AC/DC: Meio Século de Rock N’ Roll, Um Legado Imortal e o Retorno Histórico ao Brasil
Texto por Johnny Z.
Pouquíssimas bandas na história da música popular conseguiram alcançar o que o AC/DC construiu ao longo de mais de cinco décadas: atravessar gerações, sobreviver a mudanças profundas na indústria fonográfica, enfrentar perdas internas devastadoras e, ainda assim, permanecer relevante, colossal e absolutamente fiel à própria identidade. Fundada em 1973, na Austrália, pelos irmãos Angus Young e Malcolm Young, a banda não apenas ajudou a definir os contornos do classic rock e do hard rock moderno, como se tornou um de seus pilares mais sólidos — um verdadeiro arquétipo do rock em sua forma mais direta, energética e honesta.
Desde os primeiros passos no circuito australiano até a consagração global, o AC/DC construiu uma identidade sonora inconfundível baseada em riffs cortantes, grooves implacáveis e uma atitude que jamais se rendeu a modismos. Em um cenário musical frequentemente pautado por reinvenções artificiais, o grupo fez da objetividade sua maior força, transformando economia de recursos em impacto máximo. O resultado é um catálogo de canções que atravessa décadas sem perder potência, embalando diferentes gerações de fãs e mantendo o AC/DC como uma das bandas mais influentes e bem-sucedidas da história do rock.
Em fevereiro e março, o AC/DC retorna ao Brasil para um momento que já se desenha como histórico. Com realização da Live Nation e ingressos esgotados em questão de poucas horas, a banda desembarca em São Paulo para três apresentações no Estádio MorumBIS, encerrando um hiato de quase duas décadas longe dos palcos brasileiros. Mais do que simples shows, essas datas simbolizam um reencontro aguardado com devoção por fãs de diferentes idades e representam a celebração viva de uma trajetória que não apenas acompanhou a história do rock, mas ajudou a moldá-la. Será, acima de tudo, a confirmação de que o AC/DC segue sendo o que sempre foi: uma força da natureza amplificada por guitarras, suor e Rock N’ Roll em estado bruto.

Crédito: Autor Desconhecido/Reprodução
Da Austrália para o Mundo: A Construção de um Monstro Sagrado do Rock
O AC/DC nasceu em Sydney, em plena efervescência do chamado pub rock australiano, um circuito marcado por apresentações intensas, volumes ensurdecedores e uma relação direta, quase física, entre banda e público. Desde os primeiros ensaios, a proposta dos irmãos Angus Young e Malcolm Young era clara e inegociável: fazer Rock N’ Roll cru, alto e direto ao ponto, sem adornos supérfluos, mas sustentado por um groove hipnótico. Essa filosofia simples, porém rigorosa, se tornaria a base de uma das identidades mais sólidas e duradouras da música pesada.
Com Bon Scott assumindo os vocais — em substituição a Dave Evans, vocalista original que permaneceu pouco tempo na banda e gravou apenas um single —, Angus Young e Malcolm Young nas guitarras, Phil Rudd na bateria e Mark Evans no baixo (1975–1977), o AC/DC lançou uma sequência de álbuns que rapidamente se tornaram cultuados, primeiro na Austrália e, em seguida, no restante do mundo. Discos como High Voltage, Dirty Deeds Done Dirt Cheap e Let There Be Rock apresentavam uma banda irreverente, perigosa e carregada de atitude, cuja sonoridade combinava blues amplificado, riffs cortantes e letras que exalavam humor ácido, provocação e hedonismo. Era um rock aparentemente despretensioso, mas devastador em seu efeito.

