At The Gates – “To Drink From The Night Itself” (2018)
Century Media Records
#MelodicDeathMetal
Para fãs de: The Crown, Entombed A.D., Dark Tranquillity
Nota: 9,0
Não é a primeira vez que o At The gates gera grandes expectativas ao lançar um disco novo. A banda foi uma das precursoras do Death Metal melódico sueco nos anos 90, tendo o seu auge com o poderoso “Slaughter of the Soul” (1995), mas encerraram as atividades na sequência, devido à saída dos irmãos Björler e deixaram um enorme legado. Após a turnê de reunião em 2008, houve muita cobrança por material novo e apesar da banda ter relutado durante algum tempo, eis que agraciaram aos fãs com o excelente “At War With Reality” (2014).
As expectativas para este álbum se deram em função da repentina saída (novamente) do guitarrista Anders Björler, um dos grandes mentores da banda. Dessa vez a banda não fraquejou e seguiu firme, mostrando algumas modificações na sonoridade, que não os deixaram repetitivos.
A introdução acústica de “Der Widerstand” apresenta alguns violinos, já denotando que há uma atmosfera mais depressiva e a belíssima faixa título abre o disco com lindos timbres que só o At The Gates sabe fazer. A diferença é que o som está menos cristalino em relação ao material anterior, tanto nas guitarras quanto na voz de Tomas Lindberg. Foram justamente esses fatores que, somados a um baixo mais destacado, deram esse clima diferente. Outra mudança é que o baterista Adrian Erlandsson, conhecido por uma pegada extrema, dá uma aliviada e busca cadências mais constantes, tendo espaço para algumas viradas enquanto há uma pausa no resto do som, mas não deixa de mostrar a sua brutalidade em várias partes.
Faixas como “A Stare Bound in Stone” e “A Labyrinth of Tombs” são aulas de riffs e de criatividade na estruturação de várias levadas diferentes, que se encaixam muito bem entre si. Já “Palace of Lepers” trabalha mais o clima soturno e as melodias, sem perder a pegada. “The Chasm” e “Daggers of Black Haze” apresentam algo que o At The Gates não costuma fazer, que são os solos. Novamente eles acertaram, pois valorizaram solos bem feitos no lugar de palhetadas rápidas. “The Mirror Black” encerra o disco de forma lenta e orquestrada, destacando essa vibe proposta ao longo de toda a audição.
O álbum “To Drink From The Night Itself” mostra que os mestres do At The Gates sabem o que estão fazendo e extingui qualquer dúvida sobre o futuro da banda. Eles mantiveram a força e a identidade de uma forma um pouco diferente, buscando não se tornar uma cópia de si mesmo, sem perder a essência e a maestria que lhes são característicos.
Victor Augusto
