Amon Amarth & Powerwolf – Tropical Butantã, São Paulo/SP (07/03/2020)

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Banda principal: Amon Amarth
Banda de abertura: Powerwolf
Local: Tropical Butantã, São Paulo/SP
Data: 07/03/2020
Produção: Liberation MC
Assessoria: The Ultimate Music

Texto, fotos e vídeos por Johnny Z.

Muitos criticam a qualidade de som da casa Tropical Butantã, mas eu já devo ter presenciado mais de 15 shows na casa, em diferentes lugares que vão de pista normal, premium, camarotes e etc, e nenhum, vejam bem, NENHUM, tive reclamações quanto a isso. Portanto, não sou o dono da verdade, mas falando por mim, onde estava (camarote à direita e bem próximo do palco), continuo com a mesma opinião. Tudo super bem equalizado, instrumentos muitíssimo bem timbrados, audíveis e no volume mais do que correto em ambos os shows da noite. Aquela sensação de sair de um show com os ouvidos zumbindo não aconteceu, ou seja, prova que tudo estava no volume perfeito. Não só isso, a iluminação estava impecável! Ponto para a produção que sempre primou não só pela qualidade dos seus espetáculos como, também, na pontualidade quase que britânica. Vale destacar a ótima e corretíssima atitude em abrir as portas da casa antes do horário previsto para maior conforto dos presentes na fila gigantesca, evitando assim qualquer chance de empurra-empurra. Sem entrar na casa já sabíamos que seria completamente lotado. E foi! Pois bem, vamos aos shows!

Confesso que não conhecia muito os alemães do Powerwolf e chegando na casa vi muitos fãs usando corpsepaint, maquiagens, fantasias malucas de freiras, padres e outras bizarrices que em 15 minutos estariam totalmente desfeitas (risos). Tudo bem, não sou ninguém para contestar o grau de adoração (ou seria fanatismo?) dos fãs da banda, pois um dia eu já fui “piradão” por Iron Maiden e me diverti fazendo minhas bobagens (risos). Pensei até que estava no show errado, um show de Black Metal ou do Ghost, pois a quantidade de “Papas” que vi foi no mínimo estranho. Mas, dando uma olhada mais aberta no povo vi muitos “tupinivikings”, então não estava no lugar errado (risos).

Pontualmente às 20hs, sentei e não estava dando nada para o show, sendo bem sincero, pois como disse antes, não estava familiarizado com o Powerwolf, mas sabia que sua sonoridade Power Metal é similar ao Sabaton, com um pouco mais de peso e testosterona, incorporando coisinhas poucas de Rammstein e sim, Ghost (principalmente no visual de seu vocalista e tecladista, sendo este último um show a parte). Meus caros, logo na primeira faixa eu tive uns dos maiores sustos em toda minha vida em se tratando de show. Jamais imaginaria que uma banda “desconhecida” teria tantos fãs no Brasil! E a dúvida a respeito do uso das pinturas nos rostos dos fãs foi completamente sanada (risos). Até a banda se espantou no palco pois TODOS cantaram TODAS as músicas numa energia e interação nunca antes vista por este quem vos escreve. Na hora pensei: “Opa, tem coisa aí!”. E teve! Os caras são verdadeiros showmen e tocam muitíssimo bem! É aquela banda que chama a plateia para dentro do show e faz o tempo passar num piscar de olhos. Suas músicas são de fácil assimilação, com refrões totalmente grudentos e que fazem qualquer um cantar logo de cara. Eu mesmo já saí cantando “Fire And Forgive”, “Amen & Attack” e “Demons Are A Girl’s Best Friend”, por exemplo, sem nunca ter sequer ouvido em estúdio. Os coros e refrões eram cantados mais altos que o próprio vocalista! Insano!