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A entrada de Cliff Williams no baixo, em 1977, trouxe ainda mais solidez rítmica ao grupo e marcou o início da formação que se tornaria sinônimo do AC/DC clássico. Pouco depois, a banda deu um passo decisivo rumo ao estrelato internacional com Powerage e Highway to Hell, álbuns que ampliaram seu alcance comercial sem comprometer a identidade construída nos palcos e estúdios australianos. O AC/DC deixava de ser apenas um fenômeno cult para se firmar como uma força global em plena ascensão.
A morte trágica de Bon Scott, em fevereiro de 1980, aos 33 anos, representou um choque profundo e parecia colocar um ponto final na trajetória da banda. No entanto, em uma das decisões mais emblemáticas da história do rock, o AC/DC optou por seguir em frente. A escolha de Brian Johnson como novo vocalista não apenas preservou a essência do grupo, como abriu caminho para um renascimento artístico sem precedentes. Lançado poucos meses depois, Back in Black foi concebido simultaneamente como tributo a Bon Scott e como afirmação de continuidade. O resultado foi um marco absoluto: um dos álbuns mais vendidos e influentes de todos os tempos, responsável por consolidar definitivamente o AC/DC no panteão do rock mundial.
Nas décadas seguintes, o AC/DC passou por mudanças pontuais em sua formação, sempre mantendo o núcleo criativo e a identidade intactos. Bateristas como Simon Wright e Chris Slade tiveram participações relevantes em diferentes fases da banda, contribuindo para álbuns e turnês importantes. Após o falecimento de Malcolm Young, em 2017, seu sobrinho Stevie Young assumiu a guitarra base, não como um substituto simbólico, mas como alguém profundamente alinhado à linguagem rítmica e ao espírito que Malcolm ajudou a criar.
Atualmente, a formação que retornará ao Brasil pode soar um pouco descaracterizada, mas reflete essa continuidade aliada à adaptação natural do tempo. Ao lado de Angus Young, Brian Johnson e Stevie Young, o AC/DC conta com Chris Chaney no baixo, assumindo o posto anteriormente ocupado por Cliff Williams, e Matt Laug na bateria, substituindo Phil Rudd. Trata-se de uma formação experiente, sólida e plenamente capaz de sustentar, ao vivo, o peso e a energia de um catálogo que atravessou gerações.
É amplamente reconhecido que o AC/DC consolidou uma discografia pautada pela coerência estética e por uma filosofia clara: em vez de reinventar o rock a cada nova tendência, a banda optou por aperfeiçoar sua própria linguagem. Malcolm Young, em especial, estabeleceu um padrão rítmico e de composição que redefiniu o papel da guitarra base no hard rock, transformando riffs simples em estruturas quase arquitetônicas de groove e peso. Essa escolha, frequentemente mal interpretada por parte da crítica, tornou-se o alicerce de sua longevidade e ajudou a transformar o AC/DC em um verdadeiro monstro sagrado do rock — imune ao tempo, às modas e às constantes transformações do mercado.

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A Importância do AC/DC para o Rock Mundial
O AC/DC é frequentemente rotulado como uma banda “simples”, classificação que, à primeira vista, pode soar reducionista, mas que na prática revela uma de suas maiores virtudes. A objetividade de seus riffs, estruturas e grooves ajudou a definir o vocabulário fundamental do hard rock e do heavy metal tradicional, estabelecendo uma linguagem direta, física e universal. Ao eliminar excessos e virtuosismos gratuitos, o grupo criou um modelo sonoro baseado em impacto, repetição hipnótica e comunicação imediata com o público — elementos que se tornariam referência para incontáveis artistas.
Essa abordagem exerceu influência profunda e duradoura sobre diferentes vertentes do rock pesado. O senso de urgência e crueza do punk rock, a construção rítmica do thrash metal dos anos 1980 e até a agressividade direta de estilos extremos carregam, em maior ou menor grau, a marca do AC/DC. Bandas como Metallica, Slayer, Exodus, Guns N’ Roses, Motörhead, Accept e até nomes do death metal como o Six Feet Under já declararam publicamente a importância dos australianos em sua formação musical — seja na maneira de compor riffs, na postura de palco ou na relação visceral com o público.
Mais do que influência técnica, o AC/DC ajudou a redefinir o conceito de peso no rock. A banda provou que intensidade não depende de complexidade e que atitude, identidade e entrega ao vivo podem ser tão — ou mais — determinantes do que habilidade instrumental. Seus shows, historicamente conhecidos pela energia quase ritualística, ajudaram a consolidar o concerto de rock como uma experiência coletiva e catártica, em que banda e plateia compartilham a mesma pulsação.
Os números apenas reforçam essa relevância. Com mais de 200 milhões de discos vendidos em todo o mundo, presença constante em trilhas sonoras de filmes, séries, eventos esportivos e videogames, além de um catálogo que segue sendo descoberto por novas gerações, o AC/DC ultrapassou o status de banda para se consolidar como uma verdadeira instituição cultural global — um símbolo permanente do Rock N’ Roll em sua forma mais pura, direta e atemporal.

