Sonata Arctica – Audio Club, São Paulo/SP (03/10/2026)

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Sonata Arctica – Audio Club, São Paulo/SP (03/10/2026)

Produção: Honorsounds e Till Dawn They Count
Texto por: Ana Clara Salles
Fotos por: Alessandra Rosato

Em 2025, o Sonata Arctica foi uma das atrações do Bangers Open Air. Na ocasião, o show certamente deixou um gostinho de “quero mais” nos fãs brasileiros. Pouco mais de um ano depois, os finlandeses voltaram para os lados de cá, dessa vez para uma noite inteira dedicada a celebrar o legado de uma das maiores bandas de metal melódico e seus 30 anos de carreira.

Dessa vez, a expectativa era ainda maior. Afinal, não se tratava apenas de mais uma passagem pelo Brasil, mas de uma turnê comemorativa que prometia revisitar diferentes momentos da trajetória da banda

Noturnall: peso, virtuosismo e um frontman no meio da galera

Se a missão de uma banda de abertura é aquecer o público para o que vem depois, o Noturnall parece ter entendido o recado. O quarteto brasileiro, formado por Thiago Bianchi (vocais), Guilherme Torres (guitarra), Saulo Xakol (baixo) e Henrique Pucci (bateria), entregou um show que foi muito além do papel de coadjuvante.

Logo em “Try Harder”, primeira música do set, Bianchi demonstrou uma das principais forças da banda ao vivo: sua potência vocal. Enquanto isso, a cozinha funcionou muito bem, e Guilherme encontrou espaço para mostrar seu virtuosismo na guitarra. O único porém ficou por conta do som, que chegou um pouco embolado, pelo menos para quem estava na pista VIP.

Em “Shallow Grave”, ficou ainda mais evidente outra qualidade de Thiago Bianchi: ele é um baita frontman. Comunicativo e completamente à vontade no palco, conduziu a plateia durante toda a apresentação.

Na sequência, “Scream! For!! Me!!!”, composta em conjunto com Mike Portnoy, trouxe outro momento marcante. Bianchi ensaiou o refrão com a galera e, pouco depois, já estava literalmente no meio dela. É bom demais ser fã de heavy metal!

Pouco a pouco, a distância entre palco e pista praticamente desapareceu. Em determinado momento, Bianchi foi ainda mais longe e se jogou sobre o público. O vocalista transformou a apresentação em uma experiência bastante física, mantendo a energia alta até os minutos finais.

Por outro lado, o repertório curto deixou pouco espaço para a banda explorar outras possibilidades. Ainda assim, o Noturnall aproveitou cada minuto disponível e entregou uma apresentação bastante direta.

Com “Nocturnal Human Side” encerrando a apresentação, a banda deixou o palco e o terreno mais do que preparado para o que estava por vir.

Setlist:

Try Harder
No Turn at All
Reset the Game
Sugar Pill
Shadows (Walking Through)
Shallow Grave
Scream! For!! Me!!!
Nocturnal Human Side

Sonata Arctica: um karaokê ao vivo

A introdução para o principal show da noite ficou por conta de um clássico do AC/DC, que perguntava para a plateia: “Are You Ready?”. E a resposta só poderia ser uma: sim, estávamos.

“I Have a Right” foi responsável por abrir o show. A escolha funcionou perfeitamente e foi cantada em uníssono pelos presentes. Entretanto, não dá para deixar de mencionar um ponto negativo: durante quase toda a música, Tony Kakko ficou de costas para o público e de frente para o símbolo inflável da banda, que ocupava o meio do palco. Um pouco desnecessário, talvez?

Na sequência, vieram “Black Sheep”, “Paid in Full” e “Last Drop Falls”, essa última com direito a pedido de casamento bem perto de mim. Sem dúvida, um baita momento.

Logo depois de “Tallulah”, Tony Kakko perguntou se talvez não fosse a hora de “aumentar a velocidade”. Diante da resposta do público, a banda atacou com “8th Commandment”, recuperando o DNA do power metal que ajudou a colocar os finlandeses no mapa.

Contudo, havia uma preocupação adicional naquela noite. O vocalista havia enfrentado problemas de saúde poucos dias antes e o show de Montevidéu precisou ser cancelado. Por isso, desde os primeiros momentos em São Paulo, era impossível não prestar atenção à condição de sua voz.

Em alguns trechos, Kakko preferiu cantar sentado. Também foi possível perceber momentos de maior esforço durante a apresentação. Ainda assim, o vocalista seguiu em frente e encontrou maneiras de manter a comunicação com a plateia.

Esse contexto torna a entrega ainda mais interessante. Não se tratava de ignorar qualquer limitação, mas de observar como um músico com três décadas de carreira administra uma situação adversa diante de milhares de pessoas.

A partir daí, a banda passeou por diferentes fases da carreira com “Closer to an Animal”, “Letter to Dana” e “Shy”. Esta última, particularmente, me remeteu aos tempos de adolescência, quando a gente tinha tempo de se juntar na casa dos amigos para passar a tarde inteira ouvindo música.

Depois, “White Pearl, Black Oceans…” trouxe uma das composições mais ambiciosas da trajetória da banda para aquela celebração de três décadas.

Já “FullMoon” foi recebida pelo público como se espera de um clássico: com emoção, coro e todo mundo junto cantando o refrão.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes forças do Sonata Arctica. Algumas dessas músicas deixaram de ser apenas músicas de uma banda finlandesa. Com o passar dos anos, elas passaram a fazer parte da vida de quem as ouviu durante décadas.

“Letter to Dana”, “Tallulah”, “Shy” e “FullMoon” carregam memórias diferentes para cada pessoa. Para alguns, lembram adolescência. Para outros, amizades, relacionamentos, viagens ou simplesmente aquela época em que um determinado disco parecia acompanhar todos os dias da vida.

Entre uma música e outra, Tony também aproveitou para conversar com a plateia e reconhecer a importância dos fãs na trajetória da banda. Afinal, são três décadas de uma relação construída em torno de músicas que atravessaram diferentes fases da vida de muita gente.

O bis começou com “The Last Amazing Grays” e seguiu para “Don’t Say a Word”. Depois, “Vodka” apareceu como um fechamento descontraído para a noite, deixando o público em um clima diferente daquele construído pelas músicas mais emotivas do repertório.

O público fez sua parte. Cantou praticamente tudo, respondeu aos chamados de Kakko e transformou vários momentos do show em um enorme coro coletivo.

Entre refrões cantados em uníssono, baladas que emocionam e guitarras aceleradas, fica aquela sensação: 30 anos se passam, a gente envelhece, as bandas crescem, mas algumas coisas continuam funcionando exatamente como antes. Ainda bem.

Setlist:

I Have a Right
Black Sheep
Paid in Full
Last Drop Falls
Tallulah
8th Commandment
Closer to an Animal
Letter to Dana
White Pearl, Black Oceans
Shy
Full Moon
The Last Amazing Grays
Don’t Say a Word

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