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Body Count – “Carnivore” (2020)

Body Count – “Carnivore” (2020)
Century Media Records
#RapMetal#Crossover#GrooveMetal

Para fãs de: Suicidal TendenciesDirty Rotten ImbecilesMachine Head

Nota: 9,0

Se eles não foram os responsáveis pela fusão entre o Heavy Metal e o RAP – que tem seus primórdios na parceria entre o Aerosmith e o Run DMC na regravação de “Walk This Way”, em 1986, ano em que Kerry King participou no álbum “License to Ill”, do Beastie Boys, culminando no lançamento de “I’m The Man” (1987), EP em que o Anthrax gravou 3 versões de um Rap Metal pra lá de divertido – certamente o Body Count foi uma das bandas que melhor se encaixou neste formato musical, até mesmo porque contava com um rapper legítimo nos vocais, Ice-T (somando uma dose interessante de crossover em sua forma de cantar, naquela veia que o Suicidal Tendencies iniciou, em músicas como “Institucionalyzed”).

Com o lançamento de seu álbum de estreia autointitulado, a banda ganhou repercussão mundo afora, muito em virtude da inclusão de “Cop Killer” no setlist, uma resposta à altura ao ato de agressão a Rodney King, um jovem negro, por policiais, em 1991, fato que impulsionou uma série de distúrbios e revoltas sociais em Los Angeles.

A banda ainda seguiu nos anos 90 com mais dois álbuns de relativo sucesso, até que Ice-T optou por dar prioridade à sua carreira de ator, atuando na famosa série Law and Order, interpretando o detetive Odafin Tutuola. Na década de 2000, a banda lançou o álbum “Murder 4 Hire”, mas foi na década de 10 que retomou de fato suas atividades com o lançamento de “Manslaughter” (2014) e “Bloodlust” (2017), álbuns em que tratou de talhar seu som com ainda mais peso, contando com músicos consagrados da cena Metal fazendo participações especiais.

E esta tendência em reforçar o peso e agressividade – mantendo o tom de protesto em suas letras, que caracteriza a banda desde o início de sua carreira – segue intacta neste novo lançamento, “Carnivore”, que volta a contar com Jamy Jasta em “Another Level”, além de Jello Biafra e Dave Lombardo, “Slayerizando” músicas de Rap das antigas de Ice-T (“Colors” e “6 In Tha Morning”). Por sinal, ecos de Slayer são sentidos nos riffs de “Point The Finger”, “Thee Critical Beatdown” e “The Hate Is Real”, talhando a atual sonoridade do Body Count, na perfeita interação entre a agressividade dos vocais Rap e o peso do Thrash/Hardcore.

“Bum Rush”, com sua levada de bateria e baixo viciantes vindo à frente abrindo espaço para a vociferação de Ice-T, é um dos destaques do álbum e certamente tem potencial para colocar qualquer headbanger de carteirinha para agitar animadamente, com direito a ponte para bradar o nome da banda – como é costumeiro no mundo do Body Count.

Outros destaques são o cover para “Ace Of Spades” do Motörhead, com homenagem de Ice-T a Lemmy em sua introdução e uma levada para lá de raivosa, fazendo jus à história da banda que atualizou os padrões de crueza e peso no Rock and Roll no seu tempo. Se até Zé Ramalho se arriscou, certamente Ice-T tem muito mais autoridade para isso e conhecimento de causa infinitamente maior.

Não dá para deixar de mencionar a outra faixa em que prestam homenagem póstuma, desta vez para um amigo de Ice-T assassinado recentemente, Nipsey Hussle, contando com a participação especial mais inusitada do álbum: Amy Lee, do Evanescence, em “When I’m Gone”, que ganha ares dramáticos graças às intervenções vocais da moçoila conferindo ambiência gótica durante os versos, para encontrar a voz de Ice-T em um refrão bem denso e melancólico.

A banda está muito afiada, com Ernie C. e Juan Of The Dead mandando bem nos riffs e nos solos típicos da escola Thrash/Hardcore, muito comum nos anos 80 e 90 e que se adequam perfeitamente ao estilo da banda, que, claro, em virtude da textura aberta para o Rap, deve muito à caracterização de seu estilo único (além da interpretação vocal de Ice-T) ao trabalho de baixo e bateria de Vicent Price e Ill Will, respectivamente, complementados pela atuação discreta nos samplers de Sean E. Sean. E, para rolar aquele diálogo típico de Rap, a formação é completada com a participação de Little Ice – sim, ele é filho do Homi.

Disco de audição obrigatória para quem curte desde Suicidal Tendencies, DRI, até Biohazard e Machine Head e, claro Slayer, sendo imperdível a audição de “Colors” com a bateria um tanto inusitada e precisa de Mr. Dave Lombardo, completada pelas guitarras inspiradas pela eterna banda californiana de Thrash Metal Extremo da qual o baterista fez parte por muito tempo.

E, se você, por acaso, nunca ouviu o Body Count, se começar por este álbum com certeza vai se interessar pelo catálogo antigo da banda.

Wallace Magri

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