Bruce Dickinson Celebrating The Music Of Jon Lord and Deep Purple
Bruce Dickinson Celebrating The Music Of Jon Lord and Deep Purple
Local: Vibra SP, São Paulo/SP
Data: 15/04/2023
Produção: Mca Concerts
Texto e fotos por Ivan Luiz de Oliveira
Fotos profissionais (galeria) por Aline Narducci
É um fato, a relação de amor com Iron Maiden/Bruce Dickinson e o Brasil é algo único no cenário musical mundial. Qualquer participação do icônico vocalista da donzela em nossas terras irá chamar a atenção, e esse espetáculo não fugiu à regra.
Bruce sempre afirmou que Ian Gillan foi uma das suas maiores influências como vocalista e o Deep Purple entre suas bandas favoritas, e por conta disso, há anos eles está envolvido com projetos que homenageiam a carreira das lendas inglesas, e atualmente, tem feito apresentações na Europa e agora no Brasil prestando um tributo ao disco lançado em 1969, composto pelo eterno tecladista do Purple, Jon Lord, e gravado junto a Royal Philharmonic Orchestra no Royal Albert Hall, em Londres.
A tour ainda passará por mais três cidades do Brasil (Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro), e para quem ainda tiver a possibilidade de ir, não perca!
Em um agradável sábado à noite, o eterno “Credicard Hall” estava com ingressos esgotados e próximo as 21hs a casa se encontrava completamente lotada (segundo organizadores, 4 mil pessoas).
Sem contar com banda de abertura, por volta das 21h15, subiram ao palco integrantes da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) e de algumas outras orquestras do país, e o que pudemos notar na saída do show é que muitos deles são ainda jovens músicos, e com certeza de enorme talento. A condução foi feita pelo maestro Paul Mann.
Acompanhando Bruce, sua banda de apoio conta com, Tanya O’Callaghan (Whitesnake, Dee Snider) no baixo John O’Hara (Jethro Tull) nos teclados, Kaitner Z Doka (Jon Lord, Ian Paice) na guitarra, Bernard Welz (Jon Lord, Don Airey) na bateria e Mario Argandonia (Scorpions) na percussão.
O Show:
Bruce fez uma breve apresentação de todos, inclusive exaltando os músicos da orquestra, como importantes para o resultado final da obra, explicou como se daria a ordem da apresentação, entre os três atos da orquestra, sendo o primeiro Moderato – Allegro, o segundo Andante e o último Vivace – Presto.
Na primeira parte, totalmente instrumental, a orquestra sinfônica tem grande destaque, fazendo todos se sentirem em uma apresentação na Sala São Paulo. Aqui, um parêntese. O público, apesar de contar com algumas pessoas vestidas em trajes mais de “gala” e pessoas da melhor idade, era majoritariamente de fãs de rock, e pude perceber alguns entediados durante essa primeira parte. Ficou claro que essa minoria não sabia realmente do que se tratava a apresentação e foi apenas para ver o vocalista do Iron Maiden cantar.
Seguindo na apresentação, ainda durante o primeiro ato, no momento que a banda começou a dar a cara de um show de rock, houve certo agito, mas mesmo assim, todos respeitaram a dinâmica do espetáculo.

