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Blaze Bayley + Absolva + Roland Grapow – Manifesto Bar, São Paulo/SP (26/01/2020)

Banda principal: Blaze Bayley
Bandas de abertura: Roland GrapowAbsolva
Local: Manifesto Bar, São Paulo/SP
Data: 26/01/2020
Produção: TC7 Produções
Assessoria: LP Metal Press

Texto e fotos por: Johnny Z.

Manifesto, pleno domingo, completamente lotado e quem foi não se arrependeu nenhum um minuto sequer de ficar em pé quase que seis horas! Sim, dentro todos os três shows, também devemos contar um tempinho de montagem de equipamentos, atrasos aqui e ali, luzes e etc. Os incomodados com isso deveriam ter ido embora, pois vi alguns que se incomodaram e ficavam gritando porcarias lá no meio de público. Tudo bem que, com esses atrasos a chegada em casa de todos os presentes se deu após a meia noite, o que cansou geral a todos no trabalho no dia seguinte, mas como disse antes, “incomodados que fossem pra casa”. Eu fiquei até o final e agradeço minhas pernas e coluna por isso (risos).

Roland Grapow:

Se você não sabe quem é Roland Grapow peço a gentileza que feche essa página e vá fazer outra coisa na vida, pois escutar/gostar de Heavy Metal não é a sua praia. O cara dispensa comentários e teve uma brilhante passagem pelo gigante Helloween de 1988 até 2000, quando saiu de forma não muito amigável da banda após ter lançado um dos melhores álbuns da carreira, “The Dark Ride”. Após essa saída abrupta, montou junto com seu ex-parceiro de Helloween, Uli Kusch (baterista), o Masterplan e lá Roland está até hoje (Uli não mais). Aqui, acompanhado de uma seleção de músicos brasileiros de extrema qualidade a saber: Marcos Dotta (bateria, Warrel Dane), Fábio Carito (baixo, Warrel Dane), Affonso Junior (guitarra, Revenge) e João Luiz (vocal, Golpe de Estado).

Fizeram um set bem balanceado tocando, obviamente, Helloween e Masterplan, mas a escolha das músicas foi o ponto alto de tudo. Somente as melhores e mais aclamadas composições de Roland, com exceção de “A Tale That Wasn’t Right” que era da fase anterior a sua entrada no Helloween e foi tocada como agradecimento à banda por terem aceito Roland no lugar de Kain Hansen. Inclusive, Roland agradeceu aqui com todas as letras à Michael Weikath (guitarrista fundador do Helloween) por isso. Adoraria vê-lo junto com a formação atual do Helloween, já que os alemães se reuniram com Michael Kiske (vocal) e o Kai recentemente. Seria mais respeitoso e muito mais interessante se Roland tivesse participado, mas vai saber qual foi a treta que aconteceu há 20 anos. Só eles sabem e Roland até brincou com isso dizendo que “coisas aconteceram e bla bla bla” (risos).

Som tinindo, público em peso e banda entrosadíssima deixaram o caminho aberto para Roland brilhar e esse brilhou! Tocou muito, cantou muito, brincou/se divertiu muito e até leu letra que já não lembrava mais (“A Tale That Wasn’t Right” ele cantou rindo as partes mais baixas literalmente segurando uma folha, o que causou risos gerais). Show é isso, improviso, diversão e não precisa nada ser tão certinho, somente energia! E nessa apresentação tivemos de sobra!

Confesso que algumas faixas executadas me surpreenderam e eu jamais esperaria que elas sequer fossem lembradas como, por exemplo, “Mr. Ego”, “Someone’s Crying”, “Sill We Go” e “A Tale That Wasn’t Right”. Essas três em especial, junto com “The Chance” foram o ponto alto da apresentação. Os vocais de João Luiz, que estão mais para Ronnie James Dio/Jorn Lande ficaram melhores nas faixas do Masterplan obviamente, mas até nos agudos de Kiske e nos graves de Andi Deris ele não decepcionou, pelo contrário, mandou muitíssimo bem e ninguém se incomodou com nada pois o clima era de total satisfação. Único ponto que nem podemos falar que é negativo, mas poderia ser melhor era a inversão das últimas duas faixas, deixando “The Chance” como fechamento e não “Crawling From Hell”. Baita show!

