Europe – “Come This Madness” (2026)

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Europe – “Come This Madness” (2026)

Silver Lining Music
#HardRock #ClassicRock #HeavyMetal

Para fãs de: Scorpions, Whitesnake, Dokken

Texto por: Lucas David

Nota: 9,0

Mantendo o legado que construiu ao longo de quase quatro décadas, o Europe continua entregando faixas grandiosas, feitas para as arenas. Desde o megahit “The Final Countdown”, os suecos buscam criar músicas divertidas e energéticas, capazes de nos transportar diretamente aos anos 80. Agora, essa identidade ganha um novo capítulo com Come This Madness.

Apostando em um hard rock mais sóbrio, sem os exageros do glam, Come This Madness apresenta guitarras pesadas, cortesia da lenda John Norum, teclados que conferem tons épicos às composições e os vocais potentes de Joey Tempest. Além disso, a ótima produção contribui para o resultado. A modernidade aparece na medida certa, trazendo frescor à banda sem sacrificar sua essência clássica. Ao mesmo tempo, os riffs mais pesados e marcantes reforçam a personalidade do álbum.

Outro destaque é a incrível arte de capa, criada pelo Storm Studios, responsável por trabalhos para Pink Floyd, Led Zeppelin e Muse. Seus detalhes e inscrições merecem alguns minutos de atenção.

Falando das músicas, “One on One” abre o disco com uma linha de baixo incrível de John Levén, logo acompanhada pela bateria pesada de Ian Haugland, em um ritmo repleto de groove. Na sequência, o riff principal de Norum conduz a faixa com maestria, enquanto os teclados de Mic Michaeli criam uma atmosfera épica.

Já “The Cult of Ignorance” aposta em sintetizadores espaciais no início, substituídos por um ótimo teclado que remete imediatamente ao Deep Purple. O riff principal da guitarra também bebe nessa fonte, enquanto o refrão apresenta a grandiosidade característica do Europe. Certamente, é uma composição feita para os palcos. Além disso, o solo de Norum se destaca pela melodia e precisão: sem grandes firulas, mas ainda assim belíssimo.

A faixa-título está entre as mais pesadas do álbum, com uma abordagem próxima do heavy metal nas guitarras e na bateria. Aqui, Tempest entrega uma de suas melhores performances, alternando passagens mais contidas com toda a potência vocal no refrão. Os vocais de apoio de Michaeli tornam o conjunto ainda mais imponente. Embora mantenha o espírito do hard rock oitentista, a música não abre mão de uma sonoridade densa. Para completar, Norum apresenta outro solo arrebatador, desta vez explorando mais velocidade.

Em contrapartida, a balada “This Time of Year” aposta na beleza e no apelo melódico. Conduzida pelos teclados de Michaeli, a composição ganha ainda mais emoção com Tempest cantando cada palavra com paixão. Isoladamente, funciona muito bem. Entretanto, senti uma queda na energia do álbum após três faixas mais pesadas. Isso não diminui sua grandiosidade, mas acaba retirando um pouco do brilho da sequência.

Retomando a energia, “Scandinavian Eyes” surge com ares de hino. Depois de uma introdução com sintetizadores, a faixa explode em um riff de guitarra matador, acompanhado por um baixo pulsante e uma bateria robusta. No refrão, a banda reduz o ritmo; ainda assim, é justamente nesse momento que Tempest brilha com excelentes linhas vocais. Enquanto isso, o espírito do Deep Purple retorna por meio dos teclados, que criam a base perfeita para mais um solo de guitarra repleto de melodia e técnica. Sem dúvida, é uma das músicas com maior potencial para fazer sucesso ao vivo, graças à energia contagiante.

Próximo do fim, “The Devil’s Back” se apresenta como a faixa mais pesada do disco. Seu riff principal possui um groove incrível, daqueles que convidam imediatamente a bater cabeça. Os versos são simples, mas conduzem a um refrão extremamente cativante. Além disso, a melodia principal é envolvente e fica gravada na memória logo na primeira audição. A riqueza instrumental se mantém até o encerramento, quando fica evidente a liberdade que Norum teve para improvisar. O resultado é mais um momento memorável em um álbum que já se destaca por sua consistência.

No geral, Come This Madness apresenta um Europe mais pesado e moderno, explorando uma sonoridade que a banda conhece bem e executa com maestria. Ao longo dos anos, sua versatilidade permitiu que o grupo chegasse até aqui sem depender exclusivamente do passado. Pelo contrário, os suecos olham para o futuro enquanto celebram a própria história com um trabalho maravilhoso.

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