Entrevista: Sean Rivera, vocalista do Coffin Hunters, banda americana de Heavy Metal

Coffin Hunters - Divulgação
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Entrevista: Sean Rivera, vocalista e do Coffin Hunters, banda americana de Heavy Metal

A data de 17/07/2026 marca o lançamento deCosmic Dawn, terceiro álbum completo do Coffin Hunters, quarteto da cidade americana de Sonoma County/CA. Atualmente, formam o seu line-up: Brian Crites (baixo), Eric H OrSweden (guitarra), Sean Rivera (vocal e teclado) e Brennan Kunkel (bateria).

Reprodução Facebook – Entrevista: Sean Rivera, vocalista do Coffin Hunters, banda americana de Heavy Metal

Desde que lançou seu debut, The Fire Knight (2019), a música do Coffin Hunters sofreu mudanças. A princípio, um Heavy Metal tradicional a la 80’s fazia parte da assinatura de suas composições. No entanto, já no lançamento seguinte, Wake the Dead (2022), a sonoridade se influenciou mais nas raízes americanas e britânicas da década de 70. No atual registro, Cosmic Dawn (leia a resenha no Metal Na Lata), essa tendência se acentuou ainda mais com a adição do teclado, que deu às faixas um sedutor toque psicodélico, presente também nas artes das capas dos singles e do full lenght. Ou seja, toda essa metamorfose parece proposital.

A fim de saber mais sobre a “madrugada cósmica” e a história do Coffin Hunters, entrevistei seu frontman Sean Rivera, que também é membro do Nefarious, banda de
Thrash/Heavy Metal de San Francisco/CA. Confira esse bate papo logo abaixo:

Sean Rivera, a potente voz do Coffin Hunters

Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar o Coffin Hunters por mais um disco de ótima qualidade, talvez o melhor de sua discografia.

Metal Na Lata: desde quando The Fire Knight me apresentou ao talento do Coffin Hunters em 2019, sua sonoridade vem passando por mudanças. Em outras palavras, foi doHeavy Metal 80’s ao Hard & Heavy 70’s, abraçando também o psicodelismo em Cosmic Dawn. Enfim, todo esse processo foi deliberado ou aconteceu de forma natural?

Sean Rivera:

“Obrigado! Temos muito orgulho deste álbum e concordamos: é o melhor que já fizemos até agora. A banda é uma entidade em constante evolução, e este disco é o resultado de anos de trabalho árduo e aprimoramento.”

“A evolução de Fire Knight para Cosmic Dawn foi tanto natural quanto deliberada. Como dá para perceber, somos profundamente inspirados pelos grandes nomes do rock and roll — especialmente o hard rock e o proto-metal —, e isso se reflete em nossa música. Em Fire Knight, havia uma certa sensação de urgência, e até mesmo uma pressão que nós mesmos impúnhamos, o que refletia o momento que vivíamos naquela época. Éramos mais jovens, e as coisas pareciam um tanto aceleradas e descompromissadas. Cosmic Dawn é um álbum mais maduro e pensado. A inclusão de teclados foi intencional, pois trouxe ao som uma atmosfera que sentíamos que estava faltando.”

A presença analógica na música do Coffin Hunters

Metal Na Lata: obviamente, posso estar sendo enganado pelos meus ouvidos, pois sei que esse tipo de equipamento está fora de uso há algum tempo. Mesmo assim, por acaso, foram usados amplificadores valvulados para a captação das guitarras e do baixo em Cosmic Dawn?

Sean Rivera:

“Com certeza absoluta: usamos amplificadores valvulados e efeitos analógicos para tudo. Não houve uso de nenhum plugin na gravação. Ensaiamos juntos pelo menos uma vez por semana e tocamos em volume alto. Não somos uma banda com integrantes espalhados geograficamente; tocamos juntos e desenvolvemos nossas músicas de forma orgânica, utilizando amplificadores valvulados e instrumentos reais em nosso espaço de ensaio.”

A recepção de Cosmic Dawn

Metal Na Lata: considerando os singles já lançados, “Skeleton Key” e a faixa título, a recepção das mídias especializadas e fãs da banda está de acordo com suas expectativas?

Sean Rivera:

“Sentimo-nos muito honrados com as avaliações que recebemos até agora. Sabemos que temos algo único e especial, e ficamos felizes por outras pessoas também apreciarem isso. Mais do que tudo, é gratificante ver que a cena do heavy metal, que tanto amamos, nos concedeu algum reconhecimento.”

A temática lírica do Coffin Hunters

Metal Na Lata: quanto às letras das músicas, qual o tipo de temática mais usada pelo Coffin Hunters em sua discografia, EP e álbuns?

Sean Rivera:

“Realmente varia, mas lemos muito — fantasia, história, ficção científica, filosofia, poesia — e essas influências estão frequentemente na raiz do nosso conteúdo lírico. Reflexões sobre a condição humana também.”

A importância de desenvolver o próprio DNA musical

Metal Na Lata: como redator musical, muitas vezes digo que muitas bandas atuais não tem personalidade própria, mas somente fazem releitura de suas inflûencias. Coffin Hunters é, claramente, exceção, já que sempre busca consolidar seu próprio DNA musical. Em suma, comente minha análise?

Sean Rivera:

“É isso mesmo. Como todo mundo pode perceber, somos influenciados por muitas bandas, mas nos esforçamos para não recriar o que já foi feito. Também buscamos não produzir apenas um álbum com oito músicas que soam exatamente iguais; por isso, há variedade no que fazemos. É possível ouvir todas essas influências se unindo em diferentes combinações para criar algo totalmente único.”

Coffin Hunters na estrada

Metal Na Lata: Coffin Hunters, por enquanto, só fez shows dentro dos Estados Unidos da América? Há pretensões de ir além disso?

Sean Rivera:

“Adoraríamos tocar mais ao vivo. Estamos analisando as propostas à medida que chegam e tentando viabilizar algo.”

A arte da capa de Cosmic Dawn

Metal Na Lata: a arte da capa de Cosmic Dawn é sensacional, porém eu gostaria de tentar entender melhor seu significado. Certamente estou errado, mas a morte abre um portal para um novo universo? (LOL)

Sean Rivera:

“Há muitas maneiras de interpretar a arte de Cosmic Dawn e, sim, essa é uma excelente interpretação. A morte é um portal.”

Entre 70’s e 80’s, aí está a alma do Coffin Hunters

Metal Na Lata: naresenha publicada nesse site, afirmei que as composições do Coffin Hunters, mesmo que sejam atuais, parecem pertencer a década de 1970. Embora “Blood Moon” quebre esse padrão, fico com a impressão que Cosmic Dawn foi lançado na mesma época que E Pluribus Funk do Grand Funk Railroad, Magician’s Birthday do Uriah Heep ou Fireball do Deep Purple. Resumindo, como vocês se relacionam com esse mágico período que foi a década de 70?

Sean Rivera:

“O final dos anos 70 e o início dos anos 80 exercem uma profunda influência sobre nós. O que se destaca nesse período é a ausência de uma fragmentação excessiva em gêneros. Hoje em dia, há tantos subgêneros que a situação chega a ser ridícula. A era do proto-metal e do hard rock daquela época continha elementos do que hoje chamaríamos de thrash, NWOBHM, black e death metal, sem que houvesse definições excessivamente rígidas; e é aí que nós nos situamos — nessa ambiguidade cósmica de tudo isso.”

A divulgação de Cosmic Dawn

Metal Na Lata: quanto à divulgação do novo disco, há shows agendados posteriormente a seu lançamento?

Sean Rivera:

“Vamos fazer um grande show na nossa cidade natal com as bandas Glowing Brain e Soft Curse — vai ser inesquecível.”

Considerações finais sobre a entrevista

Metal Na Lata: antes de mais nada, aqui respiramos Rock/Metal, e sempre que possível queremos ouvir os artistas. Dessa forma, esse espaço serve para que você comente algo que não perguntei ou, simplesmente, fale o que sentir vontade de dizer. O espaço é seu.

Sean Rivera:

“Amamos o rock and roll e amamos qualquer um que celebre o espírito do rock and roll — salve o Coffin Lord.

“Além disso, apoiem a Bitter End Records e a cena de Santa Rosa. Ouçam Laceration, Vile Rites, Barren Altar, Hexen House, Incredulous, Scythe, Intrinsic Maleficence, Treccelence e Blighted Elder.”

Metal Na Lata:

Obrigado pelas dicas e, desde já, espero por novidades do Coffin Hunters.

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