Ranking de Álbuns: EXODUS

Exodus - Ranking Álbuns
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Ranking de Álbuns: EXODUS

A Livinstage e a CKConcerts, com apoio da Roadie Crew e Honorsounds, preparam para São Paulo um momento histórico para os fãs de thrash metal: o Exodus tocará integralmente o lendário álbum Bonded by Blood em celebração aos 40 anos de sua existência. O espetáculo acontecerá no dia 9 de outubro de 2025, no icônico Carioca Club, e promete ser mais do que um show — uma verdadeira peregrinação sonora aos primórdios de um gênero que a banda ajudou a definir. Com Rob Dukes novamente nos vocais após seu retorno em 2025, Gary Holt (guitarra) e Tom Hunting (bateria) formando o núcleo da banda, junto a Jack Gibson (baixo) e Lee Altus (guitarra), a apresentação deve entregar intensidade, técnica e energia que transcendem qualquer nostalgia.

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Se existe uma banda que ajudou a definir a fúria do Thrash Metal, essa banda é o Exodus! Desde o início dos anos 80, Gary Holt e companhia despejam riffs cortantes, baterias insanas e letras carregadas de atitude, agressividade e brutalidade ímpares.

Formada em 1979, em Richmond, Califórnia, EUA, o Exodus é considerada uma das pioneiras do gênero, ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax, influenciando inúmeras bandas e gerações com seu som veloz e agressivo. Seu álbum de estreia, Bonded by Blood (1985), tornou-se um clássico do thrash, marcado pela intensidade e pelas letras violentas. Ao longo dos anos, a banda passou por diversas mudanças de formação, mas Gary Holt se consolidou como a principal força criativa. Mesmo após décadas na estrada, o Exodus continua ativo, lançando discos aclamados e mantendo-se fiel às raízes do thrash metal.

Em mais de quatro décadas de carreira, o Exodus se consolidou como uma das forças mais brutais e influentes do Thrash Metal mundial. Sua discografia alterna clássicos intocáveis, experimentações ousadas e retornos vigorosos, mas cada álbum carrega uma marca registrada: velocidade, técnica, fúria e, acima de tudo, autenticidade. Desde o estrondo inicial de Bonded by Blood até a visceralidade afiada de Persona Non Grata, a banda não apenas definiu padrões para o thrash, como também se reinventou sem perder sua essência.

Nesta matéria, mergulhamos em cada álbum do Exodus, analisando sua relevância histórica, musical e emocional, destacando tanto os clássicos imortais quanto as pérolas menos lembradas que merecem atenção. Prepare-se para riffs incendiários, baterias devastadoras e vocais caóticos em uma jornada pelo legado de uma das bandas mais essenciais do metal.

E agora, sem mais delongas, é hora de conferir o ranking pessoal de Johnny Z. (Redator-Chefe), que destaca os álbuns que marcaram a história do Exodus de forma inesquecível. Da fúria intransigente dos clássicos às surpresas menos conhecidas, cada escolha reflete riffs memoráveis, solos afiados e momentos que definiram a trajetória da banda. Prepare-se para (re)viver o thrash metal em sua forma mais pura.

Atual formação | Foto por Lisa Holt Photography

1º BONDED BY BLOOD (1985) | LET THERE BE BLOOD (2008)
Sim, os dois álbuns estão na primeira posição por razões óbvias

“BONDED BY BLOOD” (1985)

O álbum de estreia da banda é um dos pilares fundamentais do Thrash Metal mundial, tanto que, de 10 bandas do estilo, 11 o definem como principal influência. Por mais que se fale de “Show No Mercy” (Slayer) e “Kill ‘Em All” (Metallica), também suprassumos inegáveis do estilo, “Bonded By Blood” – na minha humilde opinião – é o que realmente moldou toda a cena thrasher. Se não tivesse atrasado seu lançamento por conta de questões logísticas (leia-se hesitação da gravadora na época, temendo a recepção de um material extremo) e, principalmente, pelos problemas pessoais (que todos sabem quais foram) que o mestre do caos Paul Baloff (vocal) enfrentava constantemente, o álbum teria sido lançado antes de 1984 e estaria no mesmo panteão de ‘criador’ do Thrash.

Afora isso, nada impediu o impacto destruidor e avassalador do material, que transmite fúria crua, violência, agressividade e certas doses de Heavy Metal aqui e ali, mas de maneira inédita por ser muito mais brutal, precisa e impactante. Tudo soa redondinho, desde os riffs frenéticos e solos descomunais de Gary Holt e Rick Hunolt (talvez a dupla mais coesa das seis cordas do Thrash Metal, só fazendo frente a Kerry King e Jeff Hanneman, do Slayer), à bateria como um rolo compressor de Tom Hunting (um dos melhores bateristas do estilo), o baixo coeso de Rob McKillop e, logicamente, as interpretações agressivas e indomáveis de Paul Baloff.

Somadas a faixas que foram – e sempre serão – hinos de agressividade eternamente juvenil, como “Bonded By Blood”, “A Lesson In Violence”, “Strike Of The Beast”, “And Then There Were None”, “Deliver Us To Evil” e “Piranha”, estas fazem deste álbum a cartilha do Thrash Metal até hoje. Mesmo com todas as mudanças de formação, ele se mantém de forma apoteótica, brutal e inigualável, como um soco na cara seguido de nocaute. Vale citar também as letras, que encapsulavam a essência do estilo, com a caça aos ‘posers’, a união dos headbangers, o mal contra o bem e o caos desenfreado como seus lemas principais.

Um disco essencial para qualquer fã do estilo, imortalizado na história da música pesada e que deve ser ouvido até a exaustão (que – ainda bem – nunca chega!). Se você, caro leitor, tiver a heresia de dizer que escuta uma ou outra faixa desse disco sem ouvir o trabalho como um todo SEMPRE, pare por aqui, pois você definitivamente não é do “rolê” – e sabemos claramente do que você gosta (risos).