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AC/DC no Brasil: Todas as Passagens da Banda pelo País
1985 – Rock in Rio (Rio de Janeiro)
15 e 19 de janeiro de 1985 – Cidade do Rock
O AC/DC foi um dos grandes headliners da primeira edição do Rock in Rio, diante de públicos monumentais que chegaram a centenas de milhares de pessoas. As apresentações da banda, com Brian Johnson nos vocais, Angus Young e Malcolm Young nas guitarras e Simon Wright na bateria, ajudaram a consolidar o festival como um evento de porte mundial. Para o Brasil, ainda recém-aberto a grandes produções internacionais, esses shows marcaram a memória coletiva do rock, tornando-se referência em energia, presença de palco e impacto sonoro. Faixas como “Back in Black”, “For Those About to Rock” e “Highway to Hell” ecoaram para uma geração que cresceu vendo o AC/DC transformar o palco em uma experiência única e visceral.
Setlist (15/01):
Guns for Hire | Shoot to Thrill | Sin City | Shot Down in Flames | Back in Black | Have a Drink on Me | Bad Boy Boogie | Rock and Roll Ain’t Noise Pollution | Hells Bells | The Jack | Jailbreak | Dirty Deeds Done Dirt Cheap | Highway to Hell | Whole Lotta Rosie | Let There Be Rock | T.N.T. | For Those About to Rock (We Salute You)
Setlist (19/01):
Guns for Hire | Shoot to Thrill | Sin City | Back in Black | Have a Drink on Me | Bad Boy Boogie | Rock and Roll Ain’t Noise Pollution | Hells Bells | Dirty Deeds Done Dirt Cheap | Highway to Hell | Whole Lotta Rosie | Let There Be Rock | T.N.T. | For Those About to Rock (We Salute You)
1996 – Ballbreaker Tour
11 de outubro de 1996 – Pedreira Paulo Leminski, Curitiba (PR)
12 de outubro de 1996 – Estádio do Pacaembu, São Paulo (SP)
Setlist (11/10):
Back in Black | Shot Down in Flames | Thunderstruck | Girls Got Rhythm | Hard as a Rock | Shoot to Thrill | Boogie Man | Hail Caesar | Hells Bells | The Jack | Ballbreaker | Rock and Roll Ain’t Noise Pollution | Dirty Deeds Done Dirt Cheap | You Shook Me All Night Long | Whole Lotta Rosie | T.N.T. | Let There Be Rock | Highway to Hell | For Those About to Rock (We Salute You)
Setlist (12/10):
Back in Black | Shot Down in Flames | Thunderstruck | Girls Got Rhythm | Hard as a Rock | Boogie Man | Hells Bells | Hail Caesar | Shoot to Thrill | Rock and Roll Ain’t Noise Pollution | The Jack | Ballbreaker | Dirty Deeds Done Dirt Cheap | T.N.T. | Let There Be Rock | Whole Lotta Rosie | You Shook Me All Night Long | Highway to Hell | For Those About to Rock (We Salute You)
Nesta turnê, o AC/DC voltou ao Brasil fora do formato festival, apresentando shows completos, com produção grandiosa, cenografia elaborada e repertório abrangente que passeava por todas as fases da carreira, do clássico High Voltage até o então recente Ballbreaker. Esta foi também a retomada de Phil Rudd na bateria, trazendo de volta a força rítmica que havia se tornado sinônimo do som da banda. A banda mostrou sua força de palco e uma sintonia rara com o público brasileiro, que cantava cada riff e refrão com intensidade. A Pedreira, em Curitiba, e o Pacaembu, em São Paulo, esse último com abertura do Angra, foram palcos de momentos históricos, com destaque para a performance de Angus Young e para o uso da icônica peça de palco em forma de canhão em “For Those About to Rock”, transformando o show como um dos mais memoráveis da década no país.
2009 – Black Ice Tour
27 de novembro de 2009 – Estádio do Morumbi, São Paulo (SP)
Considerado por muitos críticos e fãs como um dos maiores shows de rock já realizados no Brasil, o concerto da Black Ice Tour reuniu dezenas de milhares de fãs no Morumbi. Com produção monumental, iluminação impecável e efeitos de palco de última geração, a banda entregou quase três horas de puro Rock N’ Roll, equilibrando clássicos atemporais com faixas do álbum Black Ice. Este show marcou a última passagem da banda pelo país antes de um hiato de quase duas décadas, consolidando o AC/DC como uma das experiências ao vivo mais intensas já vividas pelo público brasileiro. A interação com fãs, o espetáculo de guitarras e os solos de bateria de Phil Rudd ficaram registrados como referência para apresentações de grandes bandas internacionais no Brasil.
Setlist:
Rock ‘n’ Roll Train | Hell Ain’t a Bad Place to Be | Back in Black | Big Jack | Dirty Deeds Done Dirt Cheap | Shot Down in Flames | Thunderstruck | Black Ice | The Jack | Hells Bells | Shoot to Thrill | War Machine | Dog Eat Dog | You Shook Me All Night Long | T.N.T. | Whole Lotta Rosie | Let There Be Rock | Highway to Hell | For Those About to Rock (We Salute You)
2026 – Power Up Tour (Retorno Histórico)
24 de fevereiro de 2026 – Estádio MorumBIS, São Paulo (SP)
28 de fevereiro de 2026 – Estádio MorumBIS, São Paulo (SP)
4 de março de 2026 – Estádio MorumBIS, São Paulo (SP)
Após quase 17 anos, o AC/DC retorna ao Brasil para três noites que prometem entrar para a história, celebrando seu legado e reafirmando sua força nos palcos. Esta turnê, em formato totalmente dedicado à banda, contará com a formação atual, composta por Brian Johnson (vocais), Angus Young (guitarra solo), Stevie Young (guitarra base), Chris Chaney (baixo) e Matt Laug (bateria), que mantém viva a energia e a essência sonora que transformaram o AC/DC em ícone global. O público brasileiro poderá novamente experimentar a fusão entre tradição e potência ao vivo, com repertório que promete revisitar clássicos de todos os tempos, como “Back in Black’, ‘Thunderstruck” e “Highway to Hell”, garantindo que o legado da banda continue pulsando intensamente no coração do rock nacional.
Provável setlist:
If You Want Blood (You’ve Got It) | Back in Black | Demon Fire | Shot Down in Flames | Thunderstruck | Have a Drink on Me | Hells Bells | Shot in the Dark | Stiff Upper Lip | Highway to Hell | Shoot to Thrill | Sin City | Hell Ain’t a Bad Place to Be | Dirty Deeds Done Dirt Cheap | High Voltage | Riff Raff | You Shook Me All Night Long | Whole Lotta Rosie | Let There Be Rock | T.N.T. | For Those About to Rock (We Salute You)
Alguns shows dessa turnê sofreram pequenas variações no setlist, trazendo as faixas “Rock ‘n’ Roll Train” e “Dog Eat Dog”
Ranking: Todos os Álbuns de Estúdio do AC/DC
(do menos ao mais aclamado, pois AC/DC não têm disco ruim!)

