A Tribute To Metallica’s ‘Kill’Em All’ – “No Life ‘Till Leather” (2026)

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A Tribute To Metallica’s ‘Kill’Em All’ – “No Life ‘Till Leather” (2026)

Silver Lining Music | Hellion Records Brazil
#HeavyMetal #ThrashMetal #Metal

Texto por Johnny Z.

Nota: 9,0

O álbum de estreia do Metallica, lançado originalmente em 1983, Kill ’Em All, foi um verdadeiro divisor de águas. A partir daquele momento, o heavy metal ganhou mais velocidade, mais agressividade e uma atitude quase punk que ajudaria a moldar o thrash metal como o conhecemos hoje. Dá até para dizer, sem exagero, que o metal passou a ter duas fases muito claras: antes de Kill ’Em All e depois de Kill ’Em All.

Quase quatro décadas e meia depois, No Life ’Til Leather: A Tribute To Metallica’s Kill ’Em All aparece como uma celebração apaixonada desse álbum fundamental. O interessante aqui é que o tributo reúne nomes que ajudaram a influenciar o próprio Metallica e também artistas que cresceram ouvindo aquela avalanche sonora dos anos 80. O disco funciona como uma espécie de encontro entre gerações do metal, todas orbitando um álbum que continua absolutamente relevante.

“Hit The Lights” abre o tributo com a mesma energia juvenil que marcou a gravação original. O Tailgunner assume a missão com entusiasmo e entrega uma versão veloz, direta e cheia de atitude. As guitarras vêm afiadas, o ritmo corre sem freio e dá aquela sensação de urgência que sempre fez dessa música um manifesto do thrash metal nascente. É o tipo de abertura que imediatamente coloca o ouvinte no clima do disco.

Em “The Four Horsemen”, o The Almighty traz uma abordagem mais pesada e encorpada. A música ganha um clima quase apocalíptico, com riffs densos e um andamento que valoriza ainda mais o peso da composição. A interpretação mostra como essa faixa continua funcionando perfeitamente quando recebe uma roupagem um pouco mais moderna e robusta.

“Motorbreath” aparece de maneira surpreendente na leitura do Soen. Conhecida por sua abordagem progressiva e atmosférica, a banda decide não simplesmente reproduzir a velocidade da versão original. Em vez disso, cria uma interpretação mais densa e hipnótica, com um groove que revela novas nuances da música. O resultado é uma releitura elegante, diferente, mas ainda fiel à tensão que sempre existiu no riff principal.

Quando chega “Jump In The Fire”, os veteranos do Tygers of Pan Tang entram em cena trazendo aquele DNA clássico da New Wave of British Heavy Metal. A música ganha um toque mais melódico e um clima mais tradicional de heavy metal. Há algo muito interessante em ouvir uma banda que ajudou a moldar a sonoridade que inspirou o Metallica revisitando justamente uma das composições do grupo.

(Anesthesia) – Pulling Teeth” surge como o momento instrumental do disco e ganha uma releitura nas mãos de David Ellefson (ex-Megadeth). A peça, eternizada pelo lendário Cliff Burton, continua sendo um dos momentos mais emblemáticos da história do baixo no metal. Em vez de reproduzir cada detalhe da gravação original, Ellefson prefere homenagear o espírito da composição: a famosa introdução com baixo distorcido permanece reconhecível, mas o músico acrescenta pequenas variações melódicas, mudanças de dinâmica e uma timbragem mais moderna, conduzindo o solo de forma um pouco mais estruturada. O resultado preserva a dramaticidade e a atmosfera experimental da peça original, transformando a faixa em uma homenagem sincera de um grande baixista a outro que ajudou a redefinir o papel do instrumento dentro do heavy metal.

“Whiplash” parece encontrar o ambiente perfeito nas mãos do Motörhead. A música sempre carregou aquele espírito sujo e veloz que Lemmy e companhia ajudaram a transformar em marca registrada. Aqui tudo soa cru, agressivo e direto, exatamente como deveria ser. É quase como se a música tivesse sido escrita para a banda desde o início. Um petardo!

Em “Phantom Lord”, o Saxon adiciona um peso clássico à composição. A interpretação destaca o lado mais épico da faixa, com guitarras poderosas e uma atmosfera que remete diretamente ao heavy metal britânico tradicional. O resultado é uma versão sólida, mais polida, e que reforça ainda mais a ligação entre a NWOBHM e o nascimento do thrash metal.

“No Remorse” ganha um significado especial com a participação do Diamond Head. Afinal, a influência da banda sobre o Metallica sempre foi amplamente reconhecida. Aqui acontece uma espécie de círculo histórico curioso: os mestres revisitando a música de quem foi inspirado por eles. A interpretação mistura agressividade e aquele toque clássico que sempre definiu o som da banda. Super interessante!

Quando chega “Seek & Destroy”, o Testament assume o comando com autoridade. A banda transforma o riff clássico em uma verdadeira muralha sonora, deixando tudo ainda mais pesado e ameaçador. Os vocais de Chuck Billy adicionam uma ferocidade extra, reforçando o caráter de hino thrash que essa música carrega desde os anos 80.

O encerramento fica por conta de “Metal Militia”, nas mãos do Raven. A escolha não poderia ser mais apropriada, já que a banda dividiu palcos com o Metallica no início da carreira durante a lendária turnê Kill ’Em All For One. A versão resgata exatamente aquela sensação de caos controlado que sempre marcou o underground do heavy metal. É rápida, barulhenta e cheia de atitude, fechando o tributo com a mesma energia que ajudou a construir a história do thrash metal. Vale sua atenção especial a essa faixa, pois vai notar ‘algumas coisinhas’ que não tinham na faixa original e que vai lhe agradar muito!

No Life ’Til Leather: A Tribute To Metallica’s Kill ’Em All vai muito além de um simples álbum de covers. Ele funciona como um lembrete poderoso do impacto que Kill ’Em All teve — e ainda tem — dentro do heavy metal. Cada banda aqui presente traz sua própria identidade para as músicas, e isso acaba sendo justamente o que torna o tributo tão interessante. Em vez de tentar recriar o disco original, o álbum mostra como essas composições continuam vivas, influentes e perfeitamente capazes de atravessar gerações. Compre de olhos fechados!

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