Venom – “The Waste Lands” (1992) (Relançamento 2024)

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Venom – “The Waste Lands” (1992)
(Relançamento 2024)

Under One Flag | Dynamo Records | Classic Metal Records
#HeavyMetal #SpeedMetal #ThrashMetal

Para fãs de: Onslaught, Raven, Exciter, Sabbat, Tank, Holy Moses

Texto por Johnny Z.

Nota: 7,5

The Waste Lands pode até não figurar entre os álbuns mais lembrados do Venom, até mesmo da fase com o grande Tony ‘Demolition’ Man, mas sem dúvida é um trabalho subestimado e que merece muito mais reconhecimento do que costuma receber. Esse álbum representa o último capítulo da fase com Dolan à frente dos vocais e do baixo – e, honestamente, é o mais maduro dessa fase. Não confunda com “ser o melhor”, são coisas diferentes.

Logo na faixa de abertura, “Cursed”, já se nota uma mudança de atmosfera: a introdução com teclados orientais e samples sombrios cria um clima denso e quase cinematográfico, que destoa do caos direto dos primeiros discos da banda, mas não o abandona totalmente. A presença de efeitos e dos teclados ajuda a trazer esse toque experimental, sutil mas marcante, que contribui para o clima único do álbum. Para mim, foi o primeiro indício de que The Waste Lands não se tratava apenas de um “mais do mesmo”.

A produção, aliás, é um ponto fortíssimo aqui. A sonoridade é pesada, sim, mas ao mesmo tempo muito mais clara e definida do que em trabalhos anteriores com Dolan. As guitarras de Mantas estão afiadas, com riffs bem delineados e solos cheios de energia. Já a bateria de Abaddon, muitas vezes criticado por suas limitações técnicas, aqui soa mais segura e agressiva – talvez seu melhor desempenho em estúdio, na minha opinião.

É interessante notar como o álbum se equilibra entre um thrash metal ríspido e momentos mais tradicionais, com aquela veia clássica do heavy/speed britânico. Faixas como “Black Legions”, “I’m Paralysed” e “Riddle of Steel” são verdadeiros petardos: rápidas, diretas, com refrãos fortes e riffs que grudam na cabeça. Há nas 10 fixas do álbum uma vibração que faz você querer levantar da cadeira e banguear até o pescoço travar, mesmo com todos os indícios citados anteriormente, que prefiro falar ‘evolução’.

“Kissing the Beast” e “Wolverine” também se destacam por resgatarem a pegada mais crua e satânica do Venom oitentista, mas com roupagem noventista, ou seja, mais polida e compacta. Já a faixa “Clarisse”, inspirada em O Silêncio dos Inocentes, fecha o disco de forma sombria e teatral – um final ousado e muito bem construído, que mostra como a banda ainda tinha criatividade de sobra para explorar atmosferas distintas sem perder sua identidade.

Muita gente torce o nariz para esse álbum simplesmente por não ter o Cronos nos vocais – da mesma forma que os dois anteriores – mas isso me parece uma limitação mais emocional do que musical. Dolan entrega aqui sua performance mais sólida e convincente, com um vocal rouco, raivoso e extremamente eficaz para a proposta.

Sem sombra de dúvidas, The Waste Lands envelheceu bem melhor do que se esperava e que, com o tempo, foi ganhando status de “cult classic” dentro da discografia da banda. É um clássico? Não. Vai se tornar um? Também não, mas é inegável que tenha muita qualidade, refinamento e bom gosto. É claro que ele não tem a mesma influência dos álbuns clássicos do início da carreira Black Metal ou Welcome to Hell, mas quem ouvir sem preconceito vai encontrar aqui um Venom renovado, técnico, ainda raivoso e criativamente ousado. Para mim, The Waste Lands é um daqueles discos que, quanto mais você escuta, mais valor encontra — e mais injusta parece a sua pouca repercussão.

Mais um excelente relançamento pela Dynamo Records e Classic Metal Records, que está trazendo aos fãs brasileiros toda a discografia da banda que nunca havia sido lançada em nossas terras antes! Compre já!

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