“LET THERE BE BLOOD” (2008)

Esse álbum é praticamente um abraço do Exodus em sua própria história. Lançado em 2008, o álbum nasce da ideia de revisitar o clássico “Bonded by Blood”, de 1985, e dar a ele uma roupagem moderna, sem perder a agressividade que fez do original um marco do thrash metal. É como se a banda pegasse suas músicas mais lendárias, limpasse a poeira do tempo e mostrasse que elas ainda soam cruéis, rápidas e afiadas nos moldes de hoje.

Aqui, Rob Dukes assume os vocais com uma energia quase visceral, trazendo uma força diferente da Paul Baloff, mas igualmente intensa. Nas guitarras, Gary Holt e Lee Altus mostram porque o Exodus sempre foi referência no gênero: riffs cortantes, solos precisos e aquela sensação de que cada nota explode na cara de quem ouve. Jack Gibson no baixo e Tom Hunting na bateria completam a máquina, entregando uma base sólida e pulsante que mantém a velocidade e a brutalidade intactas.

A produção, também assinada por Andy Sneap, é outro ponto alto. Diferente do som cru do álbum original, Sneap trouxe clareza, peso e uma modernidade brutal dissonante, equilibrando tudo de forma que cada instrumento se destaque. Você consegue ouvir nuances de guitarra, linhas de baixo e batidas de bateria que antes se perdiam, e mesmo assim o álbum mantém aquela sensação de urgência e fúria do thrash.

O som de “Let There Be Blood” é direto, pesado e atual, mas fiel à essência do Exodus. Faixas como “Bonded by Blood”, “Exodus” e “A Lesson in Violence” parecem ainda mais afiadas, como se a banda tivesse encontrado um novo fôlego para revisitar suas próprias raízes. E é curioso pensar que, embora a ideia de refazer o álbum clássico tenha gerado desconfiança entre os fãs, o resultado mostra respeito total pelo material original, sem soar como cópia: é uma releitura feita por quem entende profundamente de thrash. Para muitos, ouvir e gostar desse trabalho não é afrontar ou blasfemar o original, mas sim questão de preferência em termos de qualidade de som, não optar entre um ou outro, pois o original é indiscutivelmente soberbo e essencial.

“Let There Be Blood” além de ser uma homenagem, é uma prova de que o Exodus continua afiado, capaz de pegar suas próprias histórias e fazer com que elas soem tão intensas hoje quanto há mais de 20 anos. Para quem gosta de thrash metal cru, rápido e impiedoso, é um álbum que não decepciona — e que mostra que o passado do Exodus ainda tem muito peso no presente. Sem querer parecer desrespeitoso, mas hoje eu, Johnny, acabo curtindo mais este do que o original (risos). Me julguem à vontade (risos).

2º “TEMPO OF THE DAMNED” (2004)

Lançado em 2004, “Tempo of the Damned” marcou o retorno triunfante do Exodus após a tentativa de volta com Paul Baloff, que resultou no fabuloso álbum ao vivo “Another Lesson in Violence” (1997), mas que foi interrompida pelo falecimento do vocalista em 2002. Com o retorno mais do que acertado de Steve “Zetro” Souza, o Exodus entregou um trabalho que se consolidou como um dos grandes recomeços da história do thrash metal. Sem sombra de dúvidas, é um disco que conseguiu a proeza de soar tão intenso e furioso quanto os clássicos dos anos 80, mas com um acabamento moderno que potencializou ainda mais a brutalidade.

Steve “Zetro” Souza ressurge com uma entrega diferente: mais grave, mais controlado e sem exagerar nos agudos como fazia em trabalhos anteriores, mas ainda mantendo aquele timbre cortante que impulsiona as músicas com agressividade. As guitarras de Gary Holt e Rick Hunolt são um espetáculo à parte — riffs pesados, melódicos na medida e cheios de groove, sempre entrelaçados por solos afiados que servem à música. A bateria de Tom Hunting soa explosiva e precisa, enquanto o baixo de Jack Gibson sustenta a base com um peso marcante. Até aqui, pode parecer a descrição padrão de um bom disco de thrash, certo? Errado. Multiplique tudo isso por dez, volte a ouvir o álbum e perceba as diferenças em relação aos trabalhos anteriores. É impossível não notar como a produção de Andy Sneap elevou o som: clara, poderosa e ao mesmo tempo bruta e robusta, dando destaque impressionante a cada instrumento.

Essa combinação de técnica e espontaneidade tem muito a ver com a forma como o álbum foi concebido: gravado em um período curto, logo após a reunião da banda, o que trouxe uma energia crua, quase urgente. Esse frescor se reflete em cada faixa. A abertura, “Scar Spangled Banner”, já chega como um soco, com crítica mordaz embalada em riffs quase perfeitos. “Blacklist” é venenosa, com energia pulsante e letras afiadas, tipicamente voltadas para rifferama. “War Is My Shepherd” é thrash puro na sua forma mais feroz — rápida, pesada e com um refrão grudento que se tornou favorito dos fãs. “Throwing Down” mostra como o Exodus sabe dosar brutalidade, melodia e impacto com modernidade.

Outras faixas que se destacam pelo peso descomunal e pelas construções caóticas incluem “Sealed With a Fist”, que atinge o ouvinte como uma verdadeira martelada, a faixa-título “Tempo of the Damned”, mais progressiva e claustrofóbica, a regravação de “Impaler” — composta por Kirk Hammett na época em que esteve na banda e originalmente não usada em “Bonded by Blood” (vale destacar que seu riff acabou em “Trapped Under Ice”, do Metallica, no “Ride the Lightning”, de 1984) — e o soberbo cover de “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, do AC/DC, que se encaixa perfeitamente no som pesado do Exodus e nos vocais de Zetro, grande fã da banda.

