Banda: Affront
Local: Sesc Belenzinho, São Paulo/SP
Data: 15/02/2020
Texto, fotos e vídeo por Johnny Z.
Muito bom poder apreciar um show de Metal no “quintal” de casa. Como morador da Zona Leste de São Paulo, mais precisamente no bairro do Tatuapé, poder chegar ao Sesc Belenzinho em 5 minutos para presenciar mais um show de Metal é sempre um enorme prazer. Falar das instalações do Sesc, sem fazer politicagem com ninguém, ou seja, apenas um ponto de vista de quem o usa, é desnecessário, pois todos sabem que são de um enorme bom gosto, excelentes e caprichadas. Sem contar a qualidade de som, climatização, localização (ao lado do metrô!), facilidade de entrada e saída e etc. Como o número de ingressos além de super baratos são restritos pois o local prima pelo conforto das pessoas, não temos filas nem para entrar nem para sair. Uma beleza! Resumindo, se pintar um show de Rock/Metal, não pense duas vezes, vá e saía de lá com sorriso de orelha a orelha.
Dessa vez, tivemos o privilégio de conferir os cariocas do Affront, com seu Thrash/Death metal visceral e certeiro. O trio formado em 2016 das cinzas do Unearthly por Marcelo Mictian (vocal/baixo), Marcel Barros (guitarra) e Lobato (bateria), não reinventaram a roda, pelo contrário, fazem um som calcado em Sepultura antigo (uma mescla bacana de “Schizophrenia” com “Chaos AD”), Kreator, Destruction e Sodom sem muitas delongas. O papo aqui é curto, grosso e reto sem frescura ou inovações mirabolantes, exceto por algumas passagens de baião e música regional nordestina em algumas faixas, como por exemplo, “Mestre do Barro”.
Com dois álbuns de estúdio lançados, “Angry Voices” (2016) e “World In Collapse” (2018), o que vimos neste sábado foi uma banda entrosada, carismática e com sangue nos olhos. Pena que o pouquíssimo público me causou muita estranheza e de certa forma vergonha, pois a banda merecia muito mais que os parcos 50 pessoas (no máximo). Mas, a banda não se intimidou com isso e super descontraída brincava e conversava muito com os presentes ameaçando tocar covers do The Cure ou Legião Urbana se estivéssemos cansados (risos). Nem precisou de microfone para vocês terem uma ideia de quão vazio estava. Até o baterista Lobato conversava com o público com facilidade. Foi ruim por causa disso? Falando como plateia, de forma alguma, pois um show assim super intimista de vez em quando lava a alma para quem vai a zilhões de shows entupidos de gente (risos).
O som estava super nítido, equalizado e alto na medida certa sem causar aquela “explosão no ouvido” que muitas vezes sentimos quando saímos de shows abarrotados.
Um setlist, mesclando bem os dois álbuns do trio, mas de certa forma curto devido ao tempo de uma hora previsto, mas foi intenso do começo ao fim. Os poucos presentes cantaram e agitaram como puderam, mesmo com o freio de mão puxado por conta do “vasto espaço” disponível para se movimentar (risos).
Uma crítica construtiva à banda é que, ao meu ver, a banda necessita de um segundo guitarrista que fique mais na palhetada, pois o estilo Thrash pede isso. Marcelo Barros cumpre bem o seu papel, toca super bem, sola de forma primorosa, mas na parte das bases e dos riffs, ou seja da rifferama, fica faltando “algo”. Tudo bem que eles podem falar que estão se influenciando pela escola alemã do Thrash, que todos sabem ser mais suja e ríspida, mas mesmo esses possuem esse quesito, mão direita e rifferama com as cordas abafadas. Vejam bem, não estou falando que ficou ruim, é apenas uma outra ótica que quem também cresceu ouvindo o estilo e aprecia mais essa “estética”.
O show finalizou da mesma forma que se iniciou, porradaria atrás de porradaria, de forma constante e linear, e os destaques da apresentação ficaram à cargo da “Mestre do Barro”, com todo o seu baião incorporado ao peso Thrash dando uma liga bem bacana ao vivo, a ovacionada “Favelas, Senzalas”, e o cover de “Slave New World” com a adição do mico da noite onde um presente exaltado foi convidado a subir no palco para cantar o finalzinho da música mas quando chegou ao microfone a música já tinha terminado.
Belíssimo show para um sábado agradável e sem chuva em São Paulo. Pena que o “público” paulistano preferiu ficar assistindo aquele câncer chamado Big Brother em casa. Nossa parte foi feita! #PeloMetal
Agradecimentos ao Sesc Belenzinho pela parceria e credenciamento.
Setlist:
Intro
Scum Of The World
Conflicts
Violence
Affront
Under Siege
Mestre do Barro
Solo de Bateria
Favelas, Senzalas
Slave New World (Sepultura)
There’s No Tomorrow
Wartime Conspiracy
