso desse estilo desde os primórdios e a cada lançamento novo de baluartes do segmento me remetem muito a minha adolescência, onde eu vivia intensamente esse estilo com direito a tênis cano alto, jaqueta cheia de patches e etc. Aquela época não volta mais, mas é errado acharmos que presta somente o que foi criado lá no passado. Atualmente, além de bandas novas que resgatam com afinco o estilo, temos os gigante Testament, Exodus, Megadeth, Anthrax, Slayer, por exemplo, que nunca fugiram de suas raízes e sempre nos abasteceram com grandes trabalhos. Tudo bem que, em alguns casos, deram algumas pequenas escorregadas, mas jamais decepcionaram. São humanos como todos nós, certo?

Pois bem, “Titans Of Creation”, 13º álbum de estúdio do quinteto chega numa fase em que o mundo foi assolado por uma pandemia de coronavírus, onde os nervos, preocupações, medos e incertezas são as únicas coisas que pensamos 24hs por dia em quarentena. Inclusive até Chuck Billy (vocal) e Steve Di’Giorgio (baixo) contraíram a doença e estão se tratando. Mas a arte em forma de música é capaz até de espantar por completo esses pensamentos de nossas mentes pelo menos por um tempo. E esse novo álbum conseguiu com maestria isso!

Lembram do álbum “Low”, de 1994, onde dele em diante a banda, mesmo desfalcada da formação clássica, começou a mergulhar de cabeça no peso e na agressividade além do que vinham fazendo até então? Então, desse álbum em diante temos um Testament revigorado, mais agressivo e muitíssimo melhor produzido. Qual o motivo de eu citar o excelente “Low”? Simples, muitas coisas presentes em “Titans Of Creation” parecem que foram criadas para aquele álbum ou são sobras do mesmo. Muitas melodias, levadas, refrões e até riffs são não só parecidos como, também, aquela vibe foi totalmente emulada, logicamente com o advento da modernidade da produção à cargo de Juan Urteaga e mixagem de Andy Sneap, unidos de forma com que a audição seja uma extensão mais bem trabalhada, brutal, criativa e empolgante do que a banda fez no álbum anterior, o “Brotherhood Of The Snake”, que a meu ver é apenas um bom disco.

Falar do quinteto individualmente é totalmente desnecessário, pois os caras são verdadeiras máquinas e ases no que fazem, um verdadeiro time dos sonhos do Thrash Metal mundial, e agora provam (como se eles precisassem) que além de tudo são excelentes compositores que trabalham juntos desde a criação das músicas até a última gota de suor que cai no palco!

O peso descomunal da guitarra e a capacidade de criar riffs monstruosos de Eric Peterson, como eu já falei diversas vezes por aí, é algo que deveria ser estudado e condecorado como patrimônio da humanidade. O que esse cara faz é alienígena!

Um disco capaz de mostrar a todos os cabeças duras e fechadas que o Thrash não é só barulho, rapidez ou sujeira tipicamente anos 80, pois temos aqui muita melodia e influências até de Hard Rock e Death/Black Metal em algumas partes, camadas e camadas de vozes. Um bom exemplo disso são faixas como “The Healers” e na porradaria “Curse Of Osiris”, uma das melhores do álbum e repleta de vocais Black Metal por Eric Peterson, respectivamente. Aliás, em “Night Of The Witch”, ele solta também sua voz demoníaca e esganiçada como faz em seu projeto Black Metal, Dragonlord, e cá entre nós, caiu como uma luva no Testament! Coisas que só os grandes conseguem com maestria sem descaracterizar o seu som.

Não esperem aqui nada calmo ou baladas, o disco todo é calcado no peso, na “grosseria” e na porradaria, sendo que todas as faixas são verdadeiras odes a destruição em massa conduzidas pela rifferama de Eric!

“Children Of The Next Level” e “Night Of The Witch”, primeiros singles lançados unidas a bem old school “False Prophet”, nos remetem a faixas como “Disciples Of The Watch”, de “The New Order” (1988), “Dream Deceiver” à algo mais do “The Ritual” (1992) por conta das melodias mais grudentas, “Ishtars Gate”, “City Of Angels” e “Code Of Hammurabi”, munidas de seus excelentes trabalhos de baixo fretless pelo mestre Di’Giorgio, me lembraram coisas como “True Believer”, de The Gathering” (1999) e a intrincada “Symptoms”, volta-nos a lembrar de “Low” devido aos vocais ora agressivos beirando o Death Metal ora mais sujos e soltos de Chuck, sem contar a quebradeira do monstro Gene Hoglan e aos riffs atípicos bem sinistros. Quer mais? Ok! Tudo isso com solos sobre-humanos de Alex Skolnick, que mesmo não tão em evidência nesse disco, mostram uma qualidade incrível.

Alguns detalhes são impossíveis de não serem citados, como, por exemplo, não lembrar da melodia de “He’s a Woman, She’s a Man”, do Scorpions, na excelente e bem groovada “Dream Deceiver” e no riff de guitarra brutal em “Catacombs”, que está sendo usada atualmente como introdução em seus shows, ser o mesmo de “Legions (In Hiding) do já citado “Low”. Não faça “mimimi” e nem pense em alfinetar esses caras, pois eles podem fazer isso e você deve, além de reverenciá-los, ficar é calado!

Johnny Z.

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