Outra curiosidade é a capa assinada por Ed Repka, clássico artista do thrash, que traduz em imagens as temáticas de destruição e caos que permeiam as letras. O álbum, aliás, não se limita apenas a atacar com riffs: suas letras abordam desde críticas sociais até reflexões sobre a vida e a morte, sempre com a ironia ácida típica do Exodus.

O mais fascinante em “Tempo of the Damned” é a sensação de que a banda não apenas voltou, mas voltou melhor. Esse disco inaugura uma fase em que o Exodus só lança pedradas, um álbum mais pesado e inspirado que o outro — um contraste enorme com bandas gigantes que, no mesmo período, pareciam perder força e vergonha na cara a cada lançamento. Aqui, pelo contrário, o Exodus soa faminto, confiante e moderno, sem abrir mão das raízes.

A verdade é que “Tempo of the Damned” é invejável: pesado, veloz, cheio de groove e de energia erótica em cada batida de bateria e linha de baixo. É o tipo de disco que faz você voltar a faixas só para apreciar melhor os detalhes. Para quem gosta de thrash metal, é simplesmente imperdível — um álbum que reafirma a relevância do Exodus e prova que eles ainda tinham (e têm) muito a dizer.

3º “IMPACT IS IMMINENT” (1990)

Aqui foi onde tudo começou para este que vos escreve. Foi graças a “Toxic Waltz” que conheci o Exodus, através do videoclipe que passou no saudoso programa Clip Trip, na Rede Gazeta, em São Paulo. Foi paixão à primeira ouvida. Saí correndo para uma loja de discos na época para comprar o tal álbum, mas só havia “Impact Is Imminent”, e ainda por cima importado. Como eu não tinha prestado atenção ao nome da música do videoclipe, jurava – aos meus 13 anos – que o primeiro disco que eu comprasse teria a faixa por ser ‘nova’. Me enganei. Obviamente, não tinha, pois era de um álbum anterior, mas ali minha paixão pela banda foi às alturas.

O quarto álbum de estúdio do Exodus marca um momento em que a banda buscava se manter no pique e na relevância alcançados com “Fabulous Disaster”, mas, em meio às mudanças no cenário do thrash metal mundial nos anos 90, parece que patinou – não por culpa dela, mas sim do mundo. Embora, infelizmente, não seja tão lembrado quanto seus antecessores (não é o meu caso), o álbum destaca a agressividade e a complexidade instrumental do grupo, mantendo sua essência feroz, explorando uma abordagem ainda mais brutal e pesada.

Com uma produção mais encorpada e recheada, as composições soam mais elaboradas e ‘gordas’, fazendo com que “Impact Is Imminent” transborde energia e riffs extremamente marcantes e diretos, graças à produção robusta do H-Team (Gary Holt e Rick Hunolt). A única mudança aqui foi a entrada de John Tempesta no lugar de Tom Hunting, que passava por problemas pessoais, mas, em se tratando de execução, Tempesta foi também um arregaço.

“Impact Is Imminent” não tem absolutamente nada fora do lugar, com todos os músicos dando o melhor que podiam (e deram!). Porém, algumas leves mudanças de direção musical, incorporando elementos mais groovados, técnicos e estruturas de músicas mais complexas e rebuscadas, podem ter alienado alguns fãs que preferiam a abordagem mais direta e seca dos primeiros álbuns. Eu discordo totalmente, pois, para mim, é um arregaço! Pode ser memória afetiva? Pode! Mas não tem como não querer bater até na própria mãe ao ouvir esse disco violento (risos)!

No início dos anos 90, o cenário musical estava mudando, com a ascensão do grunge e a perda de espaço do thrash metal no mainstream, o que claramente dificultou o sucesso comercial do álbum. Mesmo assim, esse trabalho influenciou muitos músicos da geração seguinte, especialmente no thrash e no death metal, que apreciaram sua complexidade técnica e agressividade mais encorpada e vibrante, caminhando para um direcionamento groove/thrash.

Entre as melhores faixas desse ataque sonoro, destaco a bem groovada e brutal “A.W.O.L.”, as queridinhas dos fãs “Only Death Decides” e “Objection Overruled” – ambas com baterias devastadoras, riffs encorpados e solos afiados, sendo esta última lançada como single e videoclipe, que, infelizmente, passou despercebido –, “The Lunatic Parade”, talvez a mais memorável (e sarcástica) do álbum, com sua melodia ‘lunática’ que anda de mãos dadas com os riffs da dupla peso-pesado Gary e Rick, e, claro, a violência pura chamada “Thrash Under Pressure”, um verdadeiro hino ao thrash metal, com velocidade frenética e riffs incessantes, reafirmando o compromisso da banda com o gênero desde sua criação.

Uma pena que esse álbum não seja muito lembrado pela banda nos shows e seja sempre colocado como um dos ‘patinhos feios’ do Exodus – algo com que discordo veementemente, pois, para mim, é essencial. Não há nada que fuja do que a banda fazia, e ainda o considero um dos álbuns mais pesados e maduros do grupo. Para os fãs mais dedicados, é um trabalho que merece ser revisitado, tanto por sua técnica quanto pela energia brutal que a banda esbanja com muito sangue nos olhos. Se quer um Exodus ‘ignorante’, eis o seu disco!

4º “FABULOUS DISASTER” (1989)

O terceiro álbum do Exodus é, até hoje, um dos mais celebrados da banda, elevando-a a um lugar definitivo no panteão do thrash metal mundial. “Fabulous Disaster” trouxe uma evolução sonora significativa em relação ao trabalho anterior, só que ainda mais agressiva e veloz, o que o tornou uma espécie de “Bonded By Blood” com diploma de pós-doutorado (risos). Suas composições mais diversificadas e a produção refinada, aliadas ao peso robusto e dilacerante das guitarras e da bateria, transformaram-no em um marco na discografia do Exodus e na história do thrash, sendo um álbum que conseguiu agradar tanto aos fãs mais antigos quanto conquistar novos admiradores da cena.

