Guilt Trip – “Armour of Angels” (2026)
Roadrunner Records
#Hardcore #BeatDownHardcore #MetallicHardcore #Metalcore
Para fãs de: Malevolence, Kublai Khan TX, Boundaries
Texto por Lucas David
Nota: 10
Vídeos de apresentações ao vivo bombásticas, cheias de energia e mosh pits gigantescos tomaram conta da internet nos últimos meses. Muitas bandas utilizam esse tipo de conteúdo para apresentar seu trabalho ao mundo e conquistar cada vez mais espaço, como é o caso do Guilt Trip.
Conheci a banda através de um vídeo da faixa “Tearing Your Life Away”, presente no primeiro álbum do grupo, Severance (2023), em que o baterista Tom Aimson destruía seu kit enquanto o vocalista Jay Valentine entregava vocais matadores e uma postura repleta de atitude e presença de palco. Ao mesmo tempo, o público parecia completamente possuído nos moshs. A partir dali, passei a acompanhar a ascensão do grupo no cenário, mantendo-se fiel à vertente mais metálica do Hardcore que os trouxe até aqui, com cada lançamento representando um salto de qualidade cada vez maior.
Agora, a banda chega ao seu terceiro disco, Armour of Angels, acompanhado de um novo contrato com a gigante Roadrunner Records, consolidando definitivamente seu nome entre os grandes do gênero. Distribuído em 12 faixas, o álbum demonstra maturidade, experiência e a força de uma banda que oferece poucos momentos de respiro.
Logo na abertura, “One By One” deixa isso claro. Após uma breve introdução, a banda despeja batidas precisas de bateria, riffs pesados da dupla Jak Maden e Sam Baker, um baixo pulsante e marcante de Lily Kilcoyne e os vocais extremamente agressivos de Valentine — um dos meus músicos favoritos da atualidade, ao lado do próprio Aimson. Já “Cut From God” apresenta vocais mais urrados logo de início e um groove matador que conduz boa parte da faixa, sustentado por riffs sujos, pesados e extremamente grudentos, enquanto a bateria dita o ritmo com cada batida acertando o ouvinte em cheio.
“No Love Lost” é uma das músicas mais pesadas do álbum, com Valentine entregando uma performance simplesmente insana. As guitarras formam uma parede de riffs sólida e cortante que, aliada a uma cozinha brutal, resulta em um dos melhores breakdowns do ano. O single “Burn” chega com uma abordagem mais rápida e ainda mais Hardcore, trazendo um dos melhores vocais do disco e um refrão feito para ser cantado em uníssono pelo público nos shows, além de mais um breakdown devastador. A música é tão potente que você provavelmente vai voltar ao início para ouvi-la novamente e absorver ainda mais sua força.
A produção, assinada pela própria banda, também merece destaque pela forma brilhante como apresenta arranjos com profundidade e uma complexidade surpreendentes. É impressionante como o grupo conseguiu manter um som grandioso e impactante sem comprometer a clareza dos instrumentos, permitindo que tudo respire de maneira natural.
Com uma sonoridade que se tornou cada vez mais presente no cenário atual e uma coleção de músicas extremamente pegajosas e bem executadas, a dominação mundial do Guilt Trip parece apenas uma questão de tempo. Armour of Angels é mais uma prova de que a banda é muito mais do que apenas vídeos virais, consolidando-se como uma das maiores e melhores novidades surgidas nos últimos anos. Ouça sem medo.





