Ícone do site METAL NA LATA

Brave – “The Oracle” (2020)

Brave “The Oracle” (2020)
Anti Posers Records
#HeavyMetal#VikingMetal#PowerMetal

Para fãs de: ManowarAcceptEnsiferum

Nota: 8,0

Estive presente no evento organizado pela Som do Darma para anunciar o lançamento do novo álbum do Brave, intitulado “The Oracle”, banda do interior de São Paulo que, ainda que com significativas mudanças na formação, circula há 20 anos pelo underground nacional.

Claro que este tipo de iniciativa para promoção do trabalho de uma banda denota profissionalismo e, aliado com a contratação do veterano Eliton Tomasi como produtor executivo, faz o Brave despontar anos-luz à frente da maioria das bandas nacionais, que presam pela apatia e amadorismo na divulgação de seu produto, perdendo mais tempo reclamando dos fracassos que colecionam do que colocando seu nome em destaque nas mídias em geral.

Mas é claro que de nada adianta tanto esforço se a música não for boa. Confesso que não ouvi os trabalhos anteriores da banda, por isso não vou ter parâmetros para analisar evolução musical. O que sei é que “The Oracle” é um álbum basicamente de Heavy Metal tradicional, com temática predominantemente medieval, esquema Viking Metal.

A produção é bem cuidada e a mixagem, valendo-se da prata da casa, também deu conta do recado, na medida do possível, e soube conferir aquele toque oitentista para as composições, especialmente pelo timbre das guitarras, soando tudo meio abafado na saída das caixas de som. O fato de contar com apenas 8 músicas também ajuda a deixar o álbum mais coeso e nem um pouco cansativo de se ouvir na íntegra.

Destaque para “Wake The Fury”, com umas vinhetas de guitarras muito bem arranjadas, vocal que encontrou um bom encaixe no andamento bem tradicional da música, que me fez lembrar do Accept em seus melhores momentos.

O timbre vocal de Milano é naturalmente grave, com permissões para tentar alcançar notas mais agudas em alguns momentos, como em “Fall To The Empire”, enquanto o restante da banda mostra muita tranquilidade no desempenho de suas funções, especialmente na criação de fraseados e riffs de guitarra precisos por parte de Carlos Bertolazi, acompanhados de forma habilidosa pela cozinha composta por Ricardo Carbometo (baixo) e Carlos Alexgrave, que em diversos momentos acompanha as notas dos riffs com os bumbos, deixando o andamento das músicas mais acelerado nesses momentos. Sem firulas, mas tudo bem encaixadinho.

Talvez fosse o caso de tomar mais cuidado com as letras, que parecem traduzidas para o inglês de uma maneira meio descuidada. Embora não precise ser uma coisa acadêmica, nem sempre certos deslizes lexicais valem à pena pela rima em si, mas nada que comprometa seriamente o resultado final, claro. Agora, se for para desbravar horizontes fora do Brasil, é uma dica a ser considerada.

Este ano começou bem promissor para a cena metálica brasileira, com diversas bandas apostando forte na profissionalização de sua atuação. Ainda que seja difícil pagar as contas tocando em uma banda de Metal atualmente – seja no Brasil, ou no mundo em geral – não quer dizer que o trabalho possa ser feito e embalado de qualquer jeito. Tem que apostar na qualidade e planejamento.

O caminho é esse, basta seguir em frente!

Wallace Magri

Sair da versão mobile