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Bangers Open Air – Memorial da América Latina, São Paulo/SP (26/04/2026)

Bangers Open Air – Memorial da América Latina, São Paulo/SP (26/04/2026)

Texto por Mauro Antunes
Colaboração Chaos Synopsis, Trovão e Krisiun por Matheus ‘Mu’ Silva
Fotos por Ezequias Pedroso

Este redator compareceu a todos os shows que pôde no dia anterior e, surpreendentemente, apesar de ter mais de cinco décadas de vida, pouco sentiu fisicamente. Assim, quando acordei no domingo, parecia estar 100% pronto, tamanha era a expectativa.

Cheguei ao Bangers por volta das 11h da manhã. Antes de mais nada, tomei aquele café da manhã reforçado, com frutas e muita água, justamente para me preparar para as mais de 10 horas de shows que vinham pela frente.

No palco Sun, começou às 12h o show do Visions Of Atlantis. Desde então, quase todos os headbangers que já estavam por lá, sedentos por Heavy Metal, acompanharam a apresentação. Mesmo com um calor superior a 30 graus — o que, para os paulistanos, é considerado muito quente — o público permaneceu atento a cada detalhe. Para quem não os conhece, o Visions Of Atlantis faz aquele típico Power Metal sinfônico, sendo um verdadeiro prato cheio para os fãs do estilo. Confesso que não esperava tamanha mobilização para esse show; aliás, acredito que nem a própria banda esperava.

Por volta das 12h30, me desloquei ao Hot Stage para o show dos alemães do Primal Fear e, ainda assim, consegui pegar o finalzinho do show do Project 46, que marcou o início das atividades na arena principal. Fiquei na grade e pude até interagir levemente durante o show com alguns integrantes da banda alemã. Ralf Scheepers é um frontman muito acima da média, pois tinha a plateia em mãos e, em diversos momentos, brincou com o público. Além disso, pude acompanhar pela primeira vez ao vivo a nova formação, que inclui a guitarrista Thalia Bellazecca e o baterista Andre Hilgers.

Importante destacar a ausência de Mat Sinner, aqui brilhantemente substituído por Dirk Schlächter (Gamma Ray), que estava muito à vontade no palco, inclusive brincando diversas vezes com Thalia durante a apresentação. No repertório, além de faixas como “The Hunter” e “I Am the Primal Fear”, ambas do trabalho mais recente, “Domination” (2025), a banda trouxe clássicos como “Chainbreaker”, “Nuclear Fire” e a icônica “Metal Is Forever”. Apesar do insuportável calor, o show foi arrebatador.

Após o término, deu tempo de ir pegar alguns copos de água e correr (literalmente!) para assistir por alguns minutos ao show do carismático ex-frontman do Kamelot, Roy Khan. Em seguida, fiz uma caminhada rápida para acompanhar, na íntegra (ou quase!), o show do Nevermore, que aconteceria no Ice Stage. Ainda assim, consegui pegar a primeira faixa, “When the Lights Are Down”, um de seus clássicos dos tempos de Kamelot. Logo depois, voltei rapidamente para o Ice Stage para acompanhar a performance do Nevermore.

Conheço muita gente que tinha esse show como o preferido de todo o festival — e, nesse sentido, eu me incluo. Retornei para a arena durante a faixa de abertura, “Narcosynthesis”.

Que espetáculo foi vê-los de volta após tanto tempo. Jeff Loomis (guitarra) e Van Williams (bateria) conseguiram o que parecia improvável após o falecimento do saudoso Warrel Dane, em 2017. Completam a formação o guitarrista Jack Cattoi, o baixista Semir Özerkan e o carismático Berzan Önen (vocal), novo frontman que parece ter sido moldado em laboratório, sendo absolutamente perfeito para o cargo. A expectativa era enorme para a nova formação e, felizmente, eles não decepcionaram. Hinos como “Enemies of Reality”, a totalmente Thrash Metal “Beyond Within”, além de “Inside Four Walls” e “My Acid Words”, foram cantados com força pelos fãs.

Quando faltavam oito minutos para o término do show, percebi que só haveria tempo para mais uma música. Naturalmente, pensei que viriam “The Heart Collector” ou “Believe in Nothing”, que, ao meu ver, são dois de seus maiores hits. No entanto, a banda surpreendeu ao encerrar com a pancada “Born”. O momento ficou ainda mais especial pelo fato de ela não ter sido executada no show em Santiago do Chile, dois dias antes. Berzan pediu ao público à sua frente para se separar para um “Wall of Death” e, prontamente, foi atendido. Foi pancadaria para todo lado, encerrando o show de forma impecável. Desde já, estou ansioso para vê-los novamente em ação no Carioca Club, também aqui em São Paulo.

