Banda de abertura: Hellish War
Local: Fabrique Club, São Paulo/SP
Data: 03/06/2018
Produção: Abigail Records | Scelza Produções
Assessoria: LP Metal Press
Texto e fotos por Johnny Z.
Vídeo Luciano Piantonni
Não vou ficar chovendo no molhado, comentando faixa por faixa das apresentações pois, além de massante, não vai dizer nem 1/3 do que foi não só uma aula de Heavy Metal em São Paulo, mas sim um MESTRADO no estilo!
A começar pela belíssima apresentação do Hellish War, que mesmo com a casa meio vazia, mandou seu recado metálico de forma coesa, intensa e cheio de energia. Seria uma injustiça de minha parte destacar um músico da banda nessa apresentação, mas claramente eu tenho que dar um bônus para os vocais de Bill Martins (como canta esse cidadão!!!), lembrando muito Rob Halford e Tim “Ripper” Owens pela potência dos agudos. Tudo conspirou para a banda brilhar: peso, banda afiada mesmo nessa apresentação não contando com o segundo guitarrista Daniel por conta de problemas pessoais, som, luz, energia, pena que o público ainda estava em pequeno número, mas valeu cada segundo ali. Perdi algumas músicas do set pois parti para um meet & greet com o Armored Saint, mas o que vi me agradou e muito. Se gosta de Judas Priest, vai gostar bastante do Hellish War, pois o mesmo, também, tem o Heavy Metal clássico em sua essência e uma longa carreira dentro do metal nacional!
Setlist Hellish War:
Keep it Hellish
The Challenge
Defender of Metal
Destroyer
Metal Forever
We are Living for the Metal
O quê falar do Armored Saint? Eu cresci ouvindo esses caras e foi uma emoção única vê-los ao vivo pela primeira vez e tão de perto como os vi. Achei que nunca presenciaria um show da banda, mas enfim essa longa espera acabou. Se vai haver outras oportunidade ninguém sabe, mas eu realmente torço para que isso aconteça pelo menos mais uma vez. Saúde, força, energia e qualidade eles tem de sobra mesmo com seus mais de 55 anos. É a típica banda formadora de caráter!
No meio do show do Hellish War fui direto para o meet & greet com o Armored Saint. Em 1993 tive a oportunidade de ver John Bush em ação com o Anthrax, mas dessa vez conhecer o “omi” de perto foi , digamos assim, fato “tremedor” de pernas. Assumo! Sempre fui fã da voz, da música, das bandas e da pessoa John Bush, e conhecê-lo pessoalmente bater um papo, pegar uns rabiscos numa tralha e tirar fotos com ele foi um sonho realizado. Já tive o privilégio de conhecer inúmeros artistas, bandas e músicos, alguns estrelinhas outros simpáticos, mas John “atualizou as minhas configurações de simpatia, humildade e humanidade” com sucesso. Com um sorriso enorme, o cara curtia cada segundo, cada autógrafo que dava, abraçava e conversava com o pessoal como se fossem amigos íntimos de décadas! Impressionante! Pode parecer ‘babação de ovo’, pensem qualquer merda que quiser, só quem estava lá no meet & greet sabe o que estou falando. E estendo isso de uma forma um pouco mais branda para os demais, Gonzo Sandoval (bateria), Phil Sandoval (guitarra), Jeff Duncan (guitarra) e o monstro (falaremos isso mais a adiante) Joey Vera (baixo). Resumindo: Valeu cada segundo conhecer esses ídolos de infância. Diferente de outros, esses não me decepcionaram!
Sobre o show, passava das 20hs e com um público um pouco maior, em torno de umas 350 pessoas no máximo, bem longe do ideal, o que foi uma enorme pena pois era a primeira vez que essa seminal banda se apresentava em nosso país, a banda entrou no palco com a adrenalina nas alturas. Dava para caminhar tranquilamente por toda a pista do Fabrique Club, o que me fez ficar bem centralizado na frente do palco, ou seja, assisti-los a centímetros de distância. Indescritível!
John parecia um lunático de 20 anos de idade, cantando tudo e mais um pouco não parava no lugar, corria, agitava, pulava, brincava muito com o público numa interação e sinergia que não via há um bom tempo. Só lugares menores causam essa sensação e é por isso que eu prefiro mil vezes shows assim a festivais ou shows em grandes arenas, pois em locais menores você se sente praticamente “tocando junto” com a banda. E foi o que todos os presentes sentiram.
