Blood Incantation – “Hidden History Of The Human Race” (2019)
Century Media Records
#DeathMetal, #ProgressiveMetal, #PostMetal
Para fãs de: Death, Obituary, Therion
Nota: 10
Bruce Pennington é um pintor britânico famoso por suas capas para obras de ficção científica, mesclando um padrão sci-fi com algo de psicodélico, como é o caso da pintura do artista reproduzida na capa do álbum do Blood Incantation – um alien aparentemente petrificado em um cenário cibernético, com naves que parecem aquele Atomium, que tem em Bruxelas, sobrevoando ao redor.
Se a escolha da capa já é uma opção “bem louca”, imagina o som desses chapados! É Death Metal técnico, de uma qualidade fora do comum que, por conta justamente de seu brilhantismo, acaba por transcender as barreiras deste estilo musical – embora tenha muito do que se ouve nos álbuns mais trabalhados do Death e, também, do Obituary.
Na faixa de abertura, “Slave Species Of The God” a introdução é fantástica, vai bem naquela linha Death Tracional trampadão, tornando-se um verdadeiro petardo, cheio de quebras que então vão ganhando ambiência distinta e a música começa a soar um tanto “progressiva” – o que é notável pelo uso de flanger nos efeitos de guitarra: psicodélico sem perder a firmeza do Death Metal Tradicional.
“The Giz Power Plant” tem um trampo de bateria fenomenal, e os riffs de guitarra são sujos, com uma mixagem que favorece a percussão ao longo do andamento e que vai variando para passagens inspiradas em músicas orientais, trazendo à lembrança os bons momentos do Therion, com todo aquele requinte de música progressiva entrelaçada com o Death característico da banda. Com um baterista cheio de recursos como Isaac Faulk, a coisa toda ganha um toque sofisticado, deixando a psicodelia soturna tomar conta da composição, graças ao encaixe dos vocais e a quebradeira na condução.
Em “Inner Paths (To Outer Space)” o EP decola definitivamente para o espaço sideral, desenvolvendo-se num crescendo intenso, como se fosse uma “Rhyme To The Ancient Mariner”, de sua parte arrastada adiante, em formato de Metal Extremo cibernético, sem vocais. Justamente esta ambiência dá contornos de algo que podemos chamar de post-metal ou Shoegaze, expressão que o pessoal vem utilizando para se referir a este tipo de experimentação sorumbática, apoiada apenas em instrumental.
E a obra encerra com “Awakening From The Dream Of Existence To The Multidimensional Nature Of Our Reality (Mirror Of The Soul)”, a fusão entre Death e elementos viajantes se entrecruzando de uma forma que ouvi acontecer raríssimas vezes, na linha do último álbum do Celtic Frost, “Monotheist”, encerrando a viagem em uma ambientação digna de “Um Odisseia No Espaço” que parece se homologar perfeitamente com temas de guitarra típicos do Death Metal. Bravo!
Fazia tempo que não me propunha a redigir uma resenha faixa-a-faixa, mas fiquei tão impressionado com este EP que não consegui escapar deste formato. De todo modo, o mais importante é você clicar no link abaixo e ouvir agora mesmo estes 30 minutos de uma verdadeira aula de Death Metal enriquecido com progressivo e um toque ‘ET-psicodélico’!
Wallace Magri
