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Almøst Human – “XS2(4)XTC” (2018)

Almøst Human – “XS2(4)XTC” (2018) 
Fastball Music | Normosis Records
#ModernMetal#IndustrialMetal#DjentMetal

Para fãs de: Fear FactoryStrappin Young LadMesshuggah

Nota: 9,5

Governos autoritários, beligerantes, que escravizam almas e destroem a biodiversidade planetária em nome de um sistema de crenças impostos aos povos por meio de proselitismo político e religioso, com a única intenção de se alimentar de poder, poder e mais poder. Enquanto isso, seres humanos buscam as respostas para suas angústias, desesperos e depressões em uma introspecção nublada pela ansiedade de simplesmente não achar respostas num mar de ilusões pré-fabricadas para confundir nosso livre arbítrio. Tudo isso te soa familiar?

Pois é exatamente este o cenário desenhado pelas letras das músicas deste álbum de estreia do Almost Human – que vem na sequência do EP “Ø”, lançado em 2012 e que mostrou a que vinha a banda: mostrar ao mundo seu Metal Moderno, que beira o Extremo, com elementos industriais e passagens progressivas regadas a muita distorção e saturação sonora, entregando composições complexas e muito bem arranjadas e produzidas.

Se, por um lado, a qualidade do EP anterior tornou as expectativas para “XS2(4)XTC” bastante altas, por outro, ajudou a fixar uma sonoridade própria para o Almost Human, a qual se mantém ao longo das 15 músicas apresentadas neste álbum longo e denso, que deve ser ouvido com dedicação e tempo para que se incorpore a proposta da banda.

Uma vez dentro do universo construído pelo Almost Human, afora a temática pós-apocalíptica, restam músicas de muita qualidade, que remontam ao Strapping Young Lad (muito por conta do timbre vocal de Bem Pluss e da diversidade que impõe à forma de cantar, enquanto incorpora a ambiência sombria e sufocada das letras que interpreta), Korn, Messhuggah, Fear Factory e Modern Metal, alternando momentos musicalmente caóticos (com conhecimento de causa) com passagens mais melódicas e progressivas.

O primeiro single, “Welcome 2 Neverland” é um bom cartão de visitas do que se pode esperar durante a audição deste álbum: riffs de guitarra soturnos na melhor escola Black Sabbath, em afinação Drop D, desembocam em uma levada progressiva que cresce em densidade sonora, com base em sintetizadores e teclados que criam uma ambiência obscura, culminando no refrão melódico, bem na linha do Modern Metal.

Outros destaques vão para “Divine Comedy”, uma das mais pesadas do álbum, oscilando entre Metal Industrial e o New Metal do Korn com um insano trabalho de bateria que conduz as variações rítmicas, harmonizadas pelo baixo com as linhas de guitarra repetitivas e hipnóticas; em “Clowned” surge uma veia mais acessível, que faz vir à mente bandas consagradas de New Metal, ora Linkin Park ora Slipknot, contudo sem perder seu DNA sorumbático; a mesma fórmula se repete em “Beloved Pet”, que apresenta um excelente trabalho de guitarras.

Única coisa é que alguns fechos das músicas são excessivamente arrastados, naquela linha Nine Inch Nails, que parece que nunca vai terminar. E, às vezes, literalmente não termina, como ocorre com a faixa de encerramento “Ghost Song”, que, em total contraste com o caos sonoro que acabou de passar por nossos ouvidos, é uma música ambiente de meditação que termina com o silêncio, silêncio este que nos acompanhará após ouvir o álbum, junto com a descoberta de que há uma saída deste mundo sombrio e obscuro em que vivemos, relembrando o refrão da música “Fucktory Of Ilusions”: “Please Free/Switch On Your Mind/From This Fucktory Of Ilsusions” (“Por favor, liberte-se/alterne o interruptor/desta porra de fábrica de ilusões).

Wallace Magri

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