Fabiano Negri & Bebê Diabo – “The Lord’s Curse” (2026)

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Fabiano Negri & Bebê Diabo – “The Lord’s Curse” (2026)

Independente

#HeavyMetal #HardNHeavy #ClassicRock

Para fãs de: Iron Maiden, Judas Priest, Metallica

Por: Cristiano Ruiz

Nota: 9,5

Desde que ouvi Fabiano Negri & Bebê Diabo pela primeira vez, já sabia que muita coisa boa viria no futuro. Quando lançou seu álbum de estreia, The Outlaw’s Journey, o quarteto deixou aquele prazeroso gostinho de quero mais, assim como a certeza de que a alta qualidade estaria garantida em tudo que lhe sucederia. Foi então que, em 02/10/2026, The Lord’s Curse, seu segundo full-length, foi lançado e, dessa forma, a comprovação de tais expectativas teve início.

Da mesma forma que em seu debut completo, Fabiano Negri & Bebê Diabo manteve toda a sua riqueza de influências, tanto da década de 70 quanto da de 80. No entanto, claramente, buscou algo mais sombrio em sua música e essa foi a principal diferença entre os dois lançamentos. Quem já gostou de The Outlaw’s Journey pode gostar ainda mais de The Lord’s Curse.

Dito isso, sem mais delongas, vamos à análise de mais essa obra-prima do Heavy nacional.

Abrindo The Lord’s Curse, “Highlands”

“Highlands” é o pontapé na porta de The Lord’s Curse, já que o introduz de forma avassaladora. Sem surpresa alguma para quem o acompanha, Negri mostra toda a sua competência vocal, ainda assim, ele não é o principal destaque aqui. A linha de baixo de Ian Absurd, que por acaso é filho de Fabiano, dá mais peso e intensidade a essa faixa de abertura.

Além disso, a produção da bateria de Pedro Quintans, principalmente o timbre escolhido para sua caixa, dá mais ênfase à sua performance, a qual agrada a quem a ouve.

Por último, mas não menos importante, o trabalho da dupla de guitarristas, Fabiano Negri e Igor Russo, é impecável, em riffs e solos, lembrando os melhores momentos do Iron Maiden, ainda que com uma assinatura própria.

“You’ll See The Light Of The Morning Star”

Em seguida, “You’ll See The Light Of The Morning Star” faz lembrar, de modo discreto, da sonoridade 70’s do Judas Priest. Antes que haja confusão, esclareço que essa referência de audição é totalmente subjetiva. Sou tão louco por Judas Priest que tento encaixar minha paixão em qualquer obra de Heavy que eu goste muito de ouvir.

“You’ll See The Light Of The Morning Star”, que em português significa “Você Verá a Luz da Estrela da Manhã”. Ou seja, sua letra poderia ser uma pegadinha lírica. A “Estrela da Manhã” ora pode se referir a Lúcifer, ora pode se referir a Jesus. Mas no caso de Fabiano Negri e Bebê Diabo, Lúcifer é o próprio narrador da história. Em suma, a bela canção é sobre a luz que engana, a falsa esperança e a tentação.

Belíssimo tema!

“Greetings From Sadness”

Assim que ouço a introdução de “Greetings From Sadness”, transporto minha mente, automaticamente, aos anos mais prolíficos para o Heavy Metal e Hard Rock. Um instrumental impecável se une a uma voz cheia de recursos a fim de levar ao ouvinte a música que o mesmo demanda e merece. Muitos que a ouvirem podem mencionar Iron Maiden, outros Judas Priest, porém eu a entendo como parte da alma do Bebê Diabo.

O Bebê Diabo não surgiu no intuito de despertar o mal, mas sim de denunciá-lo àqueles que de verdade entendem o Heavy Metal em sua essência. Eu, como alguém que batalha contra a depressão há bastante tempo, me identifiquei com a letra de “Greetings From Sadness”, pois ela descreve como eu me sinto na maioria das vezes. Contudo, a alegria pode e deve nascer e a música de qualidade é um remédio para essa finalidade.