16. Flick of the Switch
Data de lançamento: 15 de agosto de 1983
Flick of the Switch simboliza uma mudança radical e deliberada de rota na trajetória do AC/DC. Produzido pela própria banda, o álbum rompe conscientemente com o acabamento grandioso de Highway to Hell, Back in Black e For Those About to Rock, optando por uma abordagem seca, direta e quase espartana. As guitarras soam ásperas, a bateria é crua e os vocais surgem sem qualquer tipo de ornamento, como se tudo tivesse sido registrado em um ensaio fechado, sem concessões ao polimento de estúdio. À época, essa estética causou estranhamento, mas refletia uma postura firme de resistência às fórmulas que dominavam o rock de arena no início dos anos 1980.
Com o passar dos anos, o disco conquistou status cult dentro da discografia da banda justamente por sua honestidade brutal. Faixas como “Flick of the Switch”, “Guns for Hire”, “Bedlam in Belgium”, “Rising Power” e “Nervous Shakedown” evidenciam riffs secos, refrões crus e um AC/DC operando no limite do essencial. Menos acessível e distante dos grandes sucessos radiofônicos, o álbum funciona como um divisor de águas: um registro fundamental para compreender o espírito rebelde do grupo e sua recusa em se repetir, mesmo quando o mundo esperava mais um triunfo monumental. É um retorno às raízes feito sem anestesia.

