AC/DC – “Rock or Bust” (2014)
Columbia
#Rock, #HardRock, #ClassicRock
Para fãs de: Alice Cooper, Scorpions, ZZ Top
Nota: 10
Enquanto trabalhava no material que se tornaria “Rock or Bust”, o AC/DC, que desde sempre foi sinônimo da fórmula que inventou e aperfeiçoou, teve de lidar com o afastamento do guitarrista Malcolm Young (1953-2017) e do baterista Phil Rudd; o primeiro, por doença, o segundo, por ser um doente. Contudo, o vigésimo álbum de estúdio da banda não reflete a atmosfera turbulenta sob a qual foi concebido.
“Rock or Bust” soa mais cru, mas também mais bem produzido que seu antecessor, “Black Ice” (2008). A bateria de Rudd não traz o fator surpresa, mas soa revigorada; cortesia da produção que se encarregou também de sobressair o baixo de Cliff Williams, cujo som se entrelaçava ao do bumbo de tal modo — inclusive ao vivo — que volta e meia não se era possível distinguir.
O timbre de Angus Young remonta o básico de “Stiff Upper Lip” (2000), com distorções mais blues do que rock e solos que parecem fotocópias de clichés consagrados deste que é o gênero-pai de toda a música contemporânea. Mas prestem atenção: este não é um álbum de blues; o rock reina absoluto com a veia da música negra pulsando forte somente em momentos cruciais, como em “Hard Times”, “Rock the Blues Away” e “Got Some Rock & Roll Thunder”.
A voz de Brian Johnson se apresenta em melhor forma e apenas vez ou outra parece ter sido submetida à mesma pasteurização típica dos álbuns do grupo nos anos 1980. E por falar em quase quatro décadas atrás, “Baptism By Fire” e “Sweet Candy” parecem oriundas de “Blow Up Your Video” (1988), destoando levemente das demais, todas sonora e estruturalmente pós-90. Aliás, arrisco dizer que “Rock or Bust” é o melhor trabalho do AC/DC desde “Ballbreaker” (1995), pois quatro anos já se passaram e eu posso até estar careca, mas jamais cansado, de escutá-lo.
Marcelo Vieira
