Entrevista com Daniel Ferrante (Exkil)
Diretamente do interior paulista, mais precisamente de Piracicaba, a Exkil vem consolidando seu nome como uma das apostas mais consistentes da nova geração do Thrash Metal nacional. Formada em 2021, a banda rapidamente chamou atenção ao apostar em uma sonoridade que resgata a essência old school de nomes como Testament e Death Angel, mas sem abrir mão de uma abordagem moderna, agressiva e tecnicamente afiada — algo que dialoga com a evolução natural do estilo nas últimas décadas.
O primeiro registro, o EP Between Death and Chaos (2022), serviu como cartão de visitas e apresentou ao público uma identidade já bem definida, fruto de anos de lapidação composicional antes mesmo da estreia oficial. Desde então, o grupo não apenas manteve a proposta, como também elevou o nível com o lançamento do álbum Violence Prevails (2025), trabalho que ampliou o alcance da banda dentro da cena underground e recebeu destaque em diversos veículos especializados, inclusive sendo apontado como um dos lançamentos recentes mais relevantes do metal brasileiro.
Com letras que transitam entre críticas sociais, reflexões sobre corrupção, guerra e manipulação da informação, e uma sonoridade que equilibra peso, velocidade e precisão, a Exkil representa com propriedade o espírito combativo que sempre foi uma das marcas registradas do Thrash Metal. Nesta entrevista com Daniel Ferrante (vocal/guitarra), ele fala sobre sua evolução, processo criativo, os desafios por trás do novo e elogiadíssimo álbum e o que o público pode esperar dessa fase cada vez mais intensa e promissora. Confira!
Por Matheus ‘Mu’ Silva
Com o surgimento da Exkil em 2021, como foi o processo de composição do primeiro EP Between Death and Chaos (2022)?
Daniel Ferrante: Pra mim foi um exercício. A composição é um exercício, na verdade — quanto mais você faz, mais chega à sua verdadeira identidade. Foram uns três ou quatro anos compondo para chegar nisso. Claro que sempre vão existir coisas a melhorar, mas esse foi o resultado que nos agradou; é a identidade que queríamos. E não paramos: seguimos desenvolvendo isso a cada música composta.
A banda pratica um Thrash Metal mais old school, porém com uma produção moderna. Como vocês definem o equilíbrio entre as influências clássicas, como Testament e Death Angel, e a agressividade do metal contemporâneo?
Daniel Ferrante: A banda é um funil próprio. Temos consciência de que somos uma banda de thrash metal e, se algo foge muito disso, analisamos, identificamos e ajustamos. Tenho influência de muitas bandas do metal moderno, como Thy Art Is Murder, Havok, Revocation, Crypta e Tulkas (thrash moderno do México). Então, nas nossas composições, há elementos desses estilos — gutural, dissonâncias do deathcore e do death metal, riffs do thrash moderno ou inspirados no death —, mas nada que nos tire do thrash. A proposta da banda é clara: não vamos sair disso.
O interior de São Paulo sempre foi um celeiro de bandas pesadas. Sendo de Piracicaba, como vocês veem o atual momento da cena local? Eu mesmo sou de Limeira e acompanho algumas bandas dos arredores, como Critical Fear e Desdominus.
Daniel Ferrante: Existe união, com certeza. Bandas como Critical Fear, Deadly Sinners, Inglorious Basterds e Forget Everything são grupos com quem já tocamos algumas vezes e temos amizade. Mas a verdade é que ninguém quer permanecer no underground — e sair dele é uma longa estrada, que exige bastante. Ainda assim, é o sonho, então vamos em frente.

Comparando o EP de estreia com o álbum Violence Prevails (2025), quais foram os maiores desafios técnicos e criativos para elevar o nível da produção? Eu tive a oportunidade de resenhar o disco no Metal Na Lata e achei muito bem produzido. Como vocês enxergam esse novo momento?
Daniel Ferrante: Em termos de produção, mudamos os timbres dos instrumentos de corda, deixando tudo mais agressivo e mais próximo de como queremos soar. Sempre dá pra melhorar, mas, por enquanto, é isso que buscamos. Tivemos algumas músicas que exigiram mais treino, como o riff principal de “Mistreat” e a passagem para o refrão de “For The Frightened”. No geral, já conseguíamos executar o restante normalmente. Na parte criativa, mantivemos o diálogo: ajustamos o que for necessário até agradar a todos. Sinceramente, não houve nada muito desafiador na composição.
A faixa “Titans Rising” conta com a participação de Marcello Pompeu (Korzus). Como surgiu esse convite e qual a importância de ter uma lenda do thrash nacional no disco?