No segundo ato, Bruce aparece cantando, mesmo que durante pouco tempo, porém, o mesmo, animadíssimo, permanece no palco, fazendo suas dancinhas e brincadeiras. Durante essa parte, foi o primeiro momento que o órgão Hammond teve seu destaque, pois afinal, essa peça foi composta por Jon Lord, e ouvir o instrumento que ele eternizou em centenas de canções do Deep Purple trouxe um saudosismo daquele som único.
O terceiro ato, como o próprio Bruce relatou no início, é o momento que banda e orquestra trabalham mais juntos, e para quem gosta dessa combinação, de algo produzido para soar como uma coisa única, e não uma orquestra apenas acompanhando canções de rock, foi uma primeira parte de espetáculo primorosa. Parabéns aos músicos da orquestra que se mostraram a altura do concerto.
Finalizada a primeira parte, houve um intervalo de 15 minutos, para o retorno com a parte Rock N’ Roll do show.
Agora, vamos lá. Antes de tudo, o que esse senhor, com seus 64 anos está cantando é um absurdo. Ele tem conseguido melhorar, e nessa performance especificamente, conseguiu alcançar todas as notas, sem a voz se mostrar nem um pouco cansada.
A primeira a ser tocada foi o maior hit da carreira solo do Air Siren, “Tears of the Dragon”. O público foi ao delírio e cantou o refrão a plenos pulmões, e acompanhamento da orquestra deu uma roupagem mais “classuda”. Na sequência, uma das composições mais interessantes da carreira solo do vocalista, “Jerusalem”, com uma interpretação digna de um registro oficial, inclusive, deveriam pensar nisso. Retomando, já foi dito, mas o que esse cara está cantando é algo a ser estudado.
E finalmente, entramos no propriamente dito repertório do Deep Purple, e já iniciou quebrando tudo com uma energética versão de “Pictures of Home”, com a orquestra dando suporte ao fundo, mas sem atrapalhar, ou modificar o andamento da música.
Bruce foi um show a parte, interagindo com todos os músicos e demonstrando estar muito contente em estar executando esse projeto.
Na sequência tivemos a balada “When a Blind Man Cries” com mais um show do entusiasma do vocalista, cantando e interpretando com as mãos, um showman.

“Hush” trouxe uma atmosfera quase “dançante” ao show, mas a temperatura subiu mesmo com os primeiros acordes de “Perfect Strangers”, um dos grandes clássicos de toda a carreira do Deep Purple, que ficou maravilhosa na voz de Bruce e a estrutura da música, principalmente com sua introdução no teclado casou perfeitamente com o acompanhamento da orquestra (sim, ela continuou lá ao fundo como uma coadjuvante de luxo).
Chegando ao final do show, aquela que todos consideramos daquele grupo de sons que ninguém aguenta mais escutar em casa ou no carro, mas que ao vivo ainda causa comoção, falo de “Smoke on the Water”, que na teoria seria o encerramento, fez todos se levantarem e chegarem próximos ao palco. O interessante, ou não, foi que o solo estava um pouco modificado, mas nada que tirasse o brilho.
Quando estava terminando, já vi algumas pessoas se dirigindo a saída, pois nos na tour europeia essa música era o encerramento, Bruce avisa que especialmente para São Paulo iriam tocar “Burn!”. O Vibra quase veio abaixo e foi uma decisão acertadíssima e um presente aos fãs que compareceram.
Ao final, claramente feliz, Bruce, banda e orquestra (que foram saudados inclusive com corinhos ao final) se despediram da capital paulista, seguindo para os próximos shows.
Cabe lembrar que Bruce Dickinson ainda irá participar no final do mês do Summer Breeze Festival, mas apenas palestrando e posteriormente retornará para a Europa, onde o Maiden irá iniciar a sua nova e aguardada tour. Que energia absurda, esse cara não é desse planeta, mas que continue por aqui por muito tempo.

(Parte 1)
Concerto for Group and Orchestra, First Movement: Moderato – Allegro
Concerto for Group and Orchestra, Second Movement: Andante
Concerto for Group and Orchestra, Third Movement: Vivace – Presto
(Parte 2)
Tears of the Dragon (Bruce Dickinson)
Jerusalem (Bruce Dickinson)
Pictures of Home (Deep Purple)
When a Blind Man Cries (Deep Purple)
Hush (Joe South)
Perfect Strangers (Deep Purple)
(Bis)
Smoke on the Water (Deep Purple)
Burn! (Deep Purple)
Agradecimentos a MCA Concerts e a Midiorama pelo credenciamento, parceria e respeito.





