Blades Of Steel – “Blades Of Steel” (2025)
Metal Relics | Voice Music
#HeavyMetal
Para fãs de: Judas Priest, Manowar, Warlock, Running Wild
Texto por Johnny Z.
Nota: 8,5
Em um período em que muitas bandas apostam em modernizações nem sempre necessárias, a Blades Of Steel escolhe um caminho diferente: ergue sua bandeira em defesa do Heavy Metal tradicional e entrega um álbum de estreia que exala paixão pela velha escola em cada riff. Sem tentar reinventar fórmulas ou seguir tendências passageiras, o grupo apresenta um trabalho que reverencia os pilares do gênero enquanto demonstra personalidade suficiente para justificar sua presença entre os nomes mais promissores da nova geração do metal nacional.
Desde os primeiros segundos da faixa-título, fica claro que a proposta da banda está fundamentada nos valores mais clássicos do estilo. Riffs afiados, guitarras harmonizadas, refrões de fácil assimilação e uma atmosfera carregada de heroísmo e aventura conduzem o ouvinte por uma jornada que remete diretamente à era de ouro do Heavy Metal oitentista. Ainda assim, o disco evita soar como uma simples reprodução do passado. Há frescor na execução e convicção nas composições, elementos fundamentais para transformar influência em identidade, mas sem abrir mão daquela essência genuinamente oitentista que os fãs do estilo tanto apreciam.
A abertura com “Blades Of Steel” deixa claro, logo de cara, qual é a proposta da banda. O andamento vibrante e o refrão marcante criam um início empolgante, preparando terreno para uma sequência de músicas que mantêm o nível elevado do começo ao fim. Logo em seguida, “Ruler Of The Waves” confirma a força do material. Com temática marítima e clima aventureiro, a faixa se destaca pelas melodias inspiradas e pelo excelente trabalho das guitarras, entregando um dos momentos mais memoráveis do álbum.
A sonoridade construída pela banda transita entre diferentes vertentes do Heavy Metal clássico. É possível identificar ecos da agressividade de Judas Priest, da grandiosidade épica de Manowar e da vocação aventureira de Running Wild, mas tudo isso aparece integrado de maneira natural. O mais interessante é que a banda absorve essas influências sem soar excessivamente dependente delas, construindo uma identidade própria dentro dos limites do Heavy Metal tradicional.
Entre os momentos mais pesados do trabalho está “Vengeance Is Mine”, que adiciona uma dose extra de agressividade ao repertório. Os riffs mais diretos e a intensidade crescente tornam a faixa uma das mais impactantes do disco. Já “Into The War” amplia o caráter épico da obra com uma abordagem marcial que parece feita sob medida para ser executada diante de grandes plateias.
O álbum também revela preocupação em variar suas atmosferas. “Unholy Scrolls” explora uma ambientação mais obscura e misteriosa, enquanto “A Heart In The Dark” desacelera parcialmente a intensidade para investir em melodias mais emotivas. Essa dinâmica contribui para que a audição permaneça interessante durante toda a duração do trabalho, evitando a sensação de repetição que frequentemente afeta lançamentos do gênero.
Na reta final, “Iron Hands” surge como um dos grandes destaques do repertório. Seu riff principal é daqueles que permanecem na memória após poucas audições, reforçado por um refrão poderoso e uma construção tipicamente oitentista. O encerramento com “Shadow Huntress” resume de forma eficiente todas as qualidades apresentadas ao longo do disco: peso, melodia, técnica e senso de grandiosidade.
Instrumentalmente, a banda demonstra maturidade impressionante para um álbum de estreia. O trabalho das guitarras merece atenção especial, oferecendo harmonizações bem elaboradas e solos que servem às músicas sem cair em exibicionismos desnecessários. A base rítmica sustenta as composições com firmeza, enquanto os vocais apresentam segurança e personalidade, contribuindo para a construção da identidade do grupo.
Se os riffs carregam o peso do álbum, é Yara Haag quem lhe confere personalidade. A vocalista entrega uma performance segura e carismática, transitando com naturalidade entre momentos mais melódicos e passagens de maior imponência. Sua interpretação acrescenta identidade às composições e evita que a banda soe apenas como mais um revival oitentista. Em faixas como “Ruler Of The Waves”, “A Heart In The Dark” e “Shadow Huntress”, Yara demonstra segurança, presença e bom senso na construção das linhas vocais, sabendo quando privilegiar a melodia e quando adicionar mais peso e imponência às composições.
A produção também merece reconhecimento. O álbum possui clareza suficiente para valorizar cada instrumento, mas sem sacrificar a contundência que um disco de Heavy Metal exige. O resultado é uma sonoridade robusta, orgânica e extremamente agradável para os apreciadores da velha escola.
O maior mérito de Blades Of Steel está justamente em sua sinceridade artística. Em vez de perseguir tendências passageiras ou tentar modernizações forçadas, a banda aposta na força das boas composições e no respeito às raízes do gênero. O resultado é um álbum consistente, energético e repleto de momentos marcantes, capaz de agradar tanto aos veteranos quanto aos ouvintes que vêm descobrindo o Heavy Metal tradicional através da nova geração de bandas.
Mais do que um exercício de nostalgia, Blades Of Steel mostra que o Heavy Metal tradicional continua capaz de soar vibrante quando executado com convicção e competência. O grupo reúne riffs memoráveis, refrões fortes, excelentes harmonizações de guitarra e uma performance vocal marcante de Yara Haag, entregando um trabalho consistente do início ao fim. Se mantiver o nível de composição apresentado aqui, tem tudo para se consolidar como um dos nomes mais interessantes da nova safra do metal brasileiro.