Mesmo sem deixar a intensidade e o peso de lado, a banda conseguiu, de forma genial, alinhar a produção de alta qualidade com uma sonoridade mais acessível, mantendo a brutalidade e a agressividade de forma ímpar. Como músicos, Gary, Rick, Tom, Rob e Zetro entregaram performances individuais muito mais sólidas, explosivas e causticantes, com uma precisão digna de mestres. Zetro, em seu segundo álbum com a banda, se soltou muito mais e criou uma identidade própria como vocalista, graças a uma entrega enérgica e brutal, além de seu estilo de cantar inconfundível à lá Bon Scott (AC/DC), misturando agressividade e uma dose de sarcasmo nas letras.

O álbum traz um equilíbrio interessante entre faixas extremamente rápidas e outras com uma pegada mais cadenciada, mas ainda repletas de uma fúria avassaladora. A banda também começou a explorar temas mais variados nas letras, como questões sociais e políticas, mantendo o espírito rebelde e crítico do thrash metal sempre em voga. Com “Fabulous Disaster”, alcançaram um crescimento comercial que impulsionou a banda a maior reconhecimento, recebendo ampla divulgação na época, o que os levou a turnês mundiais com grandes nomes do estilo e expandiu sua base de fãs.

Além disso, o álbum gerou o primeiro videoclipe oficial da banda para “Toxic Waltz” – o hino do thrash metal oitentista para este que vos escreve – e que popularizou o famoso mosh pit e os stage divings nos shows. Quem aí nunca ‘imitou’ as peripécias desse videoclipe não sabe o que é viver perigosamente (risos).

A capa do álbum também reflete bem o espírito destrutivo e sarcástico da banda, com uma visão caótica de um desastre urbano que captura visualmente o caos e o poder da música. Outro ponto curioso é o cover pesadíssimo e inusitado de “Low Rider”, da banda de funk War, que trouxe um toque divertido ao álbum, mostrando a versatilidade e o senso de humor do Exodus.

Entre as melhores músicas, “Fabulous Disaster” está repleto de faixas marcantes e emblemáticas que se tornaram clássicos atemporais, não só da banda, mas do estilo. A já citada porrada “Toxic Waltz” é provavelmente a mais conhecida do Exodus até hoje, mas a faixa-título, “Fabulous Disaster”, com seu riff poderoso e batidas calculadas, impõe uma sonoridade mais acessível e, ao mesmo tempo, agressiva, definindo todo o trabalho.

Outras que jamais poderiam deixar de ser citadas são as arrasa-quarteirões “Verbal Razors” e “Last Act Of Defiance”, duas odes ao caos. Já “Like Father, Like Son” aborda temas de abuso e ciclo de violência, com uma estrutura complexa e variações de ritmo, destacando o amadurecimento da banda como compositores. “Cajun Hell”, por sua vez, traz um groove pesado e uma pegada mais densa, oferecendo uma pausa na velocidade frenética, mas mantendo a intensidade.

Em resumo, “Fabulous Disaster” capturou e catapultou o Exodus para sua melhor forma, combinando a ferocidade do thrash metal com composições mais refinadas e temáticas variadas. Sem sombra de dúvidas, é referência obrigatória para qualquer fã do gênero. Se quiser um dia aprender o que é o thrash, pegue esse álbum e, logicamente, “Bonded By Blood” – e tem o outro também também (risos).

5º “SHOVEL HEADED KILL MACHINE” (2005)

“Shovel Headed Kill Machine”, lançado em 2005, surgiu em um período conturbado para a banda, marcado por decepções. A saída inesperada de Steve ‘Zetro’ Souza durante uma turnê pela América do Sul trouxe turbulência — em São Paulo, a banda contou com Steev Esquivel (Skinlab, ex-Defiance) como substituto, o que não agradou muito ao público, já que sua performance se resumia a gritaria. Logo após a turnê sul-americana, a banda sofreu mais duas baixas na formação: as saídas de Rick Hunolt e Tom Hunting, que abalaram suas estruturas de maneira quase irreversível.

Porém, com a entrada de Rob Dukes (vocal), do excelente Lee Altus (Heathen) na guitarra e do experiente e brutal Paul Bostaph (ex-Slayer, Testament, Forbidden), tudo começou a entrar nos trilhos novamente, já que os três se encaixaram perfeitamente. Com essa formação, é, sem exagero, possível dizer que gravaram um dos álbuns mais violentos, viscerais e absolutos da carreira do Exodus. Não confunda com o melhor, mas saiba que é, sem dúvida, o mais brutal de todos.

O álbum surge como uma evolução natural do Thrash Metal que a banda vinha desenvolvendo com “Tempo of the Damned”, mas levado a um nível de agressividade quase criminoso: riffs cortantes, bateria de metralhadora, baixo estralando, vocais rasgados e solos devastadores, sem se perder em fritações sem sentido. A timbragem do disco é mais cheia, suja e barulhenta, criando uma experiência sonora intensa e imersiva que prende o ouvinte do primeiro ao último segundo. É como se “Tempo of the Damned” tivesse sido mergulhado em pura energia caótica e alta voltagem, misturado a vidro moído (risos).

É inegável que Rob Dukes trouxe um sopro de frescor e energia para a banda. Sua performance é agressiva, dinâmica e se encaixa perfeitamente na pegada do Exodus, sendo basicamente pura agressividade, sem deslocamentos de timbres — o verdadeiro suco do caos. Cada instrumento ganha destaque: a bateria de Paul Bostaph é incrivelmente acelerada e precisa; os riffs de guitarra de Gary Holt e Lee Altus são palhetadas puras de agressão; e os solos, mesmo dentro de um disco brutal, apresentam melodias estruturadas que reforçam a qualidade musical. O baixo explode nos ouvidos, com linhas cheias e muito bem mixadas, garantindo que cada frequência seja sentida. Tudo isso resulta em um som moderno, coeso, brutal, dilacerante e ainda visceral, onde cada detalhe é perceptível e valorizado. A capacidade de manter o ouvinte preso do início ao fim, ao mesmo tempo em que permite apreciar cada instrumento individualmente, chama atenção.

Em termos de composição, o álbum é impecável. Faixas como “Raze”, “Deathamphetamine” e “Shudder to Think” mostram o Exodus em seu auge de energia e brutalidade, equilibrando velocidade, peso e até melodias bem colocadas nos solos. As letras exploram temas clássicos do Thrash Metal — violência, vícios, introspecção e raiva — reforçando o caráter intenso e agressivo do disco. A precisão técnica combinada à energia esmagadora da execução deveria ser estudada.

Tudo aqui funciona em perfeita sintonia: bateria, riffs, solos e baixo criam uma experiência completa e devastadora. Ouvir “Shovel Headed Kill Machine” é quase como se você estivesse dentro da própria máquina destruidora da capa do disco — uma experiência audiovisual intensa e imersiva. Para fãs de Exodus, do thrash clássico ou de álbuns que combinam brutalidade com técnica e produção refinada, este é, sem dúvida, um verdadeiro rolo compressor moderno do gênero, preciso, viciante e absolutamente implacável.

Para fãs de Exodus, do thrash clássico e de discos que combinam violência com técnica e produção refinada, “Shovel Headed Kill Machine” é uma obra essencial. Ele não só celebra a tradição da banda, mas também apresenta uma evolução clara, mostrando que o Exodus, mesmo após décadas de carreira, ainda tem fôlego e agressividade de sobra.

6º “PERSONA NO GRATA” (2021)

Após sete anos desde “Blood In, Blood Out” (álbum anterior), o Exodus retorna com “Persona Non Grata”, um álbum que reafirma sua posição como uma das forças mais autênticas do thrash metal. Gravado em três estúdios caseiros pelo baterista Tom Hunting, o disco consegue capturar toda a energia crua e a agressividade que definem a banda, sem perder a clareza na produção, equilibrando peso, solos e riffs de forma impecável. Com 12 faixas e mais de 60 minutos de duração, “Persona Non Grata” é, sem dúvidas, uma celebração do thrash na sua forma mais visceral.

A voz de Steve “Zetro” Souza permanece feroz, expressiva e, pela primeira vez na carreira da banda, incorpora vocalizações mais graves em estilo death metal, algo que adiciona ainda mais peso às músicas e mostra uma evolução interessante do vocalista. As guitarras de Gary Holt e Lee Altus, coesas e cheias de energia como sempre, se destacam a cada faixa, enquanto participações especiais, como os solos de Rick Hunolt e Kragen Lum (Heathen, e Exodus no Lugar de Gary quando este estava com o Slayer) em “Lunatic-Liar-Lord”, elevam a qualidade do álbum. Holt, novamente, prova ser uma máquina de riffs, groove e brutalidade, reforçando seu status como um dos maiores guitarristas de thrash metal da história.

As letras de “Persona Non Grata” são afiadas e socialmente conscientes, abordando temas políticos e críticas à sociedade contemporânea. Faixas como “Elitist” e “The Beatings Will Continue (Until Morale Improves)” exemplificam essa postura, misturando cadência pesada, riffs agressivos e uma pegada até punk/hardcore em certos momentos. “Clickbait” critica a cultura de fake news e superficialidade, enquanto “Prescribing Horror” cria uma atmosfera sombria e arrepiante. A diversidade musical é clara: há faixas mais longas e complexas como a faixa-título e “Antiseed”, e momentos de pura energia e thrash direto como “R.E.M.F” e “Slipping Into Madness”.

Diferente de seu antecessor, “Persona Non Grata” gruda na cabeça do ouvinte com facilidade, e já nas primeiras audições é possível memorizar ao menos sete faixas com riffs, refrões e levadas marcantes. Principalmente nos breakdown, que aqui estão muito mais afiados!

O baixo de Jack Gibson fornece uma parede sonora sólida que sustenta a bateria de Tom Hunting de forma mais forte aqui, e a produção assinada pela própria banda, com engenharia de Steve Lagudi e mixagem/masterização de Andy Sneap, eleva ainda mais o resultado final. A arte de capa por Pär Olofsson complementa perfeitamente o pacote, reforçando o impacto visual do lançamento.

Faixas como “Elitist”, “Prescribing Horror” e “Slipping Into Madness” se destacam, cada uma com identidade própria, enquanto “Lunatic-Liar-Lord” é quase uma aula de estrutura, harmonia e peso, reforçando tudo que o Exodus representa. Mesmo as faixas menos impactantes, como “The Years Of Death And Dying” e “The Fires Of Division”, mantêm momentos de pura rifferama e explosões de thrash, garantindo a coesão do álbum do início ao fim.

“Persona Non Grata” como o próprio título já diz: é meio que um manifesto de fúria, brutalidade e autenticidade. É o thrash metal em sua forma mais pura, uma obra que agrada tanto aos fãs antigos quanto aos novos, mantendo o legado do Exodus com força e impacto, provando que, mesmo décadas após sua estreia, a banda continua no topo do gênero, ditando regras e distribuindo violência, agressividade e brutalidade sem dó nem piedade.

7º “PLEASURE OF THE FLESH” (1987)

Como citado na parte de “Bonded By Blood”, os problemas de Paul Baloff – que não eram poucos – foram responsáveis por sua saída da banda. Algo inimaginável para os fãs da época, pois o icônico vocalista era como um ‘missionário’ do caos, graças aos seus discursos ‘fofos’ (risos) – às vezes incompreensíveis, numa língua só dele – nos shows e entrevistas sobre o que ele achava das bandas de Hard e Glam Metal da época. Era uma prática comum ofender gratuitamente esses estilos e as bandas que os compunham para manter a pose do ‘Fuck Posers’, mas hoje sabemos que todos – de forma escondida – sempre gostaram de muitos artistas do gênero, inclusive indo a shows às escondidas.