15. Blow Up Your Video
Data de lançamento: 18 de janeiro de 1988
Blow Up Your Video surge como uma tentativa clara de reconectar o AC/DC a uma sonoridade mais acessível após a aspereza proposital de Flick of the Switch e Fly on the Wall. Com produção dividida entre Harry Vanda e George Young, a dupla histórica da fase clássica, o álbum apresenta guitarras mais abertas, refrões mais evidentes e uma mixagem menos comprimida, ainda que preserve a estrutura simples e direta que sempre definiu a banda. O objetivo era equilibrar a crueza recente com uma linguagem mais alinhada ao hard rock de arena e à estética da MTV.
Mesmo longe de figurar entre os grandes clássicos do catálogo, o disco desempenha um papel importante como transição. Canções como “Heatseeker”, “That’s the Way I Wanna Rock ’n’ Roll”, “Go Zone”, “Nick of Time” e “Ruff Stuff” se destacam pela energia e pelos riffs cortantes de Angus Young, além de terem funcionado muito bem ao vivo durante a turnê mundial. Dentro da discografia, o álbum representa o último passo antes da grande retomada criativa e comercial que viria com The Razors Edge: um registro honesto de uma banda ajustando o rumo, ainda que sem uma consistência plena.

14. Stiff Upper Lip
Data de lançamento: 28 de fevereiro de 2000
Stiff Upper Lip consolida a fase madura do AC/DC com um trabalho confortável, confiante e profundamente enraizado no blues rock que sempre sustentou sua identidade. Produzido por George Young, o álbum aposta em grooves mais cadenciados, riffs menos explosivos e uma atmosfera relaxada, quase insolente, distante da urgência juvenil dos anos 1970 e do peso direto dos anos 1980. A produção limpa e equilibrada valoriza a dinâmica natural da banda, permitindo que guitarra, baixo e bateria respirem com naturalidade.
Sem qualquer intenção de reinventar a roda, o disco reafirma a longevidade do grupo com elegância. Faixas como “Stiff Upper Lip”, “Safe in New York City”, “Satellite Blues”, “Can’t Stand Still” e “Give It Up” se destacam pelo clima bluesy e pela postura provocativa. Embora não tenha o impacto histórico de Back in Black ou Highway to Hell, ocupa um lugar respeitável como retrato de uma banda veterana que escolheu envelhecer fiel a si mesma — sem pressa, sem exageros, mas com personalidade.

13. Fly on the Wall
Data de lançamento: 28 de junho de 1985
Fly on the Wall representa um dos capítulos mais ásperos e controversos da discografia do AC/DC. Novamente produzido pela própria banda, o álbum aposta em uma estética crua e pouco polida, com guitarras abafadas, bateria seca e vocais de Brian Johnson soterrados na mixagem — uma escolha artística que dividiu opiniões. Em contraste direto com o gigantismo de Back in Black e For Those About to Rock, o disco soa claustrofóbico, refletindo uma banda pouco interessada em atender expectativas comerciais.
Apesar das críticas, o álbum carrega uma essência visceral que o tempo acabou tratando com mais benevolência. Músicas como “Fly on the Wall”, “Shake Your Foundations”, “Sink the Pink”, “Playing with Girls” e “Stand Up” revelam riffs cortantes e uma atitude urbana, suja e menos festiva. Dentro do catálogo, funciona como o registro mais pesado do grupo: não um clássico absoluto, mas um capítulo importante de uma banda que nunca teve medo de soar incômoda.