“The Lord’s Curse”

A faixa-título é, ao mesmo tempo, a mais pesada do álbum e a que traz a temática mais agressiva, niilista e sincera. O homem não é imagem e semelhança da divindade, mas sim a sua maldição. Portanto, a humanidade tem que pagar com a tristeza e a dor no mundo tridimensional até que saia desse estágio ainda primitivo. De tanto temer o inferno, o construímos em nossa própria casa. Resumindo, estamos no inferno e a nossa luta deve ser para evoluir e superá-lo.

A voz de Negri transmite de forma emocionada tudo que supramencionei anteriormente. Como plus e cereja do bolo, um instrumental que empolga torna o resultado musical ainda mais impactante. Encontrei aqui, enfim, minha composição favorita desse excelente trabalho.

“Hollow Gift”

Antes de mais nada, não há possibilidade alguma de ouvir “Hollow Gift” e não lembrar dos melhores momentos da Donzela de Ferro. Inclusive, em certos momentos, Negri incorpora Blaze Bayley, enquanto remete a Bruce Dickinson em outros. Os duetos de guitarras tornam todo esse contexto ainda maior.

Na parte final da música, tudo muda: um trecho instrumental mescla Prog Rock e Fusion, furando a bolha da sonoridade e tornando-a mais sofisticada, mesmo que por apenas um pequeno trecho. É muito bom ser surpreendido em uma audição, principalmente dentro de um disco que já, a princípio, não estava óbvio.

Supreender-se é quase sempre a melhor parte de uma audição.

“Flying Towards The End”

A bateria e o baixo brilham na introdução de “Flying Towards The End” e, na sequência, a voz de Negri a invade, trazendo consigo o feeling e a técnica que, inegavelmente, fazem a diferença. Os riffs e solos de guitarra tão somente adicionam drama a toda essa emoção.

Embora a música seja uma linguagem livre, técnica e musicalidade sempre devem ser respeitadas dentro das mais variadas composições. Não, isso não significa limitação, mas tão somente zelo pelos ouvidos alheios. Fabiano Negri & Bebê Diabo é um exemplo positivo de criatividade, feeling, técnica e profissionalismo.

“Scarred Bloody Soldier”

Aquela típica pegada da NWOBHM é a marca de “Scarred Bloody Soldier”, entretanto, sem abrir mão da personalidade do Bebê Diabo. Quanto à letra, essa é sua melhor parte.

Se “The Lord’s Curse” fala que a humanidade é a maldição de Deus, “Scarred Bloody Soldier”, por sua vez, mostra como essa maldição funciona na prática. A gente cria heróis descartáveis pra manter os “filthy thugs” no poder. Em outras palavras, aqui é Heavy Metal de protesto, na linhagem de “Disposable Heroes” do Metallica ou “The Trooper” do Iron Maiden, só que sem romantizar nada.

“The Fisherman”

Cabe à canção “The Fisherman” encerrar The Lord’s Curse, segundo álbum completo da discografia do quarteto Fabiano Negri & Bebê Diabo. Por tudo que a audição já rende de elogiável até esse ponto, seria impossível que o encerramento viesse com algo abaixo disso. Aliás, essa seria a música mais pesada e sombria do tracklist, não fosse a sua faixa-título. Mesmo assim, a sua melhor parte ainda ficou por conta de sua temática lírica.

Ainda que à primeira vista pareça falar do apóstolo Pedro, “The Fisherman” é, na verdade, a sua desconstrução completa. Não há mãe santa, nem orgulho de carpinteiro, tampouco milagres ou ressurreição. O que existe é um homem nascido na sarjeta, que queima as redes e transforma a esperança em arma contra o Império.

Enquanto a igreja vende misericórdia e conta prata, ele enxerga como a lâmina brilha à noite e decide caçar os mestres. Por fim, não há fantasma no jardim, nem buraco na caverna, nem mão vinda das nuvens para tirá-lo da cova. Há apenas um cadáver numa madeira, uma revolução fracassada e a infecção do ódio que ainda está por vir.

Conclusão

Quem apostou que The Lord’s Curse manteria o nível de The Outlaw’s Journey se enganou, pois ele o superou. Eu que acompanho Fabiano Negri através de suas redes, cada vez me surpreendo mais com o fortalecimento de sua musicalidade.

Encerrando, indico a audição de The Lord’s Curse aos amantes de Heavy Metal e, igualmente, aos apreciadores de boa música.

Parabéns, Fabiano Negri & Bebê Diabo, pelo segundo registro de sua discografia e que venham os próximos.

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