Aria – “Curse Of The Seas” (2018)
Independente
#HeavyMetal , #SpeedMetal
Para fãs de Accept, Saxon, Iron Maiden
Nota: 8,0
Cantar em qualquer idioma que não seja o bom e velho inglês é por si só um desafio para qualquer banda de Heavy Metal. Nascidos na extinta União Soviética e abraçando o idioma de sua pátria-mãe, os russos do Aria sempre fizeram considerável sucesso entre os falantes da língua de Lênin, e o desafio sempre foi se lançar no mercado ocidental. Em “Curse Of The Seas”, a banda entrega uma sonoridade entre o tradicional e o Speed Metal, com bons momentos de guitarra e o vocal seguro de Valery Kipelov apostando em rasgados e agudos que não passam despercebidos.
“Race For Glory” e “Varyag” abrem o disco com estilo, mostrando o bom trabalho de guitarra de Vladimir Holstinin, que varia de riffs mais pesados até dobradinhas harmônicas. No geral, o som é bem anos oitenta, mas repaginado para soar um pouco mais moderno. O fato de a banda cantar em russo pode gerar preconceito ou curiosidade, mas se eles querem ter mais penetração em outros nichos, precisam pelo menos colocar suas artes de divulgação no alfabeto romano (logo, encarte…), ou então o caminho será realmente mais árduo para chegar ao grande público.
Outro momento positivo é em “Kill The Dragon”, onde riffs mais sombrios com bateria mais marcada dão um tom aventureiro. Lembrando que esses títulos são traduções dos originais, que estão no alfabeto cirílico. Em um mundo globalizado e ávido por identificação com grupos, os amantes da língua e da cultura russa vão adorar ver essa espécie de Accept soviético. Musicalmente, entretanto, “Curse Of The Seas” se limita a traduzir um sentimento oitentista que tem lá seu público, mas poderia ser mais ousado.
Por fim, a música de mesmo nome do disco que fecha o álbum é um épico de 12 minutos que lembra as longas músicas do Iron Maiden, evidenciando diversas nuances e ambientações. Para nós, meros ocidentais, fica aquela sensação boa de ver algo inusitado, quase como um samba cantado em inglês. Mas, para que o Aria desperte mais ouvintes, é preciso rever a proposta do idioma e pensar maneiras de falar a mesma língua de seus ouvintes.
Gustavo Maiato
