Cadaver – “Hallucinating Anxiety” (1990) (Relançamento 2025)

Cadaver
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Cadaver – “Hallucinating Anxiety” (1990)
(Relançamento 2025)

Listenable Records
#DeathMetal #ThrashMetal #Deathgrind

Para fãs de: Cancer, Necrophagia, Morgoth e Benediction

Texto por: Lucas David

Nota: 9,0

Enquanto a Noruega começava a revelar os primeiros trabalhos do que se tornaria conhecido como “True Norwegian Black Metal”, algumas bandas seguiam na direção oposta. O foco estava no lado mais extremo e sujo do metal. Formado em 1988, o Cadaver foi uma das primeiras bandas de Death Metal do país, entregando um som cru e carregado de Thrash Metal.

Em 1990, a banda lançou seu disco de estreia, “Hallucinating Anxiety”. A intenção era clara: apresentar mais do que apenas um álbum, mas uma declaração de guerra contra o som polido de outras bandas. Naquele período, o Black Metal também seguia esse caminho de ruptura. Além disso, a gravação crua ajudou a preservar a atmosfera sufocante e agressiva do trabalho. Assim, o disco se tornou um retrato de uma geração forjada no underground, marcada pela criatividade e pela atitude.

Porém, mesmo sendo um marco para o metal extremo norueguês, a banda não ficou totalmente satisfeita com o resultado final. Alguns aspectos ainda precisavam de melhorias. Nesse contexto, Anders Odden (guitarra e vocal) resolveu trazer o disco para os dias atuais. Para isso, investiu em uma mixagem aprimorada, realizada por Patrick W. Engel no Temple of Disharmony. O relançamento também apresenta uma nova capa, com arte de Daniele Valeriani (Mayhem, Dismember e Dissection), além de mudanças na lista de faixas.

Dessa forma, essa nova versão apresenta um clássico do estilo a outra geração de fãs. Ao mesmo tempo, mantém acesa a chama do Death Metal praticado pelo Cadaver.

Em relação às músicas, um dos destaques é a bateria, agora mais potente e marcante. As ótimas passagens de Ole Bjerkebakke soam ainda mais precisas e robustas. Além disso, as guitarras ganharam peso, com riffs excelentes que emergem em meio à cacofonia da bateria e aos vocais poderosos e monstruosos de Odden.

“March of The Collapse” funciona como uma breve introdução. Seu riff principal se estende até a faixa seguinte, “Twisted Collapse”. Nela, ótimas passagens desembocam em um blast beat insano. A música apresenta diversas mudanças de andamento e evidencia a veia progressiva que a banda já possuía naquela época.

Na sequência, “Corrosive Delirium” mantém a velocidade elevada, com blast beats e guitarras dissonantes. Enquanto isso, o baixo pulsante percorre a composição e forma uma cozinha potente com a bateria.

Já “Abnormal Deformity” começa com uma levada mais contida. Gradualmente, a velocidade aumenta, mas o peso e as passagens sujas continuam em evidência. A guitarra merece atenção pelos riffs próximos do Death/Doom do Autopsy. Por sua vez, os vocais ficam mais guturais e se aproximam do Goregrind.

“Cannibalistic Dissection” apresenta ótimas mudanças de andamento. Embora os momentos velozes se destaquem, as variações ajudam a construir uma sonoridade sufocante. Ao mesmo tempo, a música parece empurrar o ouvinte para a beira de um penhasco. Os riffs seguem uma linha mais próxima do Thrash Metal, criando um contraste interessante com os vocais carregados de podridão de Odden.

A faixa-título chega ainda mais pesada, com um riff incrível e vocais sujos, feitos para incomodar os mais sensíveis. Além disso, a bateria conduz as mudanças de andamento com precisão e agressividade. Mesmo com as melhorias na produção, a essência do trabalho permanece intacta. Principalmente nessa música, os jovens músicos demonstram energia e atitude de sobra.

Trazer uma nova versão de um clássico à luz é uma iniciativa comum entre bandas. Afinal, a tecnologia atual pode melhorar a qualidade sonora de gravações antigas. Felizmente, o Cadaver soube dosar esses recursos e aprimorou a agressividade de um trabalho fundamental para a cena.

Por isso, “Hallucinating Anxiety” continua sendo uma ótima porta de entrada para conhecer uma banda influente. O relançamento também comprova que o metal da morte sempre esteve em boas mãos, mesmo nas profundezas do underground.

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