Aeviterne – “The Ailing Facade” (2022)
Profound Lore Records
#DeathMetal, #ExperimentalDeathMetal, #BlackMetal
Para fãs de: Ulcerate, Flourishing, Artificial Brain
Nota: 8,0
Experimental e feito para quebrar padrões, é isso que o metal extremo sempre mostrou, seja no Thrash, no Black ou no Death Metal. E é isso que o Aeviterne oferece ao público com seu primeiro álbum, “The Ailing Facade”. Formado pelo guitarrista e vocalista Garrett Bussanick (ex Flourishing), o baixista Erick Rizk (também do Flourishing), o baterista Ian Jacyszyn (Miasmatic Necrosis) e pelo guitarrista Samuel Smith (Artificial Brain), o grupo vindo de Nova York certamente agradará fãs do gênero com as oito faixas presentes no disco.
O álbum abre com “Denature” que marca o tom para todas as outras faixas, com riffs complexos de guitarra e bateria, com diversas mudanças de andamento, mas criando uma parede sonora sombria e densa. “Still The Hollows’ Sway” apresenta riffs e vocais desorientadores que se unem em conjunto com batidas explosivas para aumentar a tensão. Esse nível de suspense aumenta drasticamente quando um sintetizador de estilo staccato e o baixo são cortados. Essa pausa tem um riff frágil dedilhado através de um efeito de refrão spaghetti-western, estabelecendo uma base instável para o final perigoso da música. O que também é imediatamente impressionante é o tom do baixo dominante de Eric Rizk, pois fornece uma base rítmica firme para os outros instrumentos. O vocalista e guitarrista Garett Bussanick, cujos guturais lembram os frontman do Death Metal do final dos anos 80/início dos anos 90, dá ampla voz ao desespero existencial das músicas.
A parte mais Doom do Aeviterne é forte em faixas como “Penitent”, “The Reeking Suns” e “Obeyance”. No geral, porém, The Ailing Facade mostra a capacidade aprimorada da banda de transformar seus instrumentos em espíritos que gemem e choram tentando escapar de seu confinamento. Já “The Gaunt Sky” merece destaque por ser a faixa mais perturbadora, enervante e desesperadora de todas. Sua levada é rápida e pesada, com a bateria sendo massacrada pelas batidas de Ian, gerando um sentimento de que algo terrível em sua mente está tentando fugir do recipiente. A faixa-título, uma peça instrumental, assim como “Dream in Lies” que entre a complexidade da bateria e os riffs, dá um tom épico para o final do álbum.
O grupo utilizou bastante tempo e esforço para criar o álbum, já que a maior parte de “The Ailing Facade” foi feita antes do EP de 2018, “Sireless”, e isso fez com o que o trabalho se tornasse sólido e polido. Cada instrumento desempenha seu papel exclusivo na co-criação de visuais e paisagens sonoras tão vívidas e perturbadoras, especialmente os sintetizadores, que geralmente fazem aparições no Death Metal, que certamente irão agradar muitos ouvintes.
Lucas David
