Ícone do site METAL NA LATA

Bring Me The Horizon – “Count Your Blessings | Repented” (2026)

Bring Me The Horizon – “Count Your Blessings | Repented” (2026)

Sony Music
#Deathcore #Metalcore

Para fãs de: Parkway Drive, Motionless in White, Architects

Texto por: Lucas David

Nota: 9,0

Longe da nostalgia barata ou da tentativa de apenas ganhar mais dinheiro com o famoso “caça-níquel”, muitas bandas optam por revisitar obras que ajudaram a definir sua identidade e até mesmo um gênero inteiro. Algumas acabam dando um tiro no próprio pé, sem conseguir alcançar a glória do passado ou sequer reproduzir a energia que tinham ao gravar o trabalho original. Outras, porém, acertam em cheio, apresentando sua música a uma nova geração e reforçando ainda mais a força de seu legado. Esse é exatamente o caso do Bring Me The Horizon com “Count Your Blessings”, lançado originalmente em 2006.

Embora os fãs tenham sido conquistados por um som explosivo, feroz e até mesmo imperfeito, os titãs de Sheffield logo se distanciaram do álbum de estreia, criando músicas cada vez mais ambiciosas e acessíveis, sempre olhando para o futuro. Ainda assim, o Bring Me The Horizon resolveu regravar “Count Your Blessings” para celebrar seus 20 anos, buscando corrigir as limitações causadas por restrições de orçamento, tempo e produção, fatores que impediram o grupo de concretizar plenamente sua visão artística na época. Mais do que isso, a nova abordagem reúne músicos mais experientes e recursos técnicos suficientes para finalmente fazer justiça ao potencial da obra original, aperfeiçoando cada detalhe e entregando um verdadeiro presente para quem sente falta da fase mais extrema da banda.

Os resultados impressionam. O material foi reformulado sem exageros, a qualidade sonora está à altura do padrão que a banda estabeleceu ao longo da carreira e, ainda assim, permanece fiel à natureza suja, caótica e agressiva do Deathcore. “Pray for Plagues” abre o disco de maneira devastadora, com bateria explosiva, riffs cavalares e os vocais de Oli Sykes soando mais insanos do que nunca. A música foi meu primeiro contato com a banda muitos anos atrás, e ouvi-la reformulada, ainda mais pesada e agressiva, é extremamente satisfatório.

Na sequência, “Tell Slater Not to Wash His Dick” chega ainda mais brutal, com o pé cravado no acelerador e um breakdown simplesmente esmagador. “Black & Blue” mantém a velocidade com bumbos duplos, blast beats estrondosos e riffs mais robustos, enquanto os grooves em momentos estratégicos ampliam ainda mais a sensação de destruição.

“Off the Heezay” é outro grande destaque, impulsionada por uma bateria punitiva e breakdowns espalhados por toda a faixa, prontos para quebrar pescoços e não deixar ninguém parado. Além disso, vale destacar a performance de Oli Sykes. Aos 39 anos, o vocalista continua soando agressivo e intenso ao revisitar músicas compostas ainda na adolescência. Sua evolução técnica impressiona e demonstra que sua paixão por esse legado permanece intacta.

Uma grata surpresa é a inclusão da inédita “Dehumanized”, funcionando como uma espécie de ponte entre o passado e a maturidade musical da banda. Totalmente alinhada à sonoridade do álbum, a faixa acerta em cheio com uma parede sonora sufocante, riffs robustos e um dos breakdowns mais insanos que você ouvirá este ano.

“Count Your Blessings | Repented” é a versão definitiva de um álbum que ajudou a moldar uma geração de fãs e influenciou inúmeras bandas de Metal moderno. A inédita “Dehumanized” também deixa claro que o Bring Me The Horizon consegue transitar naturalmente entre sua sonoridade atual, voltada para grandes arenas, e a brutalidade de suas origens, que continua pulsando em suas veias. Um disco grandioso de uma das maiores bandas da atualidade.

Sair da versão mobile