12. Rock or Bust
Data de lançamento: 28 de novembro de 2014
Rock or Bust ficou marcado pela resiliência diante de circunstâncias excepcionais. Gravado após o afastamento definitivo de Malcolm Young, com Stevie Young assumindo as guitarras base, o álbum soa como uma declaração de sobrevivência. Produzido por Brendan O’Brien, apresenta uma sonoridade enxuta, direta e funcional, com faixas curtas, riffs imediatos e uma mixagem clara, pensada tanto para os palcos quanto para os fones.
O disco assume um peso simbólico forte, funcionando quase como um tributo silencioso a Malcolm. Faixas como “Rock or Bust”, “Play Ball”, “Baptism by Fire”, “Rock the Blues Away” e “Dogs of War” reafirmam a fidelidade absoluta à fórmula clássica do AC/DC. Não reinventa nada, mas cumpre seu papel com dignidade, provando que, mesmo diante de perdas profundas, a banda ainda sabia entregar rock honesto e identitário — respeitável, embora pouco marcante.

11. Power Up
Data de lançamento: 13 de novembro de 2020
Power Up é um álbum carregado de emoção e espírito celebratório. Concebido como uma homenagem direta a Malcolm Young, o disco resgata riffs, ideias e a espinha dorsal rítmica que sempre definiram o guitarrista. Sob a produção de Brendan O’Brien, o som surge encorpado e cristalino, equilibrando peso, groove e refrões diretos, com uma vibração clássica que dialoga com o passado sem soar anacrônica.
O álbum transmite a sensação de um AC/DC revitalizado, confiante e plenamente conectado à própria história. Canções como “Shot in the Dark”, “Realize”, “Demon Fire”, “Through the Mists of Time”, “Rejection” e “Power Up” se destacam pela força dos riffs e pelo clima positivo. Mais do que um lançamento tardio, o disco funciona como uma declaração de amor ao legado da banda e ao rock’n’roll em sua forma mais pura.

10. Black Ice
Data de lançamento: 17 de outubro de 2008
Black Ice marcou um retorno triunfal após oito anos sem material inédito, tornando-se rapidamente um fenômeno global. Produzido por Brendan O’Brien, o álbum apresenta uma sonoridade robusta e dinâmica, com guitarras mais abertas, baixo destacado e bateria orgânica, equilibrando modernidade e identidade clássica. Em contraste com o clima mais contido de Stiff Upper Lip, o disco aposta em uma abordagem expansiva e poderosa.
O álbum revela um AC/DC seguro, inspirado e em plena sintonia com seu legado. Faixas como “Rock ’n’ Roll Train”, “Big Jack”, “Black Ice”, “War Machine”, “Anything Goes” e “Spoilin’ for a Fight” se tornaram pilares dos shows e da turnê mundial. Mais do que um simples retorno, Black Ice simboliza uma reafirmação de força e relevância, provando que a banda ainda era absolutamente dominante.

9. For Those About to Rock (We Salute You)
Data de lançamento: 23 de novembro de 1981
Este álbum representa o auge do AC/DC como potência de arena no início dos anos 1980. Produzido por Mutt Lange, For Those About to Rock (We Salute You) busca ampliar a grandiosidade de Back in Black, com guitarras encorpadas, refrões épicos e uma produção minuciosa, pensada para grandes espaços. O clima é mais solene e pesado, quase marcial, refletindo uma banda consciente de seu poder.
Imortalizado pela faixa-título com seus icônicos canhões, o disco vai além do hino. “Let’s Get It Up”, “Put the Finger on You”, “Inject the Venom”, “Snowballed” e “Evil Walks” reforçam a força dos riffs e a segurança criativa do grupo. Mesmo inferior a Back in Black em impacto, o álbum consolidou definitivamente o AC/DC no pós-Bon Scott e estabeleceu um padrão duradouro para o rock de estádio.

8. Ballbreaker
Data de lançamento: 26 de setembro de 1995
Ballbreaker marca um reencontro deliberado do AC/DC com suas raízes mais cruas e bluesy. Produzido por Rick Rubin, o álbum aposta em riffs pesados, grooves arrastados e uma atmosfera orgânica, com destaque para o retorno de Phil Rudd à bateria. A produção privilegia o impacto direto, com mínima maquiagem sonora, deixando o trio base soar quase como em um show ao vivo.
Intenso, denso e cheio de atitude, o disco apresenta um AC/DC menos preocupado com hits imediatos e mais focado em peso e consistência. Faixas como “Hard as a Rock”, “Cover You in Oil”, “Hail Caesar”, “Burnin’ Alive” e “Ballbreaker” sustentam um groove poderoso e constante. O resultado é um trabalho que reafirma a identidade mais suja e visceral da banda em plena década de 1990.

