Aztlán – “Entrance to Mictlán” (EP) (2019)
Independente
#DeathMetal, #BlackMetal, #HeavyMetal
Para fãs de: Behemoth, Obituary, Sepultura, Death, Brujeria, Possessed
Nota: 9,0
Que os astecas foram uma das principais civilizações pré-colombianas, qualquer um que tenha primeiro grau completo sabe. Agora, o que mesmo os pós-doutores em História talvez não saibam é que em Feira de Santana, no interior do estado da Bahia, existe uma banda dedicada a homenagear o legado desse povo que foi dizimado pelos conquistadores espanhóis em 1521, sob o comando do espanhol Hernán Cortés.
Apesar de ter havido um tempo em que classificar o Aztlán como banda não era lá muito apropriado — o multi-instrumentista ex-Martyrdom e ex-Deformity BR Marcello “Paganus” Antunes é quem dá as cartas por lá —, a presença recente dos guitarristas Mateus Alves e Gabriel Mattos e do baterista Gilmar Vurmun fazem de “Entrance to Mictlán” um trabalho de grupo. O EP vem na sequência do single “Blood Offering” (2018) — aqui dando as caras como faixa bônus —, aditivado pela presença ilustre do guitarrista Fabio Maka, gerente e professor na escola de música que leva o seu nome em Salvador. Quem assina a produção é Louis, baterista das bandas Drearylands e The Cross.
Sendo Mictlán o equivalente ao inferno na mitologia asteca, nada mais apropriado que um barulho infernal quando se trata da proposta de som: um Death Metal com pinceladas de Black e Heavy tradicional. Na esteira da breve “Niquitoa”, uma intro de caráter quase ritualístico, “Mictlán” liga a britadeira com um bumbo duplo que fuzila os tímpanos. Os vocais são carregados de fúria e desespero, como se “Paganus” em pessoa testemunhasse ao vivo e a cores a pilhagem e a matança promovida em nome do ouro e em nome de Deus. A reta final guarda um lamento no qual a velocidade cede a vez à cadência, como uma chama que vai lentamente se apagando.
Já “Amongst the Walls of Tenochtitlán” presta tributo à capital daquele império, erguida às margens do lago Texcoco, onde atualmente fica a Cidade do México. O andamento mais arrastado pavimenta o caminho para que longas harmonias de duas — ou seriam mais? — guitarras andem de mãos dadas com os vocais surpreendentemente versáteis, do tipo que não se ouve com frequência em lançamentos de Death e Black. Na torcida desde já para que “Entrance” tenha sido, literalmente, apenas a porta de entrada.
Marcelo Vieira

