Bloodbath – Carioca Club, São Paulo/SP (08/09/2026)
Produção: Tumba Productions
Texto por: Matheus “Mu” Silva
Fotos por: Rodrigo Faustino
A terça-feira (08) foi marcada por uma noite extremamente pesada no Carioca Club, em São Paulo. Afinal, receber o Bloodbath pela primeira vez no Brasil já seria, por si só, um acontecimento aguardado há décadas pelos fãs de death metal. Entretanto, a noite foi ainda mais especial graças à presença de The Haunted, Nervochaos e Warshipper, que completaram uma programação brutal do início ao fim.
Abrindo os trabalhos, o Warshipper subiu ao palco às 18h30 e teve aproximadamente 30 minutos para apresentar seu death metal ao público que começava a ocupar a casa. Assim, a banda entregou uma apresentação direta, passando por faixas como “Numb (Pleasures of Possession)”, “All Hail The Metal of Death”, “Respect!” e “Warshipper”.












Logo depois, foi a vez do Nervochaos assumir o palco. A banda entrou em cena por volta das 19h20 e trouxe uma formação diferente daquela que muitos fãs estavam acostumados a acompanhar. Desta vez, Edu Lane deixou a bateria para assumir os vocais, transformando o quinteto em uma configuração renovada.
Ainda assim, a experiência acumulada pelo grupo ficou evidente durante a apresentação. O repertório passou por músicas como “Ad Majorem Satanas Gloriam”, “Pazuzu Is Here”, “Total Satan” e “For Passion Not Fashion”. Além disso, o público também pôde conferir “Embrace Chaos”, faixa que estará no próximo álbum da banda, Chaosmongers.


















Na sequência, o The Haunted entrou em cena e elevou ainda mais o nível da noite. Formado a partir das cinzas do At The Gates após a dissolução da banda em 1996, o grupo construiu sua própria identidade ao longo dos anos, embora suas raízes estejam diretamente ligadas àquele período fundamental do death metal melódico sueco.
Por isso, a apresentação funcionou também como uma espécie de viagem pela história da banda. Com Adrian Erlandsson, Jonas Björler, Patrik Jansen, Ola Englund e Marco Aro, o The Haunted combinou death metal melódico, thrash metal e groove, mantendo a agressividade que sempre marcou sua trajetória.
Ao longo de aproximadamente 80 minutos, foram cerca de 20 músicas. Além disso, o repertório privilegiou principalmente os dois primeiros discos, The Haunted (1998) e Made Me Do It (2000), para satisfação dos fãs que aguardavam justamente esse resgate.
Entre os destaques estiveram “Undead”, “In Vein”, “Trespass” e “Hollow Ground”. Dessa forma, a banda conseguiu equilibrar velocidade, peso e riffs marcantes, enquanto Marco Aro comandava o público com sua presença de palco.
Depois de três apresentações bastante consistentes, finalmente chegou o momento mais aguardado da noite.



























Às 21h55, as luzes se apagaram e o palco mergulhou em uma atmosfera sombria. Então, o Bloodbath surgiu diante de um Carioca Club completamente tomado, iniciando sua primeira apresentação no Brasil com “So You Die”, faixa originalmente lançada em Resurrection Through Carnage (2002).
Desde os primeiros minutos, ficou claro que a espera havia valido a pena. A banda sueca apresentou um repertório que percorreu diferentes momentos de sua discografia e, ao mesmo tempo, preservou a essência do death metal old school que sempre esteve no centro de sua proposta.
Na guitarra, Anders Nyström, também conhecido por seu trabalho no Katatonia, dividiu o palco com os demais integrantes. Na bateria, Martin Axenrot, ex-Opeth, garantiu a precisão necessária para sustentar a brutalidade das composições. Já nos vocais, Nick Holmes, do Paradise Lost, mostrou por que se tornou uma peça fundamental na atual formação do Bloodbath.
Além disso, Holmes não economizou nos guturais durante toda a apresentação. Sua interpretação trouxe peso e personalidade às músicas, enquanto a banda manteve uma execução extremamente coesa.
O repertório também revisitou diferentes fases da carreira. “Breeding Death”, originalmente lançada no EP de 2000, foi um dos momentos mais celebrados pelo público. Da mesma forma, músicas de Nightmares Made Flesh (2004) apareceram com força, mostrando a importância do disco dentro da trajetória do grupo.
Por outro lado, o set não ficou restrito aos primeiros trabalhos. O Bloodbath também passou por diferentes álbuns de estúdio, incluindo Grand Morbid Funeral (2014), representado por “Let The Stillborn Come to Me”, além de seguir meio como referência o álbum ao vivo The Wacken Carnage (2008) e outros momentos importantes da discografia.
Enquanto isso, Nick Holmes permanecia à frente do palco, alternando os guturais com sua conhecida postura ameaçadora. E, embora tenha sido impossível ignorar o peso histórico dos antigos vocalistas Mikael Åkerfeldt e Peter Tägtgren, Holmes demonstrou novamente que sua presença no Bloodbath já faz parte da identidade atual da banda.
Depois de quase 30 anos de história, Anders Nyström também teve seu momento de destaque. Sendo o único integrante da formação original ainda presente no grupo, o guitarrista falou com o público antes do encore e ajudou a transformar aquela parte final da apresentação em um momento ainda mais especial.
Então vieram “Cry My Name” e “Eaten”, encerrando uma apresentação de aproximadamente 65 minutos. Assim, o Bloodbath deixou o palco depois de entregar exatamente aquilo que os fãs esperavam: death metal sombrio, brutal, direto e sem concessões.
Para quem acompanhou a trajetória da banda durante tantos anos, ver o Bloodbath finalmente no Brasil teve um peso especial. Afinal, não se tratava apenas de mais uma passagem internacional pelo país, mas da realização de um desejo antigo de muitos fãs brasileiros.
E a Tumba Productions merece destaque por proporcionar esse encontro. Além do Bloodbath, a produtora reuniu The Haunted, Nervochaos e Warshipper em uma mesma noite, criando uma escalação que conseguiu contemplar diferentes gerações e vertentes do metal extremo.
Todas as bandas nacionais cumpriram muito bem seus papéis e contribuíram para construir o clima da noite. Entretanto, o The Haunted também deixou uma impressão especialmente forte, enquanto o Bloodbath, naturalmente, foi responsável pelo momento mais aguardado.
Dessa forma, o Carioca Club recebeu uma noite que ficará marcada para quem esteve presente. O público esperou, acompanhou e finalmente testemunhou o Bloodbath em território brasileiro.
Uma terça-feira para não ser esquecida!





