Daniel Ferrante: Conhecemos o Pompeu através da Crash TV. Íamos fazer uma entrevista com a Kaká Schwartzman, e ela sugeriu que fosse com ele — aceitamos com muita felicidade (risos). No dia, conversamos bastante antes da entrevista, e ele nos deu uma verdadeira aula sobre como ser uma banda, mudando bastante nossa visão. A participação dele em “Titans Rising” foi perfeita — ele fez até mais do que pedimos. Para nós, é uma realização ter a voz dele eternizada em uma música nossa. Um sonho cumprido.
A capa do álbum mostra a estátua da Justiça sendo sufocada por uma serpente. Qual a mensagem principal dessa arte e como ela se conecta com as letras?
Daniel Ferrante: A capa tem um significado ambíguo. Um deles é que a serpente representa toda a maldade humana, destruindo a justiça, o correto, o bem. O outro é que essa maldade pode ser necessária em certos cenários, como uma forma de proteger a própria justiça — por exemplo, quando ela é aplicada a quem merece. De qualquer forma, isso envolve violência, seja física ou mental. Enviar alguém à prisão, por exemplo, é uma violência psicológica. Mas não estou defendendo ninguém: quem erra ou comete crimes deve pagar por isso.
Músicas como “Reckoning” e “Drive You Nuts” mostram facetas diferentes da banda. Como funciona o processo de composição?
Daniel Ferrante: É muito baseado no que estamos ouvindo no momento. Quando compus “Reckoning”, estava ouvindo bastante death metal, principalmente com uso de tremolo na guitarra, e isso acabou influenciando. Já “Drive You Nuts” é puro moshpit, inspirada no thrash mais direto, sem enrolação. A composição parte de mim, Daniel: eu crio as músicas e apresento para a banda. Todos opinam sobre pontos positivos e negativos, e fazemos ajustes até chegar no resultado final.
O álbum aborda temas como corrupção, fake news e o impacto da guerra. Vocês acreditam que o thrash metal, em 2026, ainda é a ferramenta mais eficaz para expressar descontentamento político e social?
Daniel Ferrante: A música sempre vai ser um veículo de comunicação e expressão. Independentemente do estilo, você pode se expressar como quiser. Não acho que esse tipo de crítica seja exclusividade do thrash — todos os estilos dentro do metal abordam, de alguma forma, questões políticas e sociais.
Com a musicalidade brutal e enérgica da banda, o que o headbanger pode esperar de um show da Exkil?
Daniel Ferrante: Músicas rápidas, energia, adrenalina, euforia. Uma experiência intensa, catártica e energética. Riffs velozes, bateria frenética, vocal agressivo, interação com o público, mosh, headbanging — uma descarga de energia e liberdade emocional total.
Com Violence Prevails sendo apontado como um dos grandes lançamentos recentes do metal brasileiro, quais são os planos para expandir a presença da banda fora de São Paulo e, quem sabe, no exterior?
Daniel Ferrante: Temos uma lista de eventos pelo Brasil e estamos de olho, nos inscrevendo. Precisamos avaliar o que vale a pena financeiramente, porque é complicado sair de São Paulo para outros estados, como Minas Gerais, tendo prejuízo. Queremos que isso se torne nosso trabalho principal, então encaramos a banda de forma profissional, mesmo fazendo o que amamos.
E sobre um possível sucessor de Violence Prevails, o que vocês podem nos adiantar? Já estão compondo algo ou ainda nem pensaram a respeito? O que podemos esperar da Exkil para 2026?

Daniel Ferrante: Ainda temos uma agenda de shows para o meio do ano, mas provavelmente devemos produzir um novo videoclipe, dessa vez para a faixa “Mistreat”, e assim apresentarmos oficialmente nosso novo baterista Wevelin Corteiro. Enquanto isso estamos compondo e selecionando música para o próximo álbum sim! Temos praticamente 75% definido!
Para encerrar, qual a mensagem da Exkil para quem está descobrindo a banda agora?
Daniel Ferrante: Seja bem-vindo à família Exkilers! Se você já nos conhece, muito obrigado pelo apoio. E se já faz parte, nossa gratidão é enorme. Se ainda não conhece, dê-nos uma chance, garanto que vai gostar (risos). Obrigado também pelo espaço para falarmos do nosso trabalho. Estamos em todas as plataformas de streaming, então é fácil encontrar nossas músicas. Siga a gente no Instagram, acompanhe nosso canal no YouTube e, se curtir o som, confira também nossa loja. Valeu, galera!
Exkil é:
Daniel Ferrante (vocal/guitarra)
Gabriel Bunho (guitarra)
Evandro Tapia (baixo)
Wevelin Corteiro (bateria)
Mais informações:
https://www.instagram.com/exkilmetal
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https://www.youtube.com/@exkil
https://exkil.bandcamp.com
https://montink.com/xkshop





