Behemoth – “I, Scvlptor” (2026)

Behemoth
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Behemoth – “I, Scvlptor” (2026)

Massacre Records | Shinigami Records
#BlackMetal #DeathMetal #BlackenedDeathMetal

Para fãs de: Watain, Hate, Belphegor

Texto por: Lucas David

Nota: 10

É impossível negar que o Behemoth se tornou uma das maiores bandas de metal extremo do mundo. Ao longo dos anos, o grupo dominou desde pequenos lugares até grandes arenas ao redor do planeta. Além disso, entregou sua mistura de Black e Death Metal de maneira primorosa.

Muitos torcem o nariz para a atual fase da banda. Principalmente pela parte mais teatral das faixas e dos shows. Ainda assim, Nergal e companhia souberam injetar doses dramáticas em suas músicas. Dessa maneira, cada composição se transforma em uma viagem por temas satânicos, bíblicos e apocalípticos.

Seu último trabalho, The Shit ov God, foi um dos grandes acertos de sua carreira. Mesmo contando com um título que muitos consideraram “cringe”, é inegável a qualidade apresentada pelo álbum. Por isso, figura entre os melhores lançamentos da banda desde The Satanist (2014).

Agora, menos de dezoito meses após The Shit ov God, o grupo retorna com I, Scvlptor. O trabalho se mostra mais do que um novo álbum de estúdio. Na verdade, trata-se de uma revisitação de ideias que não chegaram a ser aproveitadas. Para nossa sorte, elas foram resgatadas.

A ideia do disco é funcionar como uma coletânea e, ao mesmo tempo, como uma ponte entre duas fases. De um lado, está o período mais Black Metal. Do outro, aparece o Blackened Death Metal praticado pelo Behemoth atualmente.

Ao todo, são oito faixas. Algumas são inéditas, enquanto outras foram regravadas. Há também algumas joias que muitos não conheciam. Todas, porém, remontam às raízes mais cruas e viscerais do início da carreira.

Esse fator chama a atenção. Afinal, I, Scvlptor não soa como apenas um caça-níquel. Pelo contrário, o material encontra relevância dentro da discografia da banda.

A faixa-título abre o disco com uma levada que já conhecemos. O tom é épico, enquanto a atmosfera se mostra grandiosa e sombria. O ritmo mais cadenciado conduz o ouvinte por uma letra sobre estar em constante processo de transformação.

A ideia também envolve moldar-se cada vez mais para ser a melhor versão de si. Na metade da duração, entretanto, a música explode em riffs cortantes. Logo depois, surge uma avalanche de blast beats.

O solo aparece rapidamente. Enquanto isso, os vocais de Nergal ficam ainda mais venenosos e poderosos. Uma frase usada por Nergal na descrição da faixa merece destaque. Afinal, ela resume bem o conceito abordado:

“O paradoxo é que, desde o momento em que nascemos, já estamos destinados a morrer; portanto, talvez não se trate da vitória (sobre a morte) em si, mas do ato constante de esculpir quem somos”.

A segunda faixa inédita é “Lord ov The Horizons”. A composição traz uma atmosfera ameaçadora. Os vocais limpos dominam boa parte da música. Aos poucos, porém, ela despenca em um ataque visceral de riffs em tremolo. A bateria surge punitiva. Além disso, Seth entrega mais um solo carregado de melodia.

“Rise of The Blackstorm of Evil”, da demo The Return Of The Northern Moon (1993), recebe uma injeção de poder. A qualidade apresentada pela banda atualmente também aparece com força.

Dessa forma, a faixa se transforma em mais um épico digno da fama dos poloneses. O mesmo acontece com “In Thy Pandemaeternum”, do álbum Pandemonic Incantations (1998). A composição surge mais brutal e direta. Ainda assim, encaixou-se perfeitamente na nova sonoridade. Como resultado, tornou o trabalho ainda mais poderoso.

“Begotten” é uma das sobras de The Shit ov God. Embora possua elementos encontrados no disco, a música se diferencia um pouco das demais. Isso acontece pelos momentos de Post-Gothic presentes em algumas levadas.

Os vocais de Nergal também ajudam nessa diferença. Ele repete o nome da faixa diversas vezes. Além disso, a composição apresenta momentos incríveis.

O destaque fica para o trabalho de Inferno. O baterista entrega viradas brutais ao longo da música. O baixo de Orion também aparece mais. Dessa vez, trazendo bastante peso e velocidade. Apesar disso, a composição se torna um tanto repetitiva e cansativa. Por esse motivo, acaba sendo a mais fraca do disco.

A versão de “In League With Satan”, presente no álbum de estreia do Venom, Welcome to Hell (1981), encaixou muito bem com o estilo do Behemoth. A participação de Shagrath, vocalista do Dimmu Borgir, também funciona muito bem.

Ele divide o microfone com Nergal ao longo da faixa. A banda manteve o ritmo cadenciado e pesado da composição original. Ao mesmo tempo, imprimiu uma brutalidade própria. O resultado fez jus a esse grande hino do metal extremo.

Por sua vez, a versão ao vivo de “The Return of Darkness and Evil”, do Bathory, representa a segunda homenagem a um dos pilares do metal. A gravação também preserva toda a brutalidade da composição original.

Porém, o Behemoth acrescenta sua veia mais agressiva. A participação de Sakis Tolis, vocalista do Rotting Christ, também merece destaque.

O disco se encerra com uma versão bruta de “Lord ov The Horizons”. Ela se mostra mais pesada e suja do que a primeira. No entanto, apesar da abordagem diferente, não acrescenta muito ao resultado final.

O novo trabalho chegou quase de surpresa. Ainda assim, serviu bastante como um gancho para manter os fãs ligados à banda. Atualmente, o grupo está em turnê divulgando The Shit ov God.

Revisitar músicas antigas e trazer versões de grandes clássicos em I, Scvlptor mostra o longo caminho percorrido pelo Behemoth. Ao mesmo tempo, a banda não se esquece de suas raízes e influências. Por outro lado, o grupo segue plenamente consciente do monstro bíblico que se tornou.

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