7. The Razors Edge
Data de lançamento: 21 de setembro de 1990
The Razors Edge representa uma virada decisiva na trajetória do AC/DC, marcando uma retomada criativa e comercial após anos instáveis. Produzido por Bruce Fairbairn, o álbum apresenta uma sonoridade potente e polida, com guitarras afiadas, bateria explosiva e vocais de Brian Johnson em evidência, pensados tanto para o rádio quanto para os estádios.
Impulsionado por clássicos como “Thunderstruck”, “Fire Your Guns”, “Moneytalks”, “Are You Ready” e a faixa-título, o disco transmite urgência e energia renovada. Mais do que um sucesso de vendas, simboliza um renascimento artístico, provando que o AC/DC ainda tinha criatividade, carisma e força para dominar uma nova década.

6. Dirty Deeds Done Dirt Cheap
Data de lançamento: 20 de setembro de 1976
Um dos discos mais irreverentes e carismáticos da fase Bon Scott, Dirty Deeds Done Dirt Cheap exibe um AC/DC mais confiante e cheio de personalidade. Produzido por Harry Vanda e George Young, o álbum aposta em riffs cortantes, grooves malandros e letras carregadas de humor ácido e duplo sentido, ajudando a consolidar a imagem provocadora da banda.
Repleto de faixas fundamentais como “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, “Problem Child”, “Big Balls”, “Squealer” e “Ride On”, o disco equilibra deboche, energia e até momentos introspectivos. Com atitude contagiante, pavimentou o caminho para a consolidação internacional do grupo, mostrando que o AC/DC era carisma, narrativa e Rock N’ Roll com identidade própria.

5. High Voltage
Data de lançamento: 14 de maio de 1976
High Voltage apresentou ao mundo a força bruta e a atitude incendiária do AC/DC em sua estreia internacional. Compilando faixas dos primeiros lançamentos australianos, o álbum estabelece os pilares da sonoridade da banda: riffs simples, base rítmica direta e o carisma magnético de Bon Scott. A produção crua captura a urgência juvenil de um grupo faminto por espaço.
Canções como “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ’n’ Roll)”, “T.N.T.”, “High Voltage”, “Live Wire” e “Rock ’n’ Roll Singer” ajudaram a definir a identidade do AC/DC. Mais do que um debut, o disco é o retrato de uma banda nascendo grande, deixando claro desde o início que estava destinada a se tornar um nome central na história do rock.

4. Powerage
Data de lançamento: 5 de maio de 1978
Frequentemente apontado como o álbum mais visceral da fase Bon Scott, Powerage revela um AC/DC mais denso, menos festivo e emocionalmente intenso. Com riffs nervosos, grooves pesados e letras que transitam entre ironia, frustração e desencanto, o disco reflete uma banda artisticamente madura e combativa.
Faixas como “Rock ’n’ Roll Damnation”, “Down Payment Blues”, “Riff Raff”, “Sin City” e “Gone Shootin’” formam um conjunto coeso, urgente e apaixonado. Mais do que um favorito de fãs, Powerage é um manifesto de resistência e um retrato cru da alma do AC/DC em seu auge criativo.

3. Let There Be Rock
Data de lançamento: 21 de março de 1977
Let There Be Rock cristaliza o AC/DC como uma força incontrolável do rock pesado. Elevando agressividade e velocidade, o álbum aposta em guitarras afiadas, bateria impiedosa e vocais incendiários de Bon Scott. A produção crua captura a sensação de perigo e urgência que definia os primeiros anos da banda.
Com hinos como “Let There Be Rock”, “Whole Lotta Rosie”, “Bad Boy Boogie”, “Dog Eat Dog” e “Hell Ain’t a Bad Place to Be”, o disco estabeleceu o molde definitivo do hard rock. Simples, barulhento e eterno, funciona como uma verdadeira declaração de guerra sonora.

