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Aria – “Guest From The Shadow Kingdom” (DVD) (2019)

Aria – “Guest From The Shadow Kingdom” (DVD) (2019)
M2BA
#HeavyMetal#SpeedMetal

Para fãs de Iron MaidenSaxonAngel Witch

Nota: 10

Nascida em meados da década de 80, com guitarras dobradas e estilo semelhante ao chamado “New Wave of British Heavy Metal”, não foi à toa que os moscovitas do Aria receberam a alcunha de “Iron Maiden Russos”. Sem entrar muito no mérito da comparação, as letras de cunho histórico e a caprichada produção de palco podem nos remeter à trupe de Steve Harris.

Agora, com o lançamento do DVD “Guest From The Shadow Kingdom”, gravado no estádio do Dínamo, tradicional clube de futebol de Moscou, é possível vislumbrar a enorme força que a banda tem quando joga em casa: produção digna de Hollywood, público comparecendo em peso, músicas do novo disco “Curse of the Seas” fazendo sucesso e mais de 30 anos de estrada sendo resumidos com maestria.

Para começo de conversa, a banda não economizou na noite: palco sendo transformado em navio de guerra, o vocalista Mikhail Zhitnyakov vestido de gladiador, pirata, e até mesmo fazendo alusão à vestimenta tradicional do Hard Rock dos anos 80 com uma jaqueta jeans. A cereja do bolo foi uma extensão de palco que ficava suspensa bem acima da plateia onde os integrantes se revezavam e o público assistia a tudo de um ângulo inusitado.

É muito interessante ver uma banda que sabe que o show é muito mais do que a música, é entregar aos fãs um espetáculo que aguce mais sentidos do que apenas a audição. Algo que bandas como Ayreon, Therion e o próprio Iron Maiden em sua recente passagem pelo Brasil fazem muito bem.

Falando sobre o set list, o Aria soube muito bem intercalar momentos mais lentos, como as belas baladas “Point Of No Return” e “So Be It”, com músicas mais teatrais como “The Hangman” e “Antichrist”. Essa última, por sinal, foi um dos pontos altos da apresentação, com Zhitnyakov suspenso por fios e performando acrobacias no ar, bem ao estilo que a cantora Pink fez em recente passagem no Rock in Rio. Para fechar a noite, a escolhida foi a clássica “Street of Roses”, lançada quando a banda tinha ainda 2 anos de idade.

Os ocidentais têm muito o que aprender com o Aria em termos de condução de show e saber jogar em casa, envolvendo o público. Mas como para ser campeão, um time precisa ganhar também fora de casa, o puxão de orelha fica justamente aí: o grande bloqueio do idioma é uma barreira ao mercado ocidental. Até as músicas da banda no Spotify estão com o alfabeto russo, impossibilitando a comunicação. Outro ponto que seria interessante era trazer algum convidado especial para o show.

De qualquer maneira, seria muito bom que a banda conseguisse penetração no mercado da Europa Ocidental e nas Américas, para que mais gente possa conhecer esse verdadeiro tesouro advindo da extinta União Soviética. Por enquanto, cabe a nós apreciar à distância e torcer para que um dia a banda possa fazer uma turnê no distante Brasil.

Gustavo Maiato

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