Blasfemador – “Malleus Maleficarum” (2026)
Independente
#SpeedMetal #ThrashMetal #BlackMetal
Para fãs de: Venom, Midnight, Flageladör, Motörhead
Texto por: Lucas David
Nota: 8,0
Chegando ao seu terceiro álbum de estúdio e apostando em uma sonoridade carregada de agressividade, blasfêmias e uma temática baseada no horror, o Blasfemador apresenta seu novo ataque sonoro na forma de Malleus Maleficarum. O grupo de Fortaleza, que bebe da fonte do Speed e Thrash Metal de bandas como Venom e, além disso, trabalha com letras cantadas em português, tem se mostrado uma das grandes forças do underground nacional, praticando um som que não deseja ser nada mais do que direto, sujo, veloz, sem medo e sem concessões.
Logo de cara, começando pela incrível arte feita pelo artista Emerson Maia, a banda consegue traduzir visualmente toda a sonoridade apresentada em Malleus Maleficarum. A capa, sombria e brutal, chama a atenção imediatamente e, dessa forma, estabelece uma conexão perfeita com a proposta do disco.
A produção também tem seu mérito. Afinal, consegue capturar toda a brutalidade da banda, mantendo tudo o mais cru e agressivo possível e, ainda assim, de uma forma satisfatória de se ouvir. Além disso, cada instrumento possui seu devido destaque, sem deixar tudo embolado ou enrolado.
Após uma breve intro, a faixa-título chega com um som que vai crescendo até despencar em riffs rápidos e cortantes de Igor Shredd, acompanhados por um lick que lembra muito a banda Whiplash. Na sequência, os vocais de Fabrício Maleficarum são intimidadores e cospem as palavras de uma forma venenosa, enquanto relatam o terrível momento em que as mulheres foram executadas durante a famosa “caça às bruxas”.
Por sua vez, “Lilith” aumenta ainda mais a velocidade com ótimos riffs e um solo fritador. Além disso, a bateria insana de Romário Bruxo contribui para manter a faixa em constante estado de tensão, enquanto Fabrício entrega mais uma ótima performance vocal.
Já “O Peso da Sobrevivência” é mais pesada e mantém a velocidade, porém deixa de lado o campo do horror e aposta em uma letra que aborda o nosso dia a dia e os sofrimentos do ser humano em busca de sobreviver ao mundo em que vivemos. Ainda assim, a faixa não perde a identidade do álbum e mantém a agressividade característica do Blasfemador.
Mais uma vez, há destaque para um solo incrível, assim como para o baixo pulsante de Augusto Índio e para a bateria rápida e marcante de Bruxo. Dessa maneira, a faixa consegue equilibrar peso, velocidade e uma abordagem lírica mais próxima da realidade cotidiana.
Enquanto isso, “A Motosserra” mantém a velocidade e apresenta uma enxurrada dos melhores solos do disco. Consequentemente, a música se torna outro dos momentos de destaque de Malleus Maleficarum, especialmente para quem procura aquele espírito mais visceral e descompromissado do Metal underground.
Por outro lado, “Satanic Rock N’ Roll” apresenta um ritmo mais despojado e “alegre”, lembrando muito o Motörhead. A fórmula é simples, mas, justamente por isso, extremamente eficiente, funcionando como uma mudança de clima sem comprometer a essência agressiva do álbum.
No geral, o Blasfemador aposta em uma sonoridade direta, rápida e com muita atitude. O disco não é uma revolução do gênero e, mesmo contando com bastante técnica de cada integrante, não depende de grandes firulas ou partes intrincadas.
Ainda assim, é justamente essa ausência de excessos que favorece a proposta. Malleus Maleficarum é um álbum extremamente divertido e que não busca agradar a todos. E é exatamente isso que faz dele um ótimo trabalho.
Portanto, se você procura uma banda que mantenha viva a essência mais suja, veloz, blasfema e descompromissada do Metal extremo, o Blasfemador merece sua atenção. Ouça sem medo e no volume máximo!