Não ter mais Baloff comandando o ‘exército’ era quase inconcebível, mas a entrada de Steve ‘Zetro’ Souza (ex-Legacy, que mais tarde se tornaria o Testament) marcou uma nova fase tão brutal quanto. Algumas mudanças perceptíveis na sonoridade foram notadas, principalmente na produção mais refinada de “Pleasures Of The Flesh”, com abordagens e composições mais técnicas, fazendo com que o álbum não tivesse o mesmo impacto explosivo de “Bonded By Blood”, mas mantendo a posição do Exodus na cena Thrash Metal mundial.

Era nítido que o quinteto havia evoluído como compositores, e isso aparece bem nas linhas mais refinadas e no equilíbrio entre velocidade e agressividade, graças a uma produção bem mais polida. Desde as partes de guitarra de Gary e Rick, muito mais afiadas e elaboradas, à bateria de Tom, cheia de técnica, feeling e melodia, passando pelo baixo certeiro de Rob, acompanhando o ‘tom do Tom’ (risos), até a voz arredia, rasgada e compreensível de Zetro, todos esses elementos garantiram a coesão do material. Ou seja, não superaram, mas mantiveram o nível elevado, preparando o terreno para o que viria mais adiante.

Por mais que os vocais fossem um pouco menos caóticos e mais controlados que os de Baloff, a sujeira e a essência do Thrash estavam intactas. Zetro permaneceu na banda por muitos anos e, para alguns, tornou-se ‘o frontman’ ideal.

Entre os destaques do álbum, a faixa-título “Pleasures Of The Flesh” se sobressai com seus riffs envolventes e uma temática de indulgência e decadência, características marcantes da banda dali em diante, não se focando apenas na violência desenfreada, mortes e caos. A avalanche de riffs furiosos e insanos de “Brain Dead” e a sombria “Seeds Of Hate”, outros grandes clássicos, também se destacam e até hoje são presenças quase constantes em seus shows. Outros destaques vão para a veloz e agressiva “Deranged” e a mais cadenciada “Chemi-Kill”, que também saltam aos ouvidos pelo impacto.

Vale lembrar que tanto “Pleasures Of The Flesh”, como “Brain Dead” e “Seeds Of Hate” eram sobras de estúdio de “Bonded By Blood”, ou seja, tinham as letras escritas por Baloff e traziam ainda o DNA da estreia, talvez sendo por isso as ‘melhores’ (risos).

Esse álbum capturou o Exodus em um momento de transição, enquanto solidificava a banda como um dos pilares do Thrash Metal, e até hoje ainda é um disco essencial para compreender sua evolução, demonstrando maturidade musical sem sacrificar a agressividade visceral do gênero.

8º “EXHIBIT B: HUMAN CONDITION” (2010)

Esse álbum marca um dos momentos mais maduros e coesos da carreira do Exodus. O décimo álbum de estúdio chega trazendo a mesma agressividade, velocidade e técnica que definem o thrash metal da banda desde os anos 80, mas com um frescor e relevância lírica que refletem o contexto atual do mundo e a sonoridade que a banda vem aplicando desde “Tempo Of The Damned”, ou seja, mais groovada e robusta. Produzido também por Andy Sneap, conhecido por extrair o melhor som possível de bandas de Thrash Metal, o álbum apresenta uma produção cristalina, que destaca cada riff cortante, cada batida de bateria precisa e, especialmente, os vocais intensos de Rob Dukes, que aqui dá uma aula de ódio, raiva e contestação.

Musicalmente, “Human Condition” brilha especialmente em suas primeiras faixas. Elas mostram uma evolução em relação ao álbum anterior, “Atrocity Exhibition – Exhibit A”, trazendo solos mais elaborados e harmônicos, trechos lentos com mais peso e dinâmicas que prendem a atenção do ouvinte.

No entanto, o álbum nem sempre mantém o mesmo nível de impacto. No meio da obra, algumas músicas soam menos consistentes, com trechos que se tornam repetitivos ou estranhos, perdendo um pouco da energia inicial e deixando a sensação de que o disco cai em certos momentos. Ainda assim, essas pequenas falhas não diminuem a força geral do trabalho. O som continua excelente, com alta intensidade, linhas vocais intrigantes e riffs que impactam na maioria das músicas.

A performance das guitarras aqui é impecável, com riffs pesados, solos precisos e mudanças de tempo que mantém a atenção do ouvinte do começo ao fim. As partes de baixo e bateria estão mais ‘gordas’ em relação ao trabalho anterior, criando uma monstruosidade sonora junto aos vocais e riffs. Talvez seja o álbum mais groovado da banda, mas não menos brutal.

Entre as faixas que mais se destacam, a abertura com “The Ballad of Leonard and Charles” já deixa claro o nível de agressividade e intensidade do disco, estabelecendo o tom para tudo que vem a seguir. “Downfall” surge como uma das faixas mais impactantes, combinando riffs precisos e uma cadência envolvente que mantém o ouvinte grudado do começo ao fim.

Outro ponto alto do álbum é “Beyond the Pale”, uma faixa longa e complexa que equilibra agressividade com momentos mais elaborados, agradando tanto os fãs do thrash clássico quanto aqueles que apreciam nuances modernas. “Class Dismissed (A Hate Primer)” se destaca pela energia explosiva e pela crítica social incisiva presente em suas letras, enquanto “Burn Hollywood Burn” mistura sarcasmo e thrash metal de alta voltagem, reforçando o peso e a relevância temática do disco. Agora, ouvir “The Sun Is My Destroyer” em volume máximo causará estragos irreversíveis a quem estiver por perto, pois a violência dessa música é algo que deveria ser estudada.

