Bride – “Snakes Eyes” (2018)
Retroactive Records
#HardRock
Para fãs de: Bride (1991-1994), The World Will Burn, Guns N’ Roses, L.A. Guns
Nota: 9,0
É difícil não ser contagiado pela nostalgia ao parar para ouvir este novo trabalho dos irmãos Dale (vocais) e Troy (guitarras) Thompson. Do nome do material (“Snakes Eyes”), passando pelo logo (usado anteriormente no cd “Kinetic Faith” de 1991 e era o primeiro a ser puramente hard rock) tudo remete a quando a banda dominava a dita cena do rock cristão.
Oficialmente foram só 5 anos de espera, já que supostamente o Bride tinha encerrado a sua carreira com “Incorruptible” lançado em 2013, mas os fãs mais radicais irão dizer que estão esperando por este trabalho desde 1994, quando o Bride finalizou a sua era “hard rock” com “Scarecrow Messiah”, que era uma continuação direta do estrondoso e highlight supremo “Snakes In The Playground”, e passou a viajar por outros horizontes sonoros.
E é com samples deste último que o álbum se inicia, numa rápida introdução que logo dá espaço para “Fake News” tirar toda a nossa desconfiança e notarmos que ninguém aqui tá pra brincadeira. Troy continua a tratar a sua guitarra como um verdadeiro gentleman após 35 anos de carreira e mesmo não sendo o mais técnico ou virtuoso dos guitarristas, sabe como poucos deixar o seu estilo nos riffs e bases. Dale Thompson está cantando como nunca aqui! Seja pelo passar dos anos, afinal ele é um jovem senhor de 55 anos, ou por desejo próprio os vocais estão bem rasgados e ríspidos e mesmo sem aquela extensão do passado, você ainda percebe que é ele lá berrando no microfone com seu timbre inconfundível.
A produção é bem crua e suja (e não, isso não é um adjetivo negativo, ao menos não nesse caso) e ficou a cargo do brasileiro Nenel Lucena (parceiro de Dale no projeto N.O.G). O produtor ainda ficou responsável pelas linhas de baixo e na bateria temos Alexandre Aposan (que também faz parte do N.O.G.) e é conhecido por ter tocado com o Oficina G3 e uma infinidade de artistas. E a cozinha está muito boa neste trabalho. O baixo apresenta sua melhor timbragem na carreira da banda e faz excelentes linhas e a bateria, mesmo que sem muita firula, tá la marcando presença e dando a pulsação necessária para essa máquina continuar a rodar.
Sobre o repertório em si, são 11 faixas (descontando a introdução) e que vão ganhando espaço na sua mente a cada audição. Talvez de início você nem ligue muito pro material, mas é fato que há excelentes canções aqui. “Lost In A Song” é de longe a minha favorita e mostra o estrago que um bom refrão faz na cabeça de um fã e se fosse parte do repertório do grupo na primeira metade dos anos 90, era hit certo. “John The Baptist” é a que mais lembra os arranjos e estruturas da fase áurea da banda e acabou ganhando um clipe no mínimo curioso. “Laughter Of It All” é bem cadenciada e densa e te garanto que você nunca ouviu o Bride soar tão descaradamente pesado como na introdução e no fechamento de “Famous When I’m Dead”. Daria pra falar bem sobre cada música, mas já me estendi muito no texto e é capaz de levar uma puxada por fugir da proposta do site (risos).
Muito foi dito de que “Snakes Eyes” seria uma continuação direta do seu irmão mais velho e apesar de ter sim muitas reminiscencias da sua fase de ouro, existe uma boa conexão com o passado mais recente, principalmente com “Tsar Bomba” de 2009 e também revisitando outras eras. Só que este é um cd sem firulas, sem interlúdios, sem baladas, mas com muito peso (de longe é o mais pesado da banda). Traduzindo, é o que os fãs esperavam há muito tempo.
Se este for de fato o último trabalho da banda, será uma despedida honesta e sincera, feita com músicas cheias de paixão e emoção. Vida longa ao Bride, vida longa ao rock ‘n roll!
Márllon Matos