Os músicos usavam e abusavam de todo o palco, especialmente os dois guitarristas, brincando e interagindo muito com o público numa simpatia ímpar, o que de fato me conquistou. Não só isso, sua sonoridade pesada, revigorante e alegre ao vivo idem, me fazendo sair de lá como fã! Show milimetricamente bem ensaiado, músicos super acima da média que esbaldaram energia por todo o seu set. O magricela tecladista Falk Maria Schelegel (vestido bem parecido ao Papa Emeritus, só que sem o chapéu) é um caso a parte, pois o cara faz o dele muitíssimo bem! Seu instrumento aqui não é daqueles que se sobressaem às guitarras como um Stratovarius, por exemplo, o que me agradou bastante, dando uma profundidade mais sombria às músicas. E a cada momento de “folga”, o mesmo saia lá de trás e se comportava como um frontman ligado nos 220volts! Demais!

Muito difícil dar destaques nessa apresentação, o show todo foi maravilhoso, mas tenho que colocar aqui o início vibrante com “Fire And Forgive” e “Army Of The Night”, simplesmente memorável! Não pense que a banda diminuiu o ritmo não, pelo contrário, até o fim foi pura adrenalina!

Parabéns a banda que pela primeira vez pisou em São Paulo e deixou marcas profundas em todos!

Setlist Powerwolf:

Fire and Forgive
Army Of the Night
Incense & Iron
Amen & Attack
Demons Are A Girl’s Best Friend
Armata Strigoi
Sanctified With Dynamite
Resurrection By Erection
Werewolves Of Armenia
We Drink Your Blood

 

Os gigantes vikings do Amon Amarth é aquela banda que todos sabem o que vai presenciar sem nem os músicos pisarem no palco. É satisfação garantida! Pela quinta vez no Brasil, os suecos deram ao público, que lotava por completo o Tropical Butantã, mais uma aula de peso, brutalidade, técnica, simpatia e alma viking em cima do palco. O monstro Johan Hegg (vocal) dispensa comentários, pois toda a ‘ogrice paquidérmica’ dos seus vocais urrados é proporcional a sua simpatia no palco. Só sua postura parada no palco já ganharia a plateia, pois o cara é emblemático pra cacete, mas quando resolve de brindar á todos com palavras em português (muito bem executado, diga-se!) mostra-se ainda mais carismático. Fica até meio estranho ver aquele grandalhão com cara de mal sorrindo feito uma criança no palco. Tem coisas que só quem ama o metal de verdade, e ele ama demais, consegue fazer (risos).

Enfim, a noite estava alinhada a alguma entidade viking que queria passar férias no Brasil, pois até os outros membros da banda ,que costumam ficar mais contidos em suas posições, resolveram se soltar mais e até rir com maior frequência. Sim, acreditem! Aqueles “monstros”, principalmente o sisudo Olavi Mikkonen (guitarra), riram e se divertiram muito como nunca antes visto (risos). Aquela imagem carrancuda de todos deve ter ficado nos camarins, pois o que eu vi dessa vez foi algo diferente e, cá entre nós, é a vibe que todo fã gosta de ver em seus ídolos no palco, não é mesmo?

Outra vez pontualmente, às 21hs30, a introdução ao catarse viking se deu início seguida de um dos maiores clássicos da banda, “The Pursuit Of Vikings”! Previ (e não errei) que seria um jogo ganho de goleada! Que banda já começa seu show colocando logo de cara uma de suas maiores, cativantes e famosas músicas da carreira?! Só gente grande pensa e sabe o que faz. Uma pena que, por razões econômicas e compreensivas, o palco cheio de ornamentações que a banda costuma usar em seus shows na Europa, não foi trazido, mas mesmo o pouco usado foi eficiente. A única falta que senti foi no pano de fundo, atrás da bateria, não conter o logo da banda, apenas o capacete viking usado como imagem da turnê. Bobeira? Pode ser, mas eu gostaria de ver o logo da banda lá.

