Suffocation – “Blood Oath” (2009)
(Relançamento 2025)
Nuclear Blast | Shinigami Records
#BrutalDeathMetal
Para fãs de: Immolation, Morbid Angel, Disgorge
Texto por Matheus “Mu” Silva
Nota: 9,0
Seguindo com a série de relançamentos, a Shinigami Records trouxe desta vez o sexto disco de estúdio do Suffocation, Blood Oath (2009). Este álbum se tornou um divisor de águas na carreira da banda, pois foi o último a contar com o revolucionário baterista Mike Smith. Na época, o disco ganhou apenas uma prensagem nacional pela Mutilation, tornando-se item raro. Agora, 16 anos depois, recebe um merecido relançamento, enriquecendo a coleção dos fãs mais fervorosos.
Formado em 1988 em Long Island, NY, o Suffocation ajudou a redefinir o Death Metal ao incorporar blast beats brutais e coesos, riffs técnicos e o gutural mais cavernoso — técnica da qual seu vocalista Frank Mullen foi um dos pioneiros e que mudou para sempre a forma de se desenvolver o estilo. Clássicos eternos como Effigy of the Forgotten (1991), Breeding the Spawn (1993) e o absoluto Pierced from Within (1995) elevaram o gênero a outro patamar e, ao longo de mais de 30 anos, consolidaram uma reputação musical impecável e admirável.
A faixa-título, Blood Oath, já dispara uma metralhadora de bumbos duplos e riffs pesadíssimos, deixando claro que o que está por vir é destruidor — algo quase redundante ao se falar de Suffocation. Revisitá-la hoje é um verdadeiro passeio no tempo, já que ouvi esse disco dezenas de vezes quando foi lançado. Dismal Dream traz um trabalho soberbo do baixista Derek Boyer, enquanto Pray for Forgiveness começa com um groove técnico de Mike Smith na bateria, conduzindo uma cadência absurdamente pesada. A sequência, Images of Purgatory, mantém a intensidade, com Terrance Hobbs e Guy Marchais esbanjando técnica e precisão em um trecho banger simplesmente matador. Tudo culmina em Cataclysmic Purification — que ganhou videoclipe na época e é a melhor faixa do disco. Aqui estão todos os elementos que consagraram a banda: groove devastador, cadências técnicas e o gutural esmagador de Frank antes do breakdown… algo arrebatador, sem dúvida uma das melhores músicas de toda a carreira do Suffocation.
A segunda metade do álbum mantém a intensidade, com Mental Hemorrhage e Come Hell or High Priest entregando momentos brutais, impiedosos e massacrantes. Undeserving, com sua pegada torta e breakdown absurdamente pesado, também se destaca, enquanto as derradeiras Provoking the Disturbed e Marital Decimation podem acrescentar menos ao resultado final, mas impressionam pelo nível técnico e pela coerência dentro da obra.
Blood Oath é um excelente álbum: todos os instrumentos estão perfeitamente audíveis, cada um com o devido destaque na mixagem final. Por ser o último registro com Mike Smith — figura fundamental para a evolução da bateria no gênero —, o disco se torna um marco positivo e histórico na trajetória do Suffocation. Sua primeira metade por si só já valeria a audição completa, mas a uniformidade da obra o consagra como um clássico contemporâneo da banda.