Setlist Roland Grapow:

Enlighteen Me (Masterplan)
Spirit Never Dies (Masterplan)
Mr. Ego (Helloween)
Kind Hearted Light (Masterplan)
The Time Of The Oath (Helloween)
Keep Your Dream Alive (Masterplan)
Someone’s Cruing (Helloween)
Crystal Night (Masterplan)
Soulburn (Masterplan)
Still We Go (Helloween)
A Tale That Wasn’t Right (Helloween)
Heroes (Masterplan)
The Chance (Helloween)
Crawling From Hell (Masterplan)

 

Absolva:

Os ingleses de Manchester se apresentaram pela primeira vez no Brasil como Absolva, mas não é a primeira vez que vieram para cá já que são a banda de apoio de Blaze Bayley. Exceto Luke Appleton (guitarrista) que enquanto está de “férias” do baixo no Iced Earth, veio pela primeira vez com a banda. Para minha surpresa, muitos ali presentes conheciam bastante a banda e isso ajudou demais na apresentação que foi bem enérgica e cheia de adrenalina. Chris Appleton, também um tremendo vocalista, e Luke formam uma dupla de guitarras perfeita para o Heavy Metal mais ganchudo e com áurea bem oitentista que a banda apresenta. Mas não só eles chamam a atenção, o baterista Martin McNee e o baixista Karl Schramm formam uma cozinha não só correta como bem impactante. Costumo sempre “rotular” a banda como uma versão mais moderna de um Iron Maiden da fase “Powerslave”, pois tem tudo lá, riffs, peso, bateria na cara, baixão estridente, solos harmoniosos, tudo!

O Heavy Metal do grupo vibra não só nos riffs e melodias, mas nos refrões daqueles de cantarmos juntos mesmo sem nunca termos ouvido a música antes, basta um refrão executado que no segundo você já sai cantando com os vocais potentes do simpaticíssimo Chris. Bons exemplos disso são “Rise Again”, “Never A Good Day To Die”, “Defiance” e na arrasa quarteirão “Code Red” que fecha o set da mesma forma que começou, transbordando energia.

Essa banda vai alcançar patamares enormes e não vai demorar muito, pois a cada lançamento eles surpreendem o ouvinte. A prova disso é que executaram uma faixa nova, “Legion”, que vai sair em abril no novo álbum “Side By Side”. Não perca tempo e faça um bem a você: corra atrás do Absolva!

Setlist Absolva:

Life on the Edge
Rise Again
Never a Good Day to Die
Defiance
No Tomorrow
Legion
From Beyond the Light
Watching Over Me (Iced Earth)
Code Red

 

Blaze Bayley:

Blaze Bayley já deve ter se apresentando em São Paulo umas trocentas vezes e em todas elas eu estive presente. Sendo quando estava com o Iron Maiden ou quando em sua carreira frutífera carreira solo. Sim meus amigos, frutífera sim! Aceita que dói menos, pois qualquer coisa que sua ex-banda tenha feito pós “Brave New World” (1999), não chega perto do que seu ex-vocalista tenha feito em termos de energia e qualidade. Ou vão me falar que aquela pataquada que causa sono chamada “The Final Frontier” é vibrante? Menos, vai! Voltando ao show, Blaze sempre teve a façanha de escolher músicos brilhantes para acompanha-lo em sua carreira solo, e nenhuma das formações que já esteve a seu lado podemos chamar de fraca, nenhuma! Essa atual fase, contando com o afiadíssimo Absolva como banda de apoio, não fugiu a regra.

Para essa “nova” turnê, Blaze optou em celebrar sua passagem pela Donzela de Ferro e executar um set totalmente focado nos dois álbuns gravados com eles, “The X Factor” e “Virtual XI”. Goste ou não goste, ele pode e deve sempre fazer essas turnês e shows, pois queremos sempre ouvir essas faixas na voz original. Quem não quiser, que fique em casa fazendo textão no facebook.

