Arch Enemy – “Will to Power” (2017)
(Relançamento 2026)
Century Media Records | Voice Music
#MelodicDeathMetal
Para fãs de: Carcass, Children of Bodom, Amon Amarth
Texto por Mauro Antunes
Nota: 8,5
Em 1993, o Carcass lançou o fantástico álbum Heartwork, uma verdadeira obra-prima que mesclava com precisão absoluta a agressividade do Death Metal com a melodia do Heavy Metal, ajudando a consolidar o chamado Melodic Death Metal. Um dos pilares do Carcass, o excepcional guitarrista Michael Amott — músico notadamente à frente de seu tempo — fundou o Arch Enemy, banda que, ao longo dos anos e mantendo-se fiel às suas raízes, conquistou notoriedade e status de grande nome do metal.
Com quase 25 anos de carreira, os suecos lançaram seu 10º álbum de estúdio, mais um bom disco daqueles que permanecem na playlist por alguns dias para serem devidamente assimilados. Com a chegada de Jeff Loomis (ex-Nevermore), era de se esperar uma abordagem mais técnica e agressiva, mas Michael Amott optou por assumir novamente o controle criativo ao lado do baterista Daniel Erlandsson, fazendo de Will to Power mais uma continuação da sonoridade já estabelecida pelo Arch Enemy. Não que isso seja ruim — afinal, tudo aquilo que apreciamos na banda está presente —, mas, de forma geral, era possível esperar algo mais ousado. O Arch Enemy não se tornou pop ou comercial, mas sempre há expectativa por mais de uma banda tão qualificada.
Ainda assim, seria injusto não destacar vários bons momentos do disco. É impossível não se deliciar com o refrão melódico da rápida “The Race”, com a pegada mais voltada ao Heavy/Power Metal de “The World Is Yours” e “First Day in Hell”, com a já considerada clássica “Dream of Retribution” — eleita por Michael Amott e pelo baixista Sharlee D’Angelo como a melhor faixa do álbum — que conta com a participação especial de Jens Johansson, tecladista do Stratovarius, além da carregada de groove “My Shadow and I”.
E, para não dizer que não há polêmica, “Reason to Believe” merece um destaque à parte. Sim, é uma balada. É ruim? De forma alguma — na opinião deste redator, é o melhor momento do disco. O vocal limpo de Alissa pode causar estranhamento inicial, mas o refrão com seu tradicional gutural se sobressai, resultando em uma faixa que, se executada ao vivo, tem tudo para ser um dos momentos mais marcantes dos shows do Arch Enemy. Ouça e tire suas próprias conclusões.
Apesar de não soar inovador, Will to Power é mais uma aula de como fazer boa música e manter um legado sólido de destruição sonora. Se você gosta da banda, pode ouvir sem medo: todas as características que definem o Arch Enemy ao longo de sua trajetória estão presentes. Não deixe de conferir.

