Bad Religion – Espaço Unimed, São Paulo/SP (28/04/2026)
Produção: Live Nation
Texto e fotos por: Ricardo Brigas
Mesmo tendo assistido ao show do Bad Religion no festival The Town no ano passado, minha expectativa para esse show era enorme; afinal, em um festival, chamados às pressas para substituir o Sex Pistols, com set reduzido, merecia ser revisitado e assistido em um show solo — e, olha, quem foi não se arrependeu em nada.
Em uma noite meio chuvosa, característica em São Paulo nessa época do ano, isso não atrapalhou em nada nossa chegada ao local, apesar de, ali bem perto, também ocorrer o show do Nevermore. O Espaço Unimed é uma casa de shows maravilhosa, que te abraça: bem localizada, pertinho do metrô, com capacidade para cerca de 8 mil pessoas bem acomodadas, oferecendo uma boa visão do palco em qualquer lugar do espaço. E o som… o som da casa realmente impressiona. Todos os shows que assisti lá foram de uma qualidade ímpar nesse quesito, e, dessa vez, não foi diferente.
Terça-feira é um dia bem inusitado para um show. Chegamos mais ou menos uma hora antes do evento e ainda estava bem vazio, a ponto de achar que não teria sido uma boa ideia para a banda tocar nesse dia; porém, faltando 10 minutos para o começo do show, as coisas se apertaram um pouco, e o cenário estava pronto para o embate. Além disso, 15 minutos de atraso não foram suficientes para irritar ninguém, pois a ansiedade em vê-los superava qualquer inquietação momentânea.
Assim como no The Town, o show começou com uma introdução, com o telão mostrando o logotipo da banda nas letras da série Stranger Things. Brett Gurewitz entrou empunhando sua guitarra, com o foco de luz somente nele, e os caras começaram o show com “Recipe for Hate”, para o delírio da galera. Logo de cara, emendaram com “Them and Us” e “Los Angeles Is Burning”, uma verdadeira chuva de clássicos que passeou por todas as fases da banda e engrandeceu ainda mais o espetáculo. Afinal, com 17 álbuns gravados, fica até difícil escolher entre tantos clássicos. Posso dizer que faltaram muitas músicas nesse show, mas, para contentar todos os fãs, precisaria de umas 8 horas de apresentação.
Uma coisa foi unânime entre todos que ali estavam: que show impressionante! Som perfeito, iluminação impecável e o telão que dava referência histórica ao que estava sendo tocado, indicando o disco e, às vezes, o contexto, com frases marcantes das músicas e refrões (como se precisasse) para qualquer desavisado cantar junto com a banda.
Greg Graffin estava muito à vontade no palco; aliás, a banda toda estava. Tocavam com leveza na alma e peso nas guitarras, com a cozinha impecável, como sempre. Além disso, foi bem divertido ver Jay Bentley tocando com tanta irreverência: por vezes ficava sério e mandava seu recado, como sempre faz nos shows do Bad Religion, mas, no contexto geral, dava para perceber o quanto ele estava se divertindo fazendo aquele show.
Já parou para contar quantos clássicos eles têm? “I Want to Conquer the World”, “We’re Only Gonna Die”, “No Control”, “Suffer”, “Infected”, “You”, “Anesthesia”… Ainda assim, o coro repetia, a cada pausa que eles davam, que o que todos queriam ouvir era “Generator”. Confesso ter feito parte desse grupo, pois acho um disco excepcional deles; porém, o pedido da galera não foi atendido. Quando fizeram uma pausa para o grand final do show, Greg Graffin até chegou a brincar com o restante da banda para atender ao pedido do público, mas, infelizmente, não ocorreu.
No fim do show, eles mandaram no telão, em um bom português, a frase “PENSE POR CONTA PRÓPRIA”. Foram 24 pauladas na orelha, sem refresco, e fica a dica de como ter uma baita aula de hardcore ao vivo: intensidade, peso, postura e, principalmente, empatia. Isso fez com que o Bad Religion soasse como um bom vinho — quanto mais velhos ficam, mais apurado fica o show dos caras. Sem dúvida, uma noite para ficar guardada na caixinha de lembranças eternas da mente.
Setlist:
Recipe for Hate
Them and Us
Los Angeles Is Burning
Do What You Want
21st Century (Digital Boy)
The Streets of America
Fuck You
I Want to Conquer the World
Come Join Us
End of History
True North
Atomic Garden
We’re Only Gonna Die
No Control
Struck a Nerve
Suffer
Punk Rock Song
Infected
A Walk
You
Anesthesia
Fuck Armageddon… This Is Hell
Sorrow
American Jesus