Essas faixas mostram a capacidade do Exodus de criar músicas que não apenas impressionam tecnicamente, com riffs e solos afiados, mas também provocam reflexão, sentimentos diversos, mas sempre abordando temas como injustiça, corrupção e decadência social. Mesmo com alguns momentos menos consistentes no meio do álbum, as músicas citadas destacam “Exhibit B: Human Condition” como um registro essencial para fãs antigos e novos, provando que a banda continua entregando thrash metal intenso, inteligente e absolutamente humano.

É um disco essencial: direto, violento, inteligente e absolutamente humano, mesmo com suas pequenas imperfeições.

9º “BLOOD IN, BLOOD OUT” (2014)

Com uma saída estranha e pouco explicada de Rob Dukes e o retorno, ainda mais inesperado, do vocalista Steve “Zetro” Souza, este álbum não apenas celebra a volta de Zetro, mas também resgata a essência do thrash metal clássico do Exodus, deixando de lado parte do som mais moderno dos trabalhos anteriores e retornando a algo mais tradicional, exalando uma energia crua renovada. É robusto, atual e mais pé no chão.

O álbum conta com participações especiais que enriquecem ainda mais sua proposta. Kirk Hammett, ex-guitarrista do Exodus e atualmente no Metallica, contribui com um solo em “Salt the Wound”. Chuck Billy, vocalista do Testament, faz uma aparição em “BTK”, enquanto Dan the Automator adiciona um toque eletrônico à introdução de “Black 13”. Entre as faixas, “Body Harvest” se destaca como um verdadeiro hino do thrash, com riffs marcantes e a performance vocal intensa de Zetro. “Honor Killings” e “Food for the Worms” também se destacam, apresentando letras sombrias e arranjos que capturam a essência do estilo. Por outro lado, “BTK” e “Black 13” mostram a disposição da banda em explorar novas sonoridades, sem perder suas raízes.

“Wrapped In The Arms Of Rage”, uma faixa pouco lembrada, inclusive pela própria banda, que a executou ao vivo apenas algumas vezes, merecia maior reconhecimento. Ela traz tudo aquilo que o Exodus costumava fazer em álbuns como “Fabulous Disaster” e “Impact Is Imminent”, com riffs marcantes, velocidade e energia.

Em termos de recepção, “Blood In, Blood Out” foi bem recebido pelos fãs, embora a volta de Zetro tenha gerado expectativas de um impacto maior, como o visto em “Tempo Of The Damned”. Alguns consideram-no superior aos álbuns com Rob Dukes, mas, realisticamente, jamais poderia ser considerado melhor que “Shovel Head Kill Machine”. É possível que o retorno de um membro clássico e querido pelos fãs tenha elevado a percepção do álbum, mas, ainda assim, trata-se de um ótimo disco. Apesar de consistente e pesado, ele não trouxe nenhum grande “hit” que pudesse ser cantado em uníssono nos shows, nem mesmo a faixa-título. Há qualidade, há energia, mas falta algo que realmente o torne memorável.

10º “ATROCITY EXHIBITION: EXHIBIT A” (2007)

O oitavo álbum de estúdio do Exodus e a segunda participação de Rob Dukes nos vocais já trazem uma coesão ainda maior dentro da banda, talvez graças ao retorno do baterista Tom Hunting, que devolve à banda parte da força e da dinâmica clássica de sua formação após sua ausência. Não que Paul Bostaph não tenha sido uma escolha assertiva — pelo contrário, ele fez um excelente trabalho no álbum anterior —, mas a máquina Tom Hunting retornou com força, mantendo a agressividade característica da banda, ou seja, insubstituível. Esse retorno trouxe também um certo frescor à dinâmica do grupo, permitindo momentos mais criativos e detalhados nas músicas, além de reforçar a química entre Holt, Altus, Dukes e Hunting.

O título do álbum é uma clara referência ao romance experimental “The Atrocity Exhibition”, de J.G. Ballard, e o subtítulo “Exhibit A” indica que o trabalho seria o primeiro de uma série, ideia que se concretizou com o lançamento de “Exhibit B” em 2010. Musicalmente, o álbum mantém a pegada agressiva e pesada do thrash metal, mas com nuances que evidenciam maior cuidado com a criatividade e a dinâmica das músicas. O instrumental é rápido, barulhento e esmagador, mas em vários trechos a banda insere pequenas passagens mais melódicas ou menos aceleradas, valorizando as batidas e criando respiros estratégicos em meio à brutalidade característica do Exodus.

A produção, assinada por Andy Sneap, garante um som limpo e poderoso, porém ainda criminoso, onde cada instrumento se destaca sem perder a coesão do conjunto. Os riffs de Gary Holt e Lee Altus são precisos e cortantes; o baixo de Jack Gibson pulsa com força, reforçando a brutalidade do som; e os vocais de Rob Dukes equilibram agressividade e melodia de forma natural, sem soar forçados. O registro nas Sharkbite Studios, em Oakland, Califórnia, resultou em uma sonoridade cheia, envolvente e pesada, permitindo perceber todos os detalhes da execução, do instrumental esmagador às linhas melódicas sutis que surgem em momentos estratégicos do álbum.

Apesar de toda a qualidade, alguns pontos poderiam ter sido mais bem explorados: os solos, que em “Shovel Headed Kill Machine” impressionavam, aqui poderiam ser um pouco mais inspirados, e certas partes mais lentas não desenvolveram completamente o potencial de construção. Ainda assim, são detalhes pequenos diante de um disco que consegue prender a atenção do início ao fim, oferecendo uma experiência intensa, energética e visceral.

As letras de “Exhibit A” exploram violência, crítica social, anti-religiosidade e introspecção. Faixas como “Riot Act” e “Children of a Worthless God” abordam questões sociais e políticas, enquanto “Funeral Hymn” e “The Atrocity Exhibition” mergulham em reflexões mais sombrias e pessoais. A banda mantém sua identidade lírica, oferecendo uma visão crua e direta do mundo ao redor.

