Abrahma – “In Time For The Last Rays Of Light” (2019)
Small Stone Records | Deadlight Entertainment
#AtmosphericDoomMetal, #PsychedelicStonerRock, #ProgressiveDoomMetal
Para fãs de: Yob, Alice in Chains, Pallbearer, Even Vast, Greyswan
Nota: 9,0
Creio que o Abrahma seja a terceira ou quarta banda francesa que a sorte ou o destino me lança aos ouvidos, e quase que se tornando uma tradição, novamente sou agraciado com uma surpresa fascinante, pois “In Time For The Last Rays Of Light”, é um disco amplo em sonoridade e vasto em conteúdo.
Musicalmente, os enredos do disco vão do Stoner Doom ao Metal Atmosférico e Progressivo, mas conta com um ingrediente inusitado que lhe caiu feito luva, o Grunge; aquele marasmo e melancolia da turma de Seattle deram ao trabalho tons pálidos, confessionais e altamente introspectivos.
Há dois trunfos inquestionáveis no mesmo; a voz e interpretação de Sébastien Bismuth, que por vezes lembra o falecido Layne Stanley (Alice In Chains), sua voz emoldura as composições com toda a dramaticidade e tensão que elas necessitam; o outro trunfo é a dupla de guitarristas composta por Florian Leguillon e Benoît Carel, atentem-se aos riffs, solos e passagens melódicas que eles criam – “feeling”, diriam os entendidos no assunto.
Seria injusto e prosaico citar melhores faixas ou eleger favoritas, tendo em consciência que isso imporia limites a beleza e grandiosidade do álbum, mas indo pela teimosia como qualidade pessoal, indicarei aquelas, que para mim são os pontos mais altos entre tantos pontos dessa cordilheira que é “In Time For The Last Rays Of Light: “Lost. Forever”, densa, taciturna e dona do melhor refrão do disco; a letárgica “Eclipse Of The Sane Pt.1: Isolation Ghosts” e sua continuação, “Eclipse Of The Sane Pt.2: Fiddler Of The Bottle”; e a sensacional “Wander In Sedation”, arrastada e dona de mais um belo refrão, com pitadas de Depressive Rock à la End Of Green e que em seus minutos finais ganha mais peso e velocidade remetendo a sonoridade do Post-Metal.
É perceptível que o Abrahma, tem um longo e promissor caminho pela frente, bons adjetivos não lhe faltam, que o destino faça sua parte de modo favorável e que mais pessoas conheçam o seu som.
Fábio Miloch
