Bretus – “Magharia” (2021)
The Swamp Records | Overdrive Records | Burning Coffin Recs
#DoomMetal, #StonerMetal, #StonerDoomMetal
Para fãs de: Pentagram, Cathedral, Saint Vitus, Trouble, Candlemass, Witchfinder General
Nota: 10
Uma das maiores instituições do Doom Metal contemporâneo, o italiano Bretus, entrega nesse fatídico e ainda dissonante 2021, o seu quinto disco de estúdio — uma peça que de sacra nada tem chamada “Maghara”.
O sucessor de “Aion Tetra” lançado em 2019 chega com a difícil missão de superar ou ao menos equiparar-se ao fabuloso registro passado, e ele assim o faz com êxito; equiparando-se na proporção de qualidades que exibe e superando em destreza e nas colocações inteligentes e inspiradas que transitam entre os 70s e 80s. Sobre a destreza da banda ao evoluir sonoramente equilibrando-se entre décadas, ela é impar. Metal Lento, italiano, obscuro e ampliado por experimentações. Precisa dizer mais?
Gravado e mixado no Black Horse Studio (Calábria) e ilustrado perfeitamente por Damiana Merante, também responsavel pela arte estupenda do “UnderMudBlues” (Lunar Swamp), o disco já abre em alto nível com “Celebration Of Gloom” — quer algo mais Doom que esse título? Faixa estupenda; rifferama vertiginosa, baixo e bateria sólidos e bem pronunciados. O vocalista Zagarus vai guiando a liturgia com a maestria de quem leu todos os manuais alquímicos e tem domínio pleno sobre os escritos ocultos. Compondo o primeiro rito ainda tem “Cursed Island” (clipe incrível) e “Moonchild’s Scream” (ambas impecáveis). O instrumental “NecroPass” divide o disco ao meio, a partir dele temos faixas desprendidas de fórmulas, com alas amplas para experimentos e suculentas porções de Hard Rock e Heavy Metal, que são devidamente condimentadas com muito Groove.
“Nuraghe”, “Headless Ghost”, “The Bridge Of Damnation” são semelhantes em estrutura e desenvolvimento, embora obedeçam ao crescente de qualidade — uma celebração à santidade do Riff. “Sinful Nun” é visceral, energizada pelo oculto; batizada sob a lua cheia numa noite dedicada à bruxaria e rituais aversos aos que cristãos e cidadãos de bem pregam (nada é mais tradicional que ser antitradicionais). Designada como encerramento do ritual, a faixa que dá nome ao disco; “Maghara”; psicodelia pura, riffs penetrantes esterilizados no calor das chamas que devoram almas e êxtases dionisíacos proporcionados pelas teclas do também guitarrista, Ghenes. Simplesmente sensacional!
O Bretus vem construindo uma bela reputação na cena Doom mundial graças a sua fidelidade ao gênero, a sua sagacidade e inteligência ao saber experimentar e enriquecer sua música sem se ausentar das regras primais. Junto a essa reputação criou-se também uma tradição (ou maldição, se mais cabível for), a de nos agraciar com grandes e excelentes registros, sendo “Maghara” mais um belo acréscimo em sua discografia. Que o Bretus prossiga com sua adoração aos riffs, afinal, honrar o Deus Canhoto que os criou nunca é demais. Quanto a mão direita, bem, ela promete paraísos, mas a trilha sonora dos mesmos é muito chata!
Fábio Miloch
