Allen/Olzon – “Worlds Apart” (2020)

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Allen/Olzon“Worlds Apart” (2020)
Frontiers Music
#PowerMetal#SymphonicMetal

Para fãs de: NightwishThe Dark Element

Nota: 8,0

O título do disco dá a dica: Anette Olzon e Russel Allen (Symphony X) vêm de mundos distantes e se aproximaram talvez mais devido a gravadora do que a um histórico de amizade ou mútuo interesse musical. Assim, “Worlds Apart”, o nome de projeto, tende mais para o lado da sueca no quesito influências musicais, já que o grosso das tracks são o mais puro Symphonic Metal que consagrou a “Pastora” nos dois discos que gravou com o Nightwish. Russel Allen, por outro lado, é simplesmente uma das maiores vozes do Heavy Metal moderno e mais uma vez dá um show de timbre, performance e afinação. O resultado é um disco com excelentes momentos, mas que peca um pouco pela falta de ousadia e criatividade dos arranjos.

O quesito linhas vocais dá show. Logo de cara “Never Die” coloca Russel em um terreno pouco conhecido para ele, mas a versatilidade como artista é grande e ele se dá bem mesmo com a sonoridade puxada para o Symphonic. Estranho, porém, iniciar o track list com uma música que tenha apenas ele nos vocais. A próxima, que dá nome ao disco, finalmente coloca as duas vozes para conversar e o resultado empolga, principalmente no refrão típico de Power Metal: melodia feliz e letra triste (vide Sonata Arctica e derivados). Já “What If I Live” é uma das que mais surpreende, com Anette brincando com sua voz em tons agudos no começo e logo depois Russel aparecendo “duelando” com ela em um verso onde a voz dos dois soa soberana.

Sem se entregar de vez ao mundo da música devido sua carreira como enfermeira, Anette hoje em dia vive dessas parcerias, como a que fez com Jani Liimatainen em “The Dark Element”. Mesmo que sua voz tenha melhorado muito ao longo dos anos e seu timbre seja extremamente reconhecível e gostoso de se ouvir, as músicas pecam um pouco no quesito composição, arranjo e profundidade. São músicas fáceis de ouvir e com melodias simples e grudantes, mas longe da ‘finesse’ que apenas o comprometimento mais sério leva. De qualquer forma, o dueto com Russel Allen, esse menos com um peixe fora d`água e mais como um aventureiro, funcionou muito bem. A música “My Enemy”, mais para o final do disco, mostra de vez a força dos dois cantores, com suas vozes harmonizadas entregando um ótimo refrão.

“Worlds Apart” é um disco daqueles encomendados pela gravadora, mas que devido a força de quem está por trás do microfone, soou relativamente bem. Não temos nenhuma obra-prima, mas o comprometimento de Olzon e Allen foi o suficiente para um resultado agradável.

Gustavo Maiato

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