Ace Frehley – “Spaceman” (2018)
Entertainment One
#ClassicRock, #HardRock
Para fãs de: KISS, Aerosmith, New York Dolls
Nota: 8,5
Se bandas fossem cursos de graduação, as empreitadas individuais de seus integrantes e ex-integrantes seriam as disciplinas eletivas. No caso do KISS, a carreira solo de Ace Frehley é a que mais tem a ver com a grade curricular. Do primeiro voo, o espetacular “Frehley’s Comet” (1987), até “Origins, Vol. 1” (2016), no qual o mais célebre nativo do planeta Jendell presta tributo a algumas de suas maiores influências ‘guitarrísticas’, o negativo se manteve intacto, e “Spaceman”, o mais novo lançamento de Frehley, soa exatamente como deveria: rock pentatônico, construído sobre power chords e cujos solos nada mais são que licks de blues tocados à velocidade que um foguete velho de guerra entende como “da luz”. Qualquer semelhança com solos de clássicos do KISS não, nunca, jamais é mera coincidência.
Mas é aquilo: se o grande mérito do poeta é dizer o imprescindível em poucas palavras, palmas para o Ace, que usa a preguiça datada dos primórdios de KISS – o filho da puta se recusava a carregar o próprio equipamento! – como ferramenta para compor sons infalíveis e letras que vão desde a mera autorreferência com menções honrosas ao passado (a ode aos dias de marginália “Bronx Boy” e “I Wanna Go Back”, em cujas entrelinhas deixa clara sua incapacidade de assumir a culpa pelas cagadas de outrora) ao manifesto “Pursuit of Rock And Roll”, em que cita Elvis, Beatles e Stones e se vale da máxima “Let it Be” de Lennon e McCartney para afirmar que o segredo é simplesmente ligar o foda-se. A já esgotada mas sempre presente temática espacial fica restrita a “Mission to Mars”, ainda que a verdadeira missão – neste caso, uma viagem rumo aos anos 1980 – role antes com “Your Wish Is My Command”. É ouvir e imaginar farofa e purpurina saírem dos alto-falantes.
Passada meia hora de canastrices e refrões que ficam na cabeça (o de “Rockin’ with the Boys” é o grude do Seu Madruga!), Ace embarca numa instrumental de seis minutos. Como membro mais recente da família “Fractured”, “Quantum Flux” é o que críticos mais mordazes definiriam como desperdício de fita. Nem o final, uma quase releitura acústica dos compassos derradeiros de “Black Diamond”, salva. A exemplo de todas as suas passagens pelo KISS, Ace deixou a merda para o final. Gene e Paul que não inventem de levá-lo para essa última tour: ambos os lados estão melhores com os episódios de vergonha alheia resumidos às entregas em domicílio de “The Vault”.
E por falar em vergonha alheia, que capa é essa???
Marcelo Vieira