Praticamente todas os grandes clássicos antigos do grupo foram apresentados (pena que deixaram de lado “Long Before I Die” e “Pay Dirt”), num setlist dando ênfase aos primórdios de sua carreira, tendo “Symbol Of Salvation” (1991) uma leve ênfase. Gostaria que tivessem tocado mais faixas de “Revelation” (2000), um dos que mais gosto por sua sonoridade mais agressiva e mais “Thrash”.
O público teve até a chance de escolher entre as faixas “Raising Fear” ou “Chemical Euphoria”, ganhando a primeira. Eu até pedi para John que tocassem as duas, mas ele tirando sarro da minha cara disse que era impossível tocar as duas ao mesmo tempo (dãããã) (risos). O som estava excelente, nítido e até certo ponto alto, mas não era aquele “alto” ensurdecedor que deixam nossos ouvidos “ocos” por uma semana, mas sim audível e daqueles que você sentia seus órgãos internos tremerem. Baita sensação gostosa, não é? E ainda tem gente achando que ficar sentado num sofá baixando mp3 é bom. SHOW AO VIVO É TUDO DE BOM!!!
Voltando ao espetáculo, falar que a banda estava coesa no palco é redundância, pois os caras tem uma bagagem enorme nas costas, e até mesmo em alguns errinhos de execução de Phil foram aceitos com muitos risos e “sorry guys”. Porra! Poucos fazem cagada, se divertem com ela e ainda pedem desculpas ao público de forma divertida! Já gostava dele, mas agora amei esse cara, sério (risos)! Jeff era o mais contido no palco, mas toca que é uma barbaridade e dava suas estripulias aqui e ali sim, da mesma forma que Phil, que me lembra um pouco o jeitão de Kirk Hammett (Metallica) no palco, já Joey Vera, meu Deus do céu! O que esse cara toca é algo fora da curva MESMO! Não gosto muito de comparar músicos, pois cada um tem sua técnica e qualidade distintas, mas nesse caso, para o herege que não o conhece, ele é uma espécie de precisão/técnica cirúrgica de Steve Harris (Iron Maiden) com um pouco da presença de palco de Flea (Red Hot Chili Peppers). Ou seja, MONSTRO! Um dos mais completos e cheios de groove que já vi ao vivo! E Gonzo na bateria?? Sem exagero nenhum, mas ele não toca, ele ESPANCA a bateria com uma ‘patada’ violenta e gigantesca. Baita baterista! Ao meu ver, ele deveria ser mais reconhecido!
Pontos altos, além da grande interação e sinergia banda/público, som nota 10 e setlist excelente, não dá para não comentar o ocorrido na faixa “Aftermath”. John anuncia a música como um de seus maiores clássicos e sai do palco para a banda executar a primeira parte da mesma. Até aí tudo bem, foi se hidratar, mas de repente Joey Vera aponta para o lado e, em cima do balcão do bar na lateral esquerda do palco John começa a cantar levando a histeria todos os presentes. Não ficou só nisso, desceu do balcão e foi cantar NO MEIO do público (veja o vídeo abaixo). Detalhe: Seguranças de cu é rola! Quando se tem respeito e educação tudo dá certo.
Meus destaques pessoais vão para as execuções fenomenais das faixas “March Of The Saint”, “Tribal Dance”, a pesadíssima “After Me, The Flood” (uma das que eu mais torcia para tocarem!), “Last Train Home”, “Mess”, “Aftermath” (não precisa dizer novamente o motivo) e o final apoteótico com “Reign Of Fire”, “Can U Deliver” e a pancadaria de “Mad House”.
Um domingo que ficará guardado para sempre em nossas mentes e corações, quem não foi me desculpe a sinceridade “na lata”: SE FODEU MANÉ! (risos) PERDEU UM DOS MELHORES (SENÃO O MELHOR ATÉ AGORA) SHOWS NESSE ANO! Quem disse que não tem escola aos domingos??? Eu fui e aprendi MUITO!
Agradecimentos especiais para Lucas Almeida Romão (Abigail Records), Luciano Piantonni (LP Metal Press) e Rodrigo Scelza (Scelza Produções) pela parceria e amizade de sempre. Respeito ad infinitum!
Setlist Armored Saint
Intro
Win Hands Down
March of the Saint
Tribal Dance
After Me, the Flood
Nervous Man
Last Train Home
Raising Fear
Symbol of Salvation
Book of Blood
Mess
Aftermath
Left Hook From Right Field
Reign of Fire
Can U Deliver
Mad House
