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Alcatrazz – “V” (2021)

Alcatrazz“V” (2021)
Silver Lining Music | Heavy Metal Rock
#HeavyMetal, #PowerMetal

Para fãs de: Malmsteen, Judas Priest, Iron Maiden, Rainbow, Deep Purple

Nota: 9,0

Não é por manter uma formação consistente que o Alcatrazz é mundialmente conhecido, mas quando tudo parecia caminhar para isso acontecer, fomos surpreendidos pela troca de uma das forças por trás da banda: Graham Bonnet.

Sem Bonnet, parecia improvável haver retorno, mas se isso era motivo para alguma apreensão, pode esquecer, já que a recente adesão de Doogie White (Ritchie Blackmore’s Rainbow, Yngwie Malmsteen’s Rising Force, Tank, Michael Schenker’s Temple of Rock) foi muito apropriada.

Por “falar” em mudança de membros, a banda conta com Jimmy Waldo (teclados) e Gary Shea (baixo) como remanescentes da formação original, além de Mark Benquechea (bateria) e Joe Stump (guitarra). Há ainda as excelentes participações especiais de Nigel Glockler (batera do Saxon), Cliff Evans (baixista do Tank) e Donnie Van Stavern (baixista do Riot).

“V” é a junção dos, como sempre, excelentes vocais de Doogie White com a guitarra altamente técnica de Joe Stump e músicos absurdamente capacitados resultando em uma combinação bombástica de Hard 70 e Heavy 80, com muitas pitadas de Power Metal.

A “culpa” da produção nítida é da dupla Giles Lavery (Graham Bonnet Band, Ezoo, Skull) e Jimmy Waldo, com a mixagem a cargo de Andy Haller (Elton John, Joe Cocker, S.O.A.D.), mas, inteligentemente, eles deixam espaço para a banda soltar seus demônios.

Assim que o álbum começa, toda e qualquer dúvida relativa à Doogie White é dissipada. Do alto dos seus 61 anos ele ainda é uma força da natureza que, infelizmente, nunca foi devidamente reconhecido mesmo participando de bandas icônicas. Mas existia uma razão para os artistas o escolherem para liderar suas bandas e claramente ela é demonstrada ao longo deste álbum.

É só ouvir canções, por exemplo, como a frenética abertura “Guardian Angel” ou a fantástica “Grace Of God”. A primeira uma locomotiva a todo vapor do início ao fim e a segunda um power metal de tirar o chapéu. Em ambas, os vocais de White brilham do início ao fim (além de toda a banda) e mostram que vieram para ficar.

Mas a alta octanagem não para por aí: “Nightwatch” e “Turn Of The Wheel” estabelecem um padrão de riffs matadores e solos indescritíveis que remetem aos tempos de Malmsteen e a diversidade fica por conta do “feeling” “folk” de “Blackheart”, da balada “Dark Day For My Soul”, do hard rock de “Sword Of Deliverance” e “House Of Lies” e de momentos mais sombrios com “Return To Nevermore” e “Maybe Tomorrow”.

Em suma, com excelentes performances individuais, principalmente Joe Stump e Doogie White, “V” equilibra a herança do Metal com a modernidade. Sem chegar a ser extraordinário ele é bem melhor do que seu antecessor.

Quem acha que pode parecer estranho ouvir Alcatrazz sem Bonnet, não pode perder a oportunidade de testemunhar que Doogie White foi a escolha perfeita para a banda.

João Paulo Gomes

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