O som estava tão impecável parecendo que estávamos diante de algum Blu-Ray ou álbum oficial dos suecos. As marteladas de bateria de Jocke Wallgren, acompanhadas pelo baixo preciso de Ted Lundström, eram sentidas de uma forma quase que pulsante dentro de nossos órgãos internos, e o peso descomunal das guitarras de Olavi e Johan Söderberg foi um dos pontos altos de toda a apresentação. A coesão e eficiência desses dois é algo paras ser estudado. Creio que essa dupla pode ser considerada uma das mais eficientes do metal contemporâneo e não duvido que entre para o hall de baluartes como, Glenn Tipton/KK Downing (Judas Priest) e Adrian Smith/Dave Murray (Iron Maiden), só para citar os mais icônicos.

Faixas queridas pelo público foram executadas numa precisão cirúrgica e intercaladas ao melhor dentro do novo material de “Berserker” (2019), dando uma dimensão de grandeza digna de nota. A cacetada “Fafner’s Gold”, “Crack The Sky”, “Raven’s Flight” e a estupenda “Shield Wall” se tornarão grandes clássicos e isso eu não tenho a menor dúvida.

Uma coisa que venho percebendo nos últimos dez anos é que, a banda vem se focando cada vez mais em material pós “Fate Of Norns” (2004), deixando o material mais antigo quase que totalmente de lado, exceto “Death In Fire”, de “Versus The World” (2002), pois essa seria um tiro no pé ser tirada do set.

Creio que faixas como “Without Fear”, “Victorious March”, “The Last With Pagan Blood”, e “Masters Of War” poderiam muito bem se encaixar nos shows atuais. Não é uma reclamação, pois eu não tiraria nada do que foi apresentado aqui, apenas acrescentaria (risos). Pois é, mesmo com 43 anos ainda tenho aqueles resquícios de fanatismo citados lá no início, só que moderados (risos).

Meus destaques vão para o início magistral com “The Pursuit Of Vikings” seguida por “Deceiver Of The Gods”, as faixas de “Berserker” que ficaram excelentes ao vivo, a onipresente “Death In Fire”, as pesadíssimas “War Of The Gods” e “The Way Of Vikings”, e a trinca final de arrancar qualquer um do chão (e do corpo): “Guardians Of Asgaard”, “Raise Your Horns” e “Twilight Of The Thundergod”.

O público foi um caso a parte. Os caras simplesmente deram outro show, com muitas rodas, remadas viking (não consigo não rir, com isso, me desculpem) e completamente se matando durante TODO o set! Eu lá no camarote tive muita inveja por não poder mais fazer parte disso já que minhas costas não permitem mais nenhum tipo de esforço, mas tive meu tempo, então não tenho o que reclamar (risos).

Pela quinta vez em nossas terras, o Amon Amarth conseguiu mais uma vez proporcionar uma noite de muito bom gosto, brutalidade, adrenalina e entretenimento à todos os presentes. Se alguém saiu de lá chateado provavelmente estava com dor de barriga, pois se culpar as bandas, a casa ou a produção será de uma falta de bom senso do tamanho de um bonde.

Uma pena que não conseguimos credenciamento para nosso fotógrafo profissional, mas mesmo assim, obrigado Liberation MCThe Ultimate Music e Jonathan (Tropical Butantã) pela parceria de sempre. Juntos, com respeito a tudo e todos, podemos SIM tornar o METAL ainda maior e muito mais relevante em nosso país se fizermos sempre da maneira correta.

Setlist Amon Amarth:

Intro
The Pursuit of Vikings

Deceiver Of The Gods
First Kill
Runes To My Memory
Fafner’s Gold
Crack The Sky
The Way Of Vikings
Tattered Banners And Bloody Flags
Asator
Death In Fire
War Of the Gods
Raven’s Flight
Shield Wall
Guardians Of Asgaard
Raise Your Horns
Twilight of the Thunder God

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