Entre as faixas de destaque, “Riot Act” se mostra uma das mais energéticas, abordando temas de revolta e resistência; “Funeral Hymn” apresenta maior complexidade e mudanças de ritmo, criando uma atmosfera sombria; “Children of a Worthless God”, na qual Rob Dukes se destaca ao apresentar partes limpas pela primeira vez, trata da perda de fé e da desilusão com instituições religiosas; “The Atrocity Exhibition”, faixa-título, oferece uma visão crua do caos e da violência no mundo moderno; e “Bedlam 1-2-3”, faixa experimental, encerra o disco de forma irreverente, com uma inesperada versão country de “Bonded by Blood”, mostrando o lado bem-humorado da banda.

Infelizmente, o álbum passou um pouco despercebido pelos fãs, e sinceramente é difícil entender o motivo, pois qualidade ele tem de sobra. Cada faixa demonstra execução técnica impecável, riffs afiados, bateria precisa e vocais potentes, combinados a uma produção moderna que valoriza cada detalhe. Talvez tenha sido ofuscado por outros lançamentos da época ou pela própria intensidade de “Shovel Headed Kill Machine”, mas, para quem se dá a oportunidade de ouvi-lo com atenção, “The Atrocity Exhibition: Exhibit A” se revela como um trabalho sólido, criativo e absolutamente indispensável para qualquer fã de thrash metal mais centrado e técnico.

11º “FORCE OF HABIT” (1992)

Aqui chegamos ao ponto de discussão sobre o Exodus. Lançado no auge estrondoso do grunge, a banda trouxe – nas palavras de muitos – mudanças significativas em sua direção musical. Excetuando duas músicas completamente desnecessárias (dois covers, diga-se de passagem) e piores que chorume – “Bitch” (Rolling Stones) e “Pump It Up” (Elvis Costello) –, não vejo grandes problemas em “Force of Habit”, quinto álbum do Exodus.

Conhecido por ser o trabalho mais experimental do grupo, ele apresenta peso? Sim! Fúria? Nem tanto. Uma de suas maiores características é a sonoridade mais cadenciada e focada em riffs pesados, em vez de apostar apenas na alma, velocidade e agressividade, como nos álbuns anteriores. Gary Holt e Rick Hunolt continuam a dominar com suas guitarras, mas, desta vez, as composições são mais baseadas em grooves, ritmos arrastados, guitarras slide e abordagens mid-tempo, o que representa uma mudança notável em relação ao estilo thrash clássico.

Por conta disso, esse álbum é frequentemente visto como uma tentativa do Exodus de se adaptar às mudanças no cenário musical da época, quando o thrash metal começava a perder espaço para o já citado grunge e para o groove metal, que estava ‘pegando ar’.

Vale lembrar também que “Force of Habit” não contou com Rob McKillop no baixo, já que ele saiu da banda e nunca mais apareceu, tornando-se uma completa incógnita para os fãs. Algumas pessoas próximas à banda me disseram que ele virou fazendeiro e quer distância da música. Seu substituto foi Mike Butler, que não fedeu nem cheirou. E outra coisa inadmissível: a (tenebrosa) capa do álbum contou com um logotipo da banda completamente ridículo (risos).

Apesar de ser um dos discos mais polêmicos da carreira da banda, “Force of Habit” ainda apresenta várias qualidades e músicas que merecem destaque. Sua produção é limpa e moderna, com ênfase no peso e na clareza, permitindo que cada instrumento seja ouvido distintamente. Os vocais de Steve “Zetro” Souza também evoluíram neste álbum. Em vez de suas tradicionais linhas vocais agudas e ríspidas, ele explorou um estilo mais melódico e variado, que combinou com a mudança no som da banda, mas perdeu em potência.

Até as letras mudaram. Embora ainda carregadas de crítica social e ironia (aqui em menor escala), o tom é muito mais introspectivo e sério em vários momentos.

Podemos dizer que “Force of Habit” foi um suicídio comercial. A banda tentou expandir seus horizontes após consolidar uma sonoridade característica, buscando explorar novas possibilidades dentro do metal, mas acabou falhando – até mesmo na duração de suas longas faixas.

Duas músicas obtiveram certo reconhecimento por conta de seus videoclipes: as excelentes “Thorn in My Side” e “Good Day to Die”, sendo esta última bem diferente do que estávamos acostumados a ouvir, com direito a um toque sulista de Southern Rock e guitarra slide. “Good Day to Die” chegou a ser veiculada algumas vezes no extinto – e saudoso – programa Fúria Metal, da MTV Brasil, mas não passou disso. Já o clipe de “Thorn in My Side”, para ser sincero, nunca cheguei a ver na época. Ou seja, em termos de divulgação audiovisual, o que a gravadora fez foi praticamente pífio, refletindo uma exposição comercial quase inexistente.

Faixas como “Me, Myself and I”, “Architect of Pain”, a thrashona “Fuel for the Fire” e a cadenciada e pegajosa faixa-título são grandes exemplos de que a banda ainda tinha o peso nas veias – e, por isso, valem por todo o trabalho.

A experimentação do Exodus em “Force of Habit” – sua longa duração, a adição de elementos incomuns e atmosféricos para uma banda de thrash metal, a mudança do cenário musical da época e aquelas duas covers estapafúrdias – sepultaram um gigante, culminando no encerramento de suas atividades. É um disco ruim? Não! Só é bem, ou melhor, muito estranho.

Mas agora queremos saber de vocês: Esse ranking do melhor para o “menos favorito” está de acordo? Concordam? Discordam? O que mudariam?

Somente álbuns de estúdio!
Eps, Singles, Álbuns ao vivo e Coletâneas não foram considerados na matéria.

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