
Angra – “Ømni” (2018)
earMUSIC | Shinigami Records
#PowerMetal, #ProgressivePowerMetal
Para fãs de: Kamelot, Rhapsody Of Fire, Almah, Dream Theater
Nota: 9,5
Finalmente chegou fevereiro, e com ele o aguardado novo disco do Angra, 9º trabalho completo de estúdio da banda. Um álbum repleto de expectativas, seja pela consolidação de Fábio Lione e Bruno Valverde no grupo, pela substituição de Kiko Loureiro (hoje exclusivamente no Megadeth) por Marcelo Barbosa, pelas participações especiais inusitadas, pela temática conceitual e futurista, enfim.
O disco é uma evolução, mas não uma revolução na sonoridade da banda. O Angra segue fazendo um som em sua zona de conforto, que atualmente seria algo entre “Temple of Shadows” (2004) e “Secret Garden” (2015). Minhas primeiras impressões, contudo, foram bem melhores do que as que tive com seu antecessor. Não costumo fazer isso, mas diante da magnitude desse lançamento para a cena nacional, e tendo em vista que muita gente ainda não ouviu, farei uma análise faixa por faixa.
“Light of Transcendence” – apesar do começo meio “rhapsódico”, é uma faixa com o puro DNA do Angra. Um Power Metal de andamento acelerado e com uma linda passagem de música clássica. Típica abertura de disco/show, como “Nova Era” e “Spread Your Fire”, embora a falta de um refrão mais forte a deixe um nível abaixo desses clássicos.
“Travelers of Time” – aqui já surge o primeiro ritmo abrasileirado do disco, com um riff inicial cheio de ginga. Surge também o primeiro show de Valverde nas baquetas. A música, a primeira divulgada, não me agradou na primeira ouvida, mas já vem se tornando uma das minhas favoritas. Destaque para o refrão cativante e para o para o andamento mais rápido antes e durante o solo.
“Black Widow´s Web” – eis a controversa faixa com participação da Sandy e de Alissa White-Gluz (Arch Enemy). Para desespero dos “troozões”, a participação da consagrada cantora brasileira é bem legal, embora pudesse ter sido melhor explorada, com a sua utilização em momentos de mais punch ou em dueto com a Alissa, por exemplo. A música em si é um das mais pesadas e densas do disco, e também uma das melhores.
“Insania” – essa música me lembrou o mais recente trabalho do Almah, o excelente “E.V.O” (2016). Posso estar enganado, mas deve ter um dedo do Barbosa aí. Com um refrão convidativo, reforçado por um coral de fundo e repetido à exaustão, deve fazer sucesso entre os fãs da banda, sendo uma boa pedida para os shows.
“The Bottom Of My Soul” – cantada exclusivamente por Rafael Bittencourt, tem uma levada que remete aos trabalhos solos dele. Honestamente, não curti muito não. Pra mim é um dos poucos momentos fracos do disco. Destaque apenas para o bonito, melodioso e cadenciado solo de guitarra.
“War Horns” – outra faixa com peso e densidade, contando com a participação de Kiko Loureiro em um brilhante e característico solo. Além disso, destacam-se o refrão cativante e o poderoso e quase Djent riff que serve de ponte após o solo. A música deve ter seu clipe divulgado oficialmente nos próximos dias.
“Caveman” – mais uma levada repleta de elementos da música tupiniquim, com direito a corais em português e uma pegada de capoeira, remetendo a “Unholy Wars” (do disco “Rebirth”, de 2001). O toque tribal da música e os vários tempos quebrados dão margem a mais um show de Bruno Valverde. Ótima faixa.
“Magic Mirror” – essa música talvez não chame a sua atenção na primeira ouvida, mas certamente é a mais rica do disco em termos de possibilidades harmônicas e melódicas. Tem de tudo: uma boa pitada do disco “Secret Garden”, corais a lá Prog Rock setentista, trechos de maior agressividade do mago Lione, além partes de Prog Metal de total quebradeira, pra botar um sorriso no rosto do mais fiel fã de Dream Theater. Está entre as minhas prediletas!
“Always More” – a baladinha mais suave do disco. Poderiam ter colocado a Sandy pra cantar ela toda.. rs. Brincadeiras a parte, essa faixa não me empolgou, embora seja merecedora de elogios a interpretação de Lione, especialmente nas partes mais suaves.
“Silence Inside” – outra faixa que não chegou a me arrancar suspiros. Sua levada principal remete à “The Shadow Hunter” (do “Temple of Shadows”), sendo que em diversos momentos é possível ouvir trechos bem característicos da carreira da banda. Sei lá, me pareceu meio que um “catadão” de riffs e melodias sem muito direcionamento.
“Infinite Nothing” – a “Gate XIII” (também de “Temple Of Shadows”) da vez. Ou seja, uma revisita orquestrada às demais faixas que compõem o disco. Acho a ideia ótima, pois além de servir como um excelente arremate de álbum, valoriza a complexidade e a beleza das melodias criadas.
Em resumo: o Angra acertou novamente. Calejada pelas pancadas da vida nesses mais de 25 anos, a banda consegue se reinventar e oxigenar sua sonoridade com a juventude e a bagagem de seus novos membros, sem perder seu direcionamento base, hoje dado por Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli. Apresenta, com isso, um disco excelente, que é Power Metal, Prog, cheio de brasilidade, diferente e moderno, mas ao mesmo tempo pura e lindamente Angra!
Luiz Gustavo Santos