O Manifesto Bar estava abarrotado desde o primeiro show e quando Blaze entrou no palco o frenesi foi gigantesco. “Lord Of The Flies” deu o início a apresentação de forma divertida mostrando que a agitação “não estava legal”. Deixa para Blaze perguntar se era Rio de Janeiro, Brasília, Chile, Argentina e quando chegou em São Paulo, a casa caiu com direito a todos os “ôôôô” que “Lord Of The Flies” exige. Não tem uma viva alma que não cante essa música! Seguiu-se com “Sign Of The Cross”, impactante e sombria sempre, seja lá que for o cantor, mas com Blaze fica ainda mais. “Judgement Of Heaven” e “Fortunes Of War”, ambas do “The X Factor” também, arrancaram suspiros dos presentes e por incrível que pareça todo mundo cantou-as mais alto que o próprio Blaze. A cada intervalo entre as músicas do set, Blaze fazia questão de conversar e agradecer muito os presentes, contando histórias, por exemplo, de quando veio com o Iron Maiden tocar no “Monsters Of Rock” de 1996, que quase se cagou nas calças de tão nervoso que estava por ser um mega festival num palco gigantesco. Na sequência tivemos a bem recebida “When Two Worlds Collide”, seguida da emblemática “Virus” que moeu todos na pista sem dó da mesma forma que “Lightning Strikes Twice”, do polêmico “Virtual XI”, fez. A introdução de baixo de Karl Schramm não precisou de mais que 2 segundos para sabermos qual seria a próximo: The Clansman! E como foi tocada beirando a perfeição, com destaque para Karl que mesmo sendo bem alto segurava e tocava com os dedos o seu baixo da mesma forma que Steve Harris. Impossível não lembrar daquela icônica capa do single “Fear Of The Dark (Live)”, com o Eddie segurando o baixo, mesmo não sendo da fase de Blaze.

Blaze enquanto conversa com todos comenta que eles iram tocar uma nova versão de “The Angel And The Gambler” e pediu para que todos que achassem essa nova versão legal comentassem por ai, mas se achassem uma merda, para ficarem bem quietinhos. Risos gerais! E não é que ficou muito melhor que a original??? Mesmo que a original não seja lá essas coisas (risos). Aqueles teclados pentelhos foram substituídos por guitarras gêmeas e o andamento, além de mais pesado, ficou mais rápido e visceral. Aprovadíssima! A partir daí, o caos tomou conta com “Man On The Edge” seguida “apenas” por “Futureal”, ou seja, duas cacetadas marcantes e vibrantes de extremo bom gosto.

Blaze apresenta a banda com TODOS sendo bem aplaudidos e se despede, mas todos sabiam que faltam mais duas faixas, pois esse era o último show da turnê e nas outras cidades o setlist foram idênticos. “Como Estais Amigo”, muito detonada na época do lançamento em 1998, hoje não chega a “ofender” e dá até para se divertir cantando “No More Tears…No More Tears”. Ah, vai, eu cantei e me diverti horrores, não seja chato (risos). Para fechar tivemos um verdadeiro soco na cara da ex-banda de Blaze, “Doctor, Doctor”, cover do UFO, mas cantada e tocada ao vivo pois ela foi gravada com Blaze nos vocais no single “Lord Of The Flies”, em 1995! Digo soco na cara do Iron Maiden pelo motivo que até hoje a banda sempre toca essa faixa antes de se iniciar seus shows, mas em playback e na versão original do próprio UFO! Qual o sentido disso se já regravaram-na???? Seria uma forma de respeito ao Blaze se tocassem-na com sua voz mesmo nos dias de hoje, não seria?

Blaze e cia podem vir mais um milhão de vezes, tocando ou não material próprio, lá estarei! Não sou clubista, sou fã de música!

Agradecimentos a Tiago Claro (TC7 Produções), Silvio Rocha (Open The Road), Luciano Piantonni (LP Metal Press) e todos envolvidos nessa belíssima apresentação!

Setlist Blaze Bayley:

Lord of the Flies (Iron Maiden)
Sign of the Cross (Iron Maiden)
Judgement of Heaven (Iron Maiden)
Fortunes of War (Iron Maiden)
When Two Worlds Collide (Iron Maiden)
Virus (Iron Maiden)
Lightning Strikes Twice (Iron Maiden)
The Clansman (Iron Maiden)
The Angel and the Gambler (Iron Maiden)
Man on the Edge (Iron Maiden)
Futureal (Iron Maiden)
Como estais amigos (Iron Maiden)
Doctor, Doctor (UFO)

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