Por Matheus ‘Mu’ Silva: Às 14h30, a terceira atração do Waves Stage, o Chaos Synopsis, iniciou sua apresentação. Dando sequência às comemorações de 20 anos da banda, este certamente é um dos momentos mais altos de sua carreira, ao alcançar a oportunidade de se apresentar no que hoje é o maior festival de metal que temos.

Esbanjando felicidade por vivenciarem mais uma conquista em sua trajetória, fizeram um set de 50 minutos bem aproveitados. Mesmo tocando no anfiteatro do Memorial, que conta com poltronas, ainda assim vários headbangers se aproximaram do palco para acompanhar o show de perto, inclusive abrindo rodas de mosh nos momentos mais intensos da apresentação, como em “Gods Upon Mankind”, “Coronavirus” e “Chaos Synopsis”.

Além disso, a banda, que recentemente regravou seu EP de estreia, Garden of Forgotten Shadows, lançado originalmente em 2006, reservou para o final duas de suas melhores músicas: “Only Evil Can Prevail” e “Spiritual Cancer”. Ambas foram muito celebradas pelos fãs mais antigos, que marcaram presença na linha de frente, batendo cabeça e se degladiando no mosh.

Por fim, foi um show brutal e direto ao ponto, consolidando a sensação de que a banda vive, de fato, o seu melhor momento.

Depois do Nevermore, deu tempo de dar aquela respirada, tomar uma cerveja e seguir para mais Metal. Ainda estava me recuperando quando o Amaranthe entrou no Hot Stage. Até então, nunca havia assistido à banda ao vivo, e o trio vocal funciona incrivelmente bem, especialmente ao vivo. Mesmo não conhecendo profundamente o grupo, foi muito interessante observar todo o aparato e perceber o quanto soam pesados no palco. Faixas como “Viral”, “Digital World” e “Chaos Theory” certamente merecem uma audição mais atenta.

Em seguida, retornei ao Sun Stage para acompanhar por alguns minutos o show do Crazy Lixx, que trouxe um Hard Rock extremamente divertido. Apesar de ainda jovens (creio eu), a banda já possui uma discografia respeitável, com oito álbuns de estúdio. Músicas como “Rise Above” e “Whiskey Tango Foxtrot” animam qualquer público. Energia, definitivamente, não falta — foi revigorante e tive a sorte de acompanhar boa parte do show.

Mais uma vez, voltei ao Ice Stage para acompanhar o Winger — e adivinhem qual música estava rolando? Sim, ela mesma: a melosa “Miles Away”, que, ame ou odeie, foi o grande momento do show. A apresentação contou com bons solos de guitarra e muita adrenalina, apesar do forte calor, mesmo com o relógio já marcando 16h30. Assistir ao Winger foi um daqueles momentos ideais para respirar, fazer um lanche e aguardar pela dupla Adrian Smith e Richie Kotzen, com seu Smith/Kotzen, que entraria no Hot Stage às 17h15.

Por Matheus ‘Mu’ Silva: Às 17h10, o Trovão iniciou sua apresentação no Waves Stage. Provavelmente o show nacional mais lotado daquele palco, a banda mostrou por que é um dos maiores expoentes do metal nacional da atualidade. Além disso, focando o set em seu mais recente disco, o fenomenal Diamante (2025), o grupo dominou tanto o palco quanto o público, que sabia cantar todas as músicas, erguendo punhos cerrados e batendo cabeça diante de uma performance impecável.

Músicas como “Preso ao Passado”, “Trovão”, “Princesa do Fogo”, “Até o Fim”, “Seres da Noite” e “Olhos da Cidade” foram executadas com maestria. Somado a isso, a presença de palco ímpar da banda elevou ainda mais a apresentação, conduzida de forma espetacular ao longo de um set de 60 minutos, deixando, por fim, uma impressão mais do que positiva em todos os presentes.

Assisti ao show na íntegra do Smith/Kotzen. Inicialmente, achei que começou um pouco morno, já que a dupla parecia sem muita pegada. No entanto, aos poucos, a apresentação foi esquentando, e os dois — exímios guitarristas — começaram a mostrar a que vieram. Em “Darkside”, “Got a Hold on Me” e “Scars”, a energia já era insana. Além disso, ainda presentearam o público com o hino “Wasted Years”, clássico do Iron Maiden composto por Adrian Smith. Como esperado, o público cantou junto em peso. Afinal, fãs de Iron Maiden estão em todos os cantos do Brasil. Um final perfeito — definitivamente valeu assistir até o fim.

Na sequência, veio o momento mais complicado para este redator: três shows em três palcos diferentes, quase ao mesmo tempo. Ainda assim, comecei pelo Krisiun, no Sun Stage. Inclusive, tive a oportunidade de assisti-los uma semana antes no Party On Wacken, e o resultado foi o mesmo: caos e destruição sonora. “Kings of Killing” abriu os trabalhos com brutalidade, e outros pontos altos vieram na sequência, como “Descending Abomination”, “Combustion Inferno” e “Blood Of Lions”. Matador como sempre. Krisiun é como vinho, quanto mais tempo passa, melhor é! Não tem um show desses caras que eu não fale que foi um massacre! Brasileiro adora falar em orgulho nacional, e o Krisiun é mais um, e um dos grandes!

Por Matheus ‘Mu’ Silva: Às 18h30, no Sun Stage, iniciou-se a apresentação do Krisiun. Esta é a segunda vez que a banda gaúcha participa do evento, tendo tocado na sua primeira edição, em 2023, quando ainda tinha o antigo nome. O trio de irmãos continua imparável, destilando seu Brutal Death Metal e, além disso, reforçando sua posição no underground nacional como a maior potência do estilo em nosso país.

Fazendo um set protocolar, sem grandes surpresas, para quem esteve presente no Wacken Party, o repertório foi basicamente o mesmo, com exceção das quatro músicas finais que foram tocadas na Audio. Ainda assim, executando hinos poderosos como “Kings of Killing”, “Vicious Wrath”, “Combustion Inferno” e “Blood of Lions”, além de faixas de seu último trabalho, Mortem Solis (2022), como “Necronomical” e a derradeira “Serpent Messiah”, a banda entregou mais uma grande apresentação.

Por fim, assim como em 2023, ficou a sensação de que o grupo merecia estar no palco principal.

Pela primeira vez no domingo, me dirigi ao Waves Stage, localizado dentro de um teatro, para conferir o Silver Dust. Para quem não conhece, a banda suíça aposta em uma proposta mais teatral, com influências de nomes como King Diamond com uma sonoridade meio Rammstein. Guardadas as devidas proporções, é uma ótima opção para quem aprecia esse estilo mais industrial. No entanto, como o tempo era curto e o Within Temptation já se apresentava no Ice Stage, segui novamente para lá.

Cheguei a tempo de assistir às quatro últimas músicas, começando por “Paradise (What About Us?)”, originalmente gravada com Tarja Turunen, muito querida pelos brasileiros. Mesmo ausente fisicamente, sua imagem apareceu no telão durante toda a música. Em seguida, “Ice Queen” e “Mother Earth” fecharam a apresentação com chave de ouro, resgatando a fase mais pesada da banda. Como era de se esperar, Sharon den Adel brilhou em todos os aspectos.

Logo depois, permaneci na área VIP aguardando o início do show do Angra. O espaço estava simplesmente abarrotado, o que comprova a força da banda no Brasil. Assisti, mesmo espremido, às sete primeiras músicas. Alirio Netto abriu com “Nothing to Say” e “Angels Cry” e mostrou por que é um substituto à altura de Andre Matos. Em seguida, Fabio Lione assumiu os vocais em algumas faixas, incluindo “Lisbon”, um dos grandes hinos da banda. Depois disso, Alirio retornou com força total em “Wuthering Heights”.

(Nota da redação #1: Infelizmente, e sem nenhuma explicação, nosso fotógrafo não foi autorizado pela rquipe da banda a tirar fotos do show. Lamentável!)

Na sequência, segui para o show do Dirkschneider no Sun Stage, que apresentou na íntegra o clássico “Balls to the Wall”. Foi uma verdadeira celebração do Heavy Metal. UDO, já com 75 anos, mostrou energia de sobra. Destaques para “Head Over Heels”, “Losing More Than You’ve Ever Had” e “Losers and Winners”. No bis, “Princess of the Dawn” e “Burning” encerraram a noite de forma épica.

E ainda não havia acabado. O Ambush fechou o festival no Waves Stage, com o teatro completamente lotado. O show foi uma verdadeira viagem ao Heavy Metal dos anos 80. Quando o cansaço já era evidente, a banda trouxe uma ótima versão de “Metal Gods”, renovando as energias do público. O encerramento ficou por conta de “Don’t Shoot (Let ‘em Burn)”. Para aqueles que insistem em falar que o metal oitentista está cada vez mais morto, não dê atenção a essas pessoas.

(Nota da redação #1: Infelizmente, não conseguimos realizar a cobertura fotográfica dos shows de Dirkschneider e Ambush!)

Mesmo após quase 11 horas de shows, ninguém parecia disposto a ir embora.

Mais algumas coberturas fotográficas de bandas que não conseguimos acompanhar por falta de tempo, mas que demos uma passada para sentir o ambiente:

Project 46:

Roy Khan:

Silver Dust:

Por fim, apesar de este relato focar no domingo, acompanhei o festival desde o início. Naturalmente, não foi possível assistir a tudo, devido aos horários simultâneos. Ainda assim, cada escolha valeu a pena.

Em resumo, foi um final de semana perfeito para esquecer os problemas e viver intensamente o Heavy Metal. E, como sempre acontece, fica aquela sensação agridoce: o cansaço físico misturado com a felicidade — e, claro, a certeza de que muitos outros momentos como esse ainda virão.

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