Black Rose – “Killing Machine” (2025)

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Black Rose – “Killing Machine” (2025)

Hellion Records Brazil
#HeavyMetal

Para fãs de: Judas Priest, Accept, Tygers of Pan Tang, Def Leppard

Texto por Johnny Z.

Nota: 8,0

Há discos que chegam com campanha, hype e avalanche de divulgação, ainda mais se são trabalhos de bandas queridinhas do público/mídia ou até mesmo apadrinhadas por algum investidor/produtor com grana e força dentro do ramo de shows. Outros simplesmente aparecem — quase como um sussurro no underground — e vão ganhando espaço no ouvido de quem ainda presta atenção no que realmente importa e tem sua qualidade. Killing Machine, novo trabalho do veterano Black Rose, pertence claramente ao segundo grupo.

Sem alarde, sem empurrão de grandes veículos e praticamente ignorado pelos milhares ‘fomentadores do rock’ (uma bela ironia aqui, ok?), o álbum começou a circular entre os fiéis do heavy metal tradicional como um daqueles achados que você descobre mais por insistência do que por algoritmo. E talvez isso diga muito sobre ele.

Logo de cara, a proposta é clara: um pé firme na New Wave of British Heavy Metal, outro na musculatura sonora dos tempos atuais. A faixa-título chega sem cerimônia — introdução sintética, clima crescente e, de repente, tudo explode em um riff direto, daqueles que poderiam tranquilamente abrir um disco do Accept em seus dias mais inspirados. É o tipo de início que não pede licença e também não precisa, chega com os dois pés na porta.

Na sequência, “If It’s Too Loud (You’re Too Old)” entrega exatamente o que o nome promete: um hino feito para ser gritado, com melodia grudenta e solo afiado. Já “Blood Red Sky” acelera novamente, sustentada por um trabalho de guitarras que mostra como Kenny Nicholson ainda sabe equilibrar técnica e feeling sem soar datado. Aqui, o Black Rose acerta em cheio naquilo que muitos tentam e poucos conseguem: soar clássico sem parecer preso no passado.

E esse é justamente o grande trunfo do álbum. Quando funciona — e isso acontece com frequência — Killing Machine mostra uma banda que entende perfeitamente sua identidade, mas não tem medo de incorporar peso contemporâneo, flertando inclusive com elementos de speed e thrash em momentos pontuais. Faixas como “Flesh & Bone” reforçam essa ponte entre eras com naturalidade.

Mas nem tudo mantém o mesmo nível de impacto. Em alguns trechos, o disco parece mirar um território mais moderno e acessível — e nem sempre isso joga a favor. Músicas como “Crossed The Line”, “Voices” e “Go Down Fighting” carregam uma abordagem mais próxima do hard rock contemporâneo, com estruturas que podem soar genéricas para quem busca aquela crueza mais típica do metal oitentista. Não chegam a comprometer o conjunto, longe disso, mas quebram um pouco da consistência criada.

Outro ponto que poderá dividir opiniões está na produção. A ideia de trazer o som clássico para um contexto moderno faz sentido — e em muitos momentos funciona —, mas há passagens em que a mixagem parece menos clara do que deveria, com bateria soando excessivamente mecânica e algumas camadas perdendo definição. Nada que destrua a experiência, mas o suficiente para dar a sensação de que o álbum poderia soar ainda mais poderoso com um tratamento mais limpo, ou nas mãos de alguém com mais esmero.

Ainda assim, o saldo é positivo. E mais do que isso: honesto. Killing Machine não tenta reinventar o heavy metal, nem precisa. Aliás, muitas bandas procuram por isso, e falham miseravelmente. O álbum aqui se sustenta na composição sólida, na experiência de músicos que sabem exatamente o que estão fazendo e na capacidade de entregar músicas longas, bem estruturadas e que não se arrastam.

Na reta final, o disco volta a crescer com “Too Loud For Radio”, outro momento pensado para o coro coletivo, e encerra com “Under Fire”, que mantém a energia em alta até o último acorde. É um fechamento que reforça a sensação geral: o Black Rose ainda tem combustível — e atitude — de sobra.

Após algumas audições, o que fica é essa sensação de dualidade. Há momentos em que o Black Rose soa absolutamente afiado, entregando exatamente o tipo de heavy metal que se espera — direto, envolvente e cheio de personalidade. Em outros, surgem pequenas oscilações que impedem o disco de alcançar um patamar ainda mais alto. Ainda assim, dentro da proposta, é difícil ignorar a força do conjunto.

Talvez a verdade esteja exatamente no meio. Killing Machine não é perfeito, mas também passa longe de ser apenas mais um disco nostálgico. Quando acerta, acerta com força. E quando isso acontece, fica claro: o Black Rose ainda sabe muito bem como fazer o metal soar vivo.

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