Mascot Label Group | Hellion Records Brazil
Nota: 10
As vertentes mais progressivas e experimentais do Rock e do Heavy Metal despertam amor ou ódio entre os bangers. Se você odeia, nem tente.. esse álbum não vai mudar sua opinião. Mas se você ama, certamente esse é um dos lançamentos mais aguardados dos últimos anos. E saiba desde logo: a espera valeu a pena!
A genialidade enquanto multi-instrumentista e compositor de Arjen Anthony Lucassen é mundialmente reconhecida. Seu fiel escudeiro, o batera Ed Warby, também é um músico de excelente técnica e criatividade. Junte a isso participações especiais de alguns dos maiores expoentes do Metal mundial.. difícil dar errado né? E não deu. Uma obra dessa complexidade e magnitude, contudo, exige que eu faça como Jack: vou por partes.
O CONCEITO – Se você conhece a obra do Ayreon, sabe que a música é indissociável da temática lírica. Uma coisa não tem muita graça sem a outra. Em “The Source”, como o nome indica, a história se passa nos primórdios do universo criado por Lucassen, tendo conexão principalmente com o álbum “01011001” (2008). Essa obra de ficção científica se passa em 4 partes, sendo a primeira situada no planeta “Alpha”, onde foram dados plenos poderes para um computador, que acaba decidindo destruir a raça humana (ou pré-humana). Na segunda e na terceira partes, alguns escolhidos/sobreviventes de “Alpha” migram para um novo planeta, onde passam a viver embaixo d´água. Na parte 4, os habitantes nomeiam “Planeta Y” o seu novo lar, enquanto se dividem entre a esperança pelo futuro e o medo de que os erros do passado se repitam.
AS PARTICIPAÇÕES – Enquanto projeto de Ópera-Rock (ou Ópera-Metal, como queira), a presença de músicos convidados sempre foi marcante na discografia do Ayreon. Como é inviável mencionar todo mundo aqui, devo dizer que meu destaque vai para James Labrie (Dream Theater, no papel de “The Historian”) e Tobias Sammet (Edguy, Avantasia, como “The Captain”). E não é só pela importância dos papéis atribuídos. Goste ou não do timbre de Labrie, é inegável que ele é mestre em passar sentimento na voz, “atuando” como poucos enquanto vocalista. Já Tobias, além de ser especialista nesse tipo de projeto, está pra mim entre os 5 melhores vocalistas de Metal da atualidade. A presença dos dois faz pleno sentido e abrilhanta ainda mais o trabalho.
A SONORIDADE – Uma crítica constante aos trabalhos do Ayreon é que os álbuns em geral são meio parados, com muitas partes lentas e sem muito peso.. um verdadeiro sonífero pra quem não curte prog. Neste álbum, contudo, observei uma pequena mudança. Embora existam diversas passagens de andamento mais cadenciado, sinto que a pegada da cozinha está ligeiramente mais agressiva, que os riffs estão um tanto mais rápidos e diretos, e que as distorções estão um quanto mais pesadas. Em suma, o álbum pende mais para o Metal Progressivo que para o Rock Progressivo. Acredito que, por isso, esse trabalho possa ser mais acessível, no sentido de “fácil de digerir”, ao público em geral. É o que se percebem em passagens da ótima “The Day That the World Breaks Down”, que abre o álbum, em “Everybody Dies” (minha predileta!) e em “Into The Ocean”, entre outras.
Em conclusão, posso dizer tranquilamente que o Ayreon está em plena forma, sendo que apresenta em “The Source” todos os elementos que fizeram com que Lucassen conquistasse uma sólida base de fãs mundo afora. Mais que isso, esse trabalho parece querer dar um passo adiante, tentando conquistar os fãs de progressivo que ainda torcem o nariz para esse projeto. De minha parte, posso dizer que, após 5 ou 6 ouvidas, gosto cada vez mais desse álbum, classificando-o entre os melhores da rica discografia dos caras. Por isso deixo minha nota máxima e minha sugestão: OUÇA!
Luiz Gustavo Santos