2. Highway to Hell
Data de lançamento: 27 de julho de 1979
Highway to Hell foi o disco que abriu definitivamente as portas do mercado americano para o AC/DC. Produzido por Mutt Lange, representa o equilíbrio perfeito entre peso, acessibilidade e identidade. A sonoridade refinada amplia o alcance da banda sem diluir sua essência crua, enquanto Bon Scott entrega uma de suas performances mais carismáticas.
Com clássicos como “Highway to Hell”, “Girls Got Rhythm”, “Touch Too Much”, “Shot Down in Flames”, “If You Want Blood (You’ve Got It)” e “Walk All Over You”, o álbum se tornou um marco absoluto do hard rock. Além do sucesso comercial, eternizou a formação com Bon Scott, funcionando como uma despedida triunfal antes de uma virada histórica.

1. Back in Black
Data de lançamento: 25 de julho de 1980
Podemos dizer que Back in Black é um monumento da história do rock. Produzido por Mutt Lange, marcou o renascimento do AC/DC após a morte de Bon Scott e apresentou Brian Johnson em uma estreia avassaladora. A produção é cristalina e monumental, transformando riffs simples em hinos universais. Disco mais vendido da banda e um dos mais vendidos da história da música, seu impacto transcende números.
Com uma sequência praticamente imbatível de clássicos como “Hells Bells”, “Shoot to Thrill”, “Back in Black”, “You Shook Me All Night Long”, “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution” e “Given the Dog a Bone”, o álbum redefiniu o patamar do hard rock. Ao transformar luto em celebração, o AC/DC entregou um disco eterno, referência absoluta de peso, simplicidade e impacto.

Observação do Redator: Onde está o álbum T.N.T no ranking? Esse álbum muitas vezes não é considerado parte da discografia oficial do AC/DC porque foi lançado apenas na Austrália, em 1975. Quando a banda passou a ser trabalhada internacionalmente, a gravadora reuniu faixas dos dois primeiros álbuns australianos (High Voltage e T.N.T.) em um único disco internacional, também chamado High Voltage.
Com isso, T.N.T. nunca teve lançamento fora da Austrália, e suas músicas acabaram “absorvidas” pela discografia internacional. Ao longo do tempo, a própria banda e seu management passaram a adotar essa discografia global como referência oficial, tratando os álbuns australianos iniciais como lançamentos regionais.

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Por Que o AC/DC Ainda Importa — E Talvez Mais do Que Nunca
Em um cenário musical dominado por algoritmos, tendências efêmeras e consumo acelerado, o AC/DC permanece como um farol de autenticidade. A banda nunca se curvou a modismos ou buscou se reinventar para agradar às fórmulas do momento — e é exatamente por essa fidelidade à própria essência que continua relevante, admirada e inspiradora para fãs de todas as idades.
Seus shows seguem sendo experiências catárticas, quase ritualísticas, onde jovens e veteranos se encontram para compartilhar o mesmo coro, o mesmo riff e a mesma energia visceral que atravessa décadas. Cada apresentação é um lembrete de que o rock, quando feito com verdade e paixão, não apenas resiste ao tempo, como se torna cada vez mais indispensável.

São Paulo, Fevereiro e Março de 2026: Um Encontro com a História
Quando Angus Young subir ao palco do MorumBIS, vestido com seu icônico uniforme escolar, guitarra em punho e energia intacta, o público não estará apenas assistindo a mais um show. Estará testemunhando o reencontro de uma banda lendária com um país que sempre a recebeu com entusiasmo único, celebrando não apenas sua música, mas sua história, sua atitude e sua influência global.
Mais do que um ato de nostalgia, o retorno do AC/DC ao Brasil representa a reafirmação de um legado vivo — alto, elétrico e eterno. É a prova de que, mesmo em tempos de mudanças constantes e rápidas, certas coisas permanecem imutáveis: a eletricidade de um riff de Angus Young e a voz inconfundível de Brian Johnson continuam a provocar arrepios e unir multidões.
Porque, no fim das contas, o mundo pode mudar.
Mas o Rock N’ Roll do AC/DC continuará reverberando, firme, forte e absoluto, por toda a eternidade.
Nos veremos lá!!!





