Blind Guardian’s Twillight Orchestra – “Legacy Of The Dark Lands” (2019)
Nuclear Blast
#OrchestralRock, #EpicRock
Para fãs de: We Are Sentinels , Virgin Black (fase “Requiem Pianissimo”), Demons & Wizards
Nota: 9,0
Em 1999 o mundo era outro. A seleção brasileira, mesmo depois do vexame na final da Copa do Mundo da França ainda metia medo nos adversários, o Vasco Da Gama dava muito mais alegria aos seus torcedores (incluindo esse que vos escreve), mídia física vendia bem e o Blind Guardian aproveitava a boa repercussão do aclamado ‘’Nightfall In Middle-Earth”, um trabalho conceitual baseado no clássico literário “O Silmarilion” e que tinha como um dos pontos principais o uso de orquestrações o que deixou uma semente plantada entre seus músicos e fãs: “por que não um álbum totalmente orquestral”?
Bem, 20 anos depois (com a banda tendo inúmeros lançamentos neste meio tempo) o esperado álbum finalmente foi lançado. E o que o Blind Guardian trouxe para seus leais e pacientes fãs não é nada menos do que pomposo e grandioso. “Legacy Of The Dark Lands” não é um trabalho de regravações de seus sucessos no formato de orquestra mas sim uma obra inédita de fantasia e que funciona como sequência direta do livro “Die Dunklen Lande” do escritor alemão Markus Heitz.
Todo o material escrito acima é para contextualizar você caro leitor sobre o que esperar de “Legacy Of The Dark Lands”. Obviamente não há guitarras e baterias aqui, “apenas” o magistral trabalho feito pela Orquestra Filarmônica de Praga, seu coral e o vocal poderoso e marcante do deus Hansi Kürsch, que dosa a emoção necessária para cada passagem, tendo a aspereza, tal como encontrado em “Harvest Of Soul”, ou sutileza que as composições necessitam.
A sensação de se estar ouvindo a trilha sonora de um filme ou uma ópera permeia toda obra, o que faz total sentido pelo caráter conceitual do disco e, tal como o já citado “Nighfall In Middle-Earth”, “Legacy Of The Dark Lands” também tem interlúdios de diálogos que se por um lado ajudam o ouvinte a se ambientar na história, pela parte musical da coisa é chato mesmo.
Quem já não tem apreço pelo que o Blind Guardian faz desde 2002 vai aqui ter mais munição para suas críticas e detratações, já que este não é mesmo um álbum de fácil assimilação. Aqueles que já nutrem certa afeição por trilhas sonoras, tais como as de ‘Senhor dos Anéis’, terão uma facilidade maior para aceitar o que foi entregue, mas não tomem isto como indicativo de que esta é uma obra destinada apenas para um nicho específico.
“War Feeds War”, “Dark Cloud’s Rising” (soando grandiosa no refrão, que conta com um bem vindo auxílio percussivo), “In The Underworld”, mostram intensidade e paixão de um modo que conseguimos imaginar André Olbrich e Marcus Siepen fazendo seus riffs aqui e ali. Por outro lado “The Great Ordeal” tem passagens que lembram até alguns filmes da Disney, o que não é demérito visto tantas trilhas maravilhosas feitas nas obras do estúdio do famoso camundongo.
Você pode achar este disco uma xaropada só, algo desnecessário e até mesmo um erro discográfico como também pode “viajar” nos arranjos e apreciar todo este ‘cinema para os ouvidos’, mas o grande fato é que não há como passar incólume por “Legacy Of The Dark Lands”, uma obra audaciosa, densa e de assimilação não tão simples mas que não deixa de ser um novo marco na discografia do Blind Guardian.